ENADE 2009 (3)

Ainda tratando do ENADE, quero reproduzir um post que li no blog do Reinaldo Azevedo (Veja), que trata de educação e também do ENADE.
Vamos primeiro ao texto original (grifos do original, não são meus desta vez):

A UniEnganação. Ou: “Faculdade ruim para pobre é uma conquista”
domingo, 15 de novembro de 2009 | 6:13

Eu juro que recebi o comentário abaixo, com IP, e-mail, nome e tudo. Ele segue como o recebi. Guardei em arquivo. Não publiquei na área de comentários porque, às vezes, sigo um procedimento que considero parte do humanismo: preservar as pessoas de si mesmas.  Leiam. Volto em seguida:

novembro 14, 2009 18:53

Acho uma vergonha as pessoas generalizarem as falhas de uma instituição usando o termo “”os alunos”” da UNIP amigo(a) entrei nessa intituição por meio de um vest. justo e vou ser “a profissional” sabe porquê? Eu quero, e vou ser não e a Facul. que faz um bom prof. e sim a própria pessoa que desejar ser, pois conheço profissionais que form. em facul. tipo PUC e são totalmente ignorantes,incopetentes.

Acorda é vc que muda o Brasil, é vc que decide se vai ou não ser um bom profississional esteje vc aonde estiver. Se nenhuma instituição nunca errou que atire a primeira pedra. Acorda !!!!!!

Comento
Ela se refere àquele post em que se noticiou que a Unip dava pen drives para alunos que falassem bem da escola no questionário do MEC.

Pouco me importa se é UNIP, Uniban, Uniisso, Uniaquilo… Com efeito, não vou aqui satanizar universidades e faculdades. O que questiono desde o primeiro dia, quando se deu aquela baixaria protagonizada por potenciais linchadores, é a expansão destrambelhada do ensino universitário, AGORA COM DINHEIRO PÚBLICO. Destrambelhada por quê? Porque a qualidade foi para o brejo.

De fato, a expansão não começou neste governo — ela está sendo brutalmente acelerada sob os auspícios do lulismo porque o leite de pata da grana do estado está financiando os supletivões. Com todo o respeito, aluno que escrevesse assim levaria pau em língua portuguesa quando eu dava aula.

O provão, na sua forma original, havia forçado a qualificação das universidades privadas. Há instituições públicas sofríveis também, mas é fato que um conjunto de fatores, que nada têm a ver com as leis de mercado, faz com que o horror se concentre nas instituições particulares.

Veio o governo Lula e mudou o provão. A forma do atual Enade permitiu a expansão da picaretagem — COM DINHEIRO PÚBLICO, REITERO. As provas, como vimos, passaram a investigar mais ideologia do que competência. Deu no que deu.

E, ANTES QUE O ESQUERDISMO PERTURBADO CONCLUA QUE É A LEI DE MERCADO QUE FAZ O ENSINO UNIVERSITÁRIO DE BAIXA QUALIDADE, OBSERVO: É JUSTAMENTE  O CONTRÁRIO. Quando o estado só se ocupou de aplicar o então provão e tornou influente a sua nota como critério de contratação das empresas, as instituições particulares correram para se equipar, contratar doutores em tempo integral etc. Quando o petismo, com o seu populismo vagabundo, entrou na área, a coisa degringolou. É A GRANA GARANTIDA DO ESTADO QUE ESTÁ FAZENDO ESSA MISÉRIA COM O ENSINO PARTICULAR. Se o ProUni garante a bufunfa, para que melhorar? Se, depois de três, quatro anos, o curso for descredenciado, tudo bem. O dinheiro não será devolvido mesmo, não é?

É o estado que está fazendo porcaria, não o mercado. O que não quer dizer que não haja mercadistas nessa história, que ganhariam dinheiro vendendo educação ou bananas. Não tenho nada contra, uma vez que há quem queira  comprar bananas e há quem queira comprar educação. Mas o estado não pode subsidiar uma banana ruim. Assim como não pode subsidiar uma educação ruim. Aliás, o estado não tem de subsidiar nem banana boa!

O que está em curso no país, sob os auspícios do lulismo, é a mais perversa das formas de sacanear os pobres. Na prática, é como se dissesse: “Ah, para quem é, isso tá bom até demais. Deixem que os garçons, os taxistas e as manicures façam faculdade. Melhor ter do que não ter”. Mais ou menos. Está-se oferecendo uma universidade que não oferece vida universitária. Como já escrevi, em vez de se abrir um novo horizonte a pessoas vindas de ambientes um tanto acanhados intelectualmente, há instituições por aí que estão apenas referendando esse acanhamento. E a esquerda aplaude — ou parte dela ao menos.

