Marketing político, propaganda enganosa e estelionato eleitoral

Finalmente acabou a campanha eleitoral mais suja e mentirosa que eu já testemunhei (incluindo a de 1989).

Desde então, tenho lido inúmeros artigos criticando o “marketing político”, que teria sido o responsável pelo baixo nível da campanha, e que explicaria o estelionato eleitoral que vem ocorrendo desde o dia 27 de Outubro. Alguns exemplos de jornalistas (ou articulistas, colunistas etc) que estão utilizando erroneamente o conceito de marketing (são muitos exemplos, então tive que restringir a escolha, sob risco de ter que produzir uma wikipedia inteira): aqui, aqui, aqui e aqui.

Com efeito, quando os jornais, revistas e portais de notícias publicam artigos que criticam o marketing político, ou que usam o conceito de marketing como se fosse equivalente a propaganda enganosa, os leitores acabam acreditando que aquilo é marketing. Pior ainda: as pessoas ficam com uma impressão pejorativa do marketing! Essa impressão acaba ganhando ares de senso comum: sempre que alguém quer dizer que um candidato mentiu, coloca a culpa no marketing:

MARKETING NÃO É NADA DISSO!!!
Eu já escrevi aqui há muito tempo, e repito: marketing político NÃO EXISTE.
A única coisa que os chamados “marqueteiros” das campanhas politicas fazem é COMUNICAÇÃO. Nada contra a comunicação, evidentemente, mas comunicação NÃO é sinônimo de marketing.

Eu já contei um caso aqui no blog, há muito tempo, e vou recapitular de forma resumida. Uma aluna queria fazer um TCC sobre marketing político, e pediu que eu orientasse o trabalho. A contragosto, fiquei de analisar se toparia ou não. Fiz, então, uma pesquisa em textos e fontes acadêmicas sobre o tema. Achei uma dissertação de mestrado, e fui ler.
O que a autora da dissertação chamou de “marketing político” era, na verdade, um conjunto de ações de COMUNICAÇÃO. Preparar discursos de candidatos, fazer roteiros de programas políticos, redigir frases a serem usadas em comícios, atos de campanha e debates, produzir conteúdo para sites, mídias sociais e outros meios etc…
TUDO, enfim, que compete a uma agência de comunicação/propaganda.
O problema é que marketing é um conceito bem maior, mais abrangente, mais amplo.
Vou recorrer a uma das definições elementares do conceito de marketing, que apresento aos meus alunos no início do curso, para ajudar a esclarecer o senso comum que leva a esmagadora maioria dos leigos a confundir marketing com propaganda:

Marketing é um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam através da criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor.

Esta definição acima é do Philip Kotler, extraída do livro Administração de Marketing. Eu poderia apresentar outras definições, mas vou ficar apenas com uma, para simplificar (quem quiser aprofundar-se, pode ler o excelente artigo FALÁCIAS EM MARKETING NO BRASIL, escrito em 2006 por Marcos Campomar e Ana Ikeda, texto que eu uso na primeira semana de aula, aliás, pois apresenta diversas falácias e concepções equivocadas sobre o conceito de marketing).

A partir desta definição do Kotler, fica evidente que numa campanha político-eleitoral, não são criados produtos nem serviços para um determinado público consumidor; busca-se, apenas e tão somente, ajustar os discursos de um candidato a um determinado cargo politico de forma a fazer com que a maioria dos eleitores vote naquele candidato. Isso é, em suma, COMUNICAÇÃO.

Eis aqui um exemplo da comunicação adotada pelo PT nesta campanha suja de 2014:

2014-10-24 20.27.08

Este caso específico mostra duas coisas: (1) COMUNICAÇÃO é fundamental numa campanha eleitoral ; (2) o PT adota a comunicação do terrorismo eleitoral, tentando fazer com que os milhões de beneficiários do bolsa família votem na Dilma por causa do MEDO de perder o benefício.