O dinheiro que sustenta essa farra não estaria sendo aplicado com mais eficiência num ensino técnico de qualidade, por exemplo? Posso apostar que sim. Nem quero aqui ficar fazendo aquela oposição clássica — ou que já virou um clichê — entre quantidade e qualidade. Já nem se trata mais disso. Estamos falando mesmo é de dinheiro público investido numa enganação.

Mas Fernando Haddad, ministro da Educação, o Megalominoso, está empenhado em fazer proselitismo em provas do Enade e do Enem em vez de saber o que se passa nessas instituições. Uma coisa é certa: a avaliação do ensino superior, na forma como é feita hoje, virou apenas uma enganação. A Unienganação. “Mas se é para pobre, até que tá bom”, dizem intimamente estes grandes “defensores dos pobres”…

Bom, nem preciso dizer que concordo com QUASE tudo, né ?!
Já escrevi aqui sobre o ENADE, que tem um viés político fortíssimo – na verdade, o termo correto é propaganda político-governamental DESCARADA.
Uma vergonha.

Mas o “comentário” da aluna (imagino que seja mulher, pela “a profissional”) é típico.
Nem vou comentar sobre a redação torpe, repleta de erros e quase incompreensível. Leio muitas coisas assim na faculdade, e os professores temos que acabar aprendendo a “decifrar” essas coisas. São medonhas ?! Sim, são. Mas é o que acontece quando a pessoa chega até a universidade, o degrau mais elevado da formação acadêmica, semi-alfabetizada.
Na realidade, o termo correto é ANALFABETO FUNCIONAL – o mesmo problema que aflige os PTralhas em geral.

Sobre este problema -gravíssimo-, destaco uma matéria da Folha (que está na íntegra AQUI), com grifos meus desta vez:

Apenas 25% dos brasileiros acima dos 15 anos têm domínio pleno das habilidades de leitura e de escrita, segundo pesquisa feita pelo Ibope. Isso significa que só um em cada quatro brasileiros consegue entender totalmente as informações de textos mais longos e relacioná-las com outros dados.

De acordo com o levantamento, 38% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais –não conseguem utilizar a leitura e a escrita na vida cotidiana. Desses, 8% são absolutamente analfabetos, e 30% têm um nível de habilidade muito baixo –conseguem apenas identificar uma informação simples em um só enunciado, como um anúncio.
Outros 37% têm um patamar básico –são capazes de localizar uma informação em textos curtos, como uma carta ou uma notícia.

Uma das principais constatações da pesquisa é que o nível de analfabetismo funcional fica abaixo de 40% somente quando os anos de estudo passam de oito –nível fundamental completo. No estrato de um a três anos de estudo, o percentual dos que não têm condições básicas de alfabetização atinge 83%.

O domínio pleno da leitura e da escrita só ultrapassa os 50% entre os que já completaram ao menos o nível médio (11 anos ou mais de estudo).

Eu sinto este problema na pele (e nos olhos) quando recebo trabalhos dos alunos UNIVERSITÁRIOS: a grande maioria simplesmente não consegue redigir uma frase ou parágrafo de maneira a fazer sentido. Fica impossível entender qual era a intenção daquela frase….

Se a pessoa não consegue expressar sua idéia, como é que ela vai ENTENDER a idéia expressa por terceiros, num texto simples ?

Canso de ouvir alunos reclamando que leram um determinado texto que eu pedi para uma aula, mas que dizem não ter conseguido entender. Às vezes, quando se trata de um texto mais complexo, é compreensível – mas o problema é quando se trata de um texto básico, fácil, sem complicações.

O mais desanimador disso tudo é perceber que o governo não tem real interesse em reduzir (ou, quiçá, ELIMINAR) este problema – especialmente ESTE (des)governo do Lulla, que insiste em GABAR-SE por ser analfabeto, ignorante, tapado, burro.
Obviamente, o PT não tem interesse em elevar o nível da educação – afinal, se isto acontecesse, não receberiam votos….. Basta ver o vídeo que eu disponibilizei AQUI.

Brevemente, quero retomar esta aparente dicotomia entre as aspirações “do mercado” e “do governo”, no que tange à educação – em especial a de terceiro grau.

Brevemente……

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