Mas não é só a chantagem com o bolsa família, não:

2014-10-25 22.16.28

Ou ainda:

SMS PT

Mais um exemplo (este aqui eu recebi a menos de 5 dias do 1o turno):

2014-09-29 22.15.19O chamado “marqueteiro” do PT, João Santana, não faz marketing, ele apenas escolhe as ferramentas de comunicação que julga mais apropriadas e decide a forma de usá-las, o momento etc. Ele não está preocupado com a satisfação do cliente/consumidor (basta ver os exemplos de estelionato eleitoral que serão apresentados mais abaixo), ele não se preocupa em mentir para fazer com que a pessoa vote na Dilma, nada disso. Tudo o que importa é conseguir o voto.

Eu não resisto a apresentar a definição da American Marketing Association, para encerrar a parte de conceituação:

Marketing is an organizational function and a set of processes for creating, communicating and delivering value to customers and for managing customer relationships in ways that benefit the organization and its stakeholders.

O que acontece numa campanha eleitoral é mais simples do que parece: candidatos mentem e, depois de eleitos, acabam tendo que fazer coisas um pouco diferentes das promessas. Em alguns casos, a diferença entre a promessa e a ação posterior à eleição é maior. E, num patamar mais elevado, temos o que vem ocorrendo no Brasil: ESTELIONATO ELEITORAL. Durante a campanha, Dilma e o PT mentiram de forma assombrosamente desavergonhada e, depois que (infelizmente) ganharam a eleição, começou a ficar evidente o estelionato eleitoral.

Vamos a alguns exemplos, a seguir.

O primeiro caso: a candidata usa sua conta no Twitter em 19 de Outubro para falar sobre desmatamento:

Firefox 70

No dia 07 de Novembro, a Folha publica isso:

Firefox 69

O segundo caso: inflação e juros. Durante toda a campanha, Dilma afirmou que o PSDB gostava de juros altos. Fizeram uma campanha extensa com mentiras e deturpações de diversos dados e até mesmo de falas do Armínio Fraga sobre salários mínimo, juros, bancos públicos etc. Aqui, dois exemplos, ambos datados de Outubro:

Firefox 68

Dilma Rousseff on Twitter- "Vocês (PSDB) sempre gostaram de plantar inflação para colher juros. #QueroDilmaTreze http---t.co-OmnxZr4WTm"A eleição aconteceu no dia 26. Apenas TRÊS dias depois, aumento de juros. Eis aqui a capa do jornal O Globo do dia 30 de Outubro:

Firefox 78

Há inúmeros outros casos: aumento de energia elétrica, aumento do preço da gasolina, aumento do número de miseráveis no Brasil etc (veja mais alguns exemplo ao final do post).
Para finalizar, uma das maiores e mais descaradas mentiras que eu ouvi durante a campanha: o Bolsa Família.
Primeiro um vídeo curtinho:

Agora, uma das afirmações mentirosas da Dilma durante a campanha:

Firefox 65Criação do Bolsa Família

A questão central é relativamente simples: durante a campanha o PT adotou a MENTIRA como “estratégia”. As propagandas do horário político mostravam um país que jamais existiu, sem problemas, com tudo perfeito. Em diversas oportunidades da candidata Dilma afirmou, com todas as letras, que a inflação estava sob controle; a candidata mentiu quando se referiu às idéias defendidas pelo Armínio Fraga; a candidata mentiu sobre tarifas de serviços públicos etc. etc. etc. Passada a eleição, a realidade tratou de desmontar ruidosamente a campanha falsa. Tudo o que a Dilma falou desceu pelo ralo.

Marketing não tem nada a ver com isso. O que aconteceu não foi marketing eleitoral, nem marketing (sem o adjetivo “eleitoral” depois). Alguns poderiam chamar de “propaganda enganosa“, mas jamais de marketing. O termo correto é sucessão de mentiras, que se acumularam, e depois ficou latente o estelionato eleitoral.

Alguns poderão lembrar que logo após a eleição de 1998, o Brasil sofreu um estelionato eleitoral também: FHC segurou a paridade do real frente ao dólar de forma artificial, e pouco depois de ter sido reeleito, começou o ajuste que causou uma crise. Sim, houve estelionato eleitoral ali. Da mesma forma, Fernando Collor promoveu outro estelionato eleitoral, com o confisco da poupança.

E aqui faço um pequeno parêntesis: dois economistas que têm voz ativa no PT e no governo Dilma foram FAVORÁVEIS ao Plano Collor: Maria da Conceição Tavares e Luiz Gonzaga Belluzzo. Belluzzo, aliás, não apenas foi favorável ao confisco e ao Plano Collor como um todo, mas colaborou ativamente. Tanto Tavares quanto Belluzzo seguem defendendo o PT, Lulla, Dilma e companhia limitada, apoiando a política econômica desenvolvimentista que só tem produzido o fiasco econômico dos últimos anos. Fecha parêntesis.

Desta forma, resta evidente que estelionato eleitoral não é uma novidade no Brasil. Contudo, nunca antes na história deste país houve um estelionato eleitoral tão grande, abrangente, profundo e descarado como o atual, promovido pela economista que não entende nada de economia e que teve a rara habilidade de levar à falência uma lojiha de R$ 1,99 na época da paridade do real ao dólar.

A seguir um pequeno apanhado da quantidade de mentiras contadas por Dilma Ruinsseff na campanha que foram desmascaradas pelos fatos em poucos dias, conforme eu havia prometido (clique nas imagens se quiser ampliar):

Firefox 79 Firefox 80 Firefox 81 Google Drive
Estelionato

Estelionato_2

A ignorância de um vereador (ora, vejam, do PT!) matando o Kinder Ovo

Eu ia escrever sobre o caso, mas acabo de ler a coluna do Reinaldo Azevedo tratando disso (os grifos são meus):

Ai, ai… Que coisa estupefaciente, para tentar usar uma palavra, assim, que expresse uma indignação algo elegante! A Câmara dos Vereadores de São Paulo aprovou um projeto de lei que proíbe, oram vejam!, a venda de Kinder Ovo na cidade. É, leitor, você entendeu direito! Aconteceu na quarta-feira, dia 2. O texto é de autoria do petista Arselino Tatto, líder de Fernando Haddad na Casa. A estrovenga tramita desde 2009 e foi aprovada em votação simbólica, em… 36 segundos!!! Só Ricardo Young (PPS) declarou voto contrário.

A projeto, que agora aguarda sanção ou veto do prefeito Fernando Haddad, impede o que se chama de “venda casa de alimentos, acompanhados de brinquedos”. Venda casada? Até onde sei, isso e outra coisa: “Você só terá o direito de comprar X se, antes, comprar Y”. Quando se estabelece um determinado preço por um produto, ainda que ele comporte mais de um item, não há venda casada nenhuma! Fosse assim, seria preciso proibir os programas de televendas. Por quê? Se você adquirir uma escada multifuncional que costura, chuleia, caseia, prega botão e prevê o futuro, ganha não sei quantos outros badulaques “inteiramente grátis”. É venda casada?

É impressionante! Para começo de conversa, trata-se de uma lei escancaradamente inconstitucional. Só leis federais podem proibir a venda de produtos. A cidade de São Paulo não é um território autônomo. Não se pode, por aqui, cassar um direito — o de comprar Kinder Ovo ou o que seja do gênero — garantido a brasileiros outros que estejam fora das fronteiras do município. É ridículo! É bocó! É autoritário!

Não é a primeira vez que políticos e ONGs decidem “proteger as criancinhas”, tomando o lugar e a função que cabem aos seus respectivos pais e mães. Quem é o sr. Arselino Tatto — ou os vereadores de São Paulo — para decidir o que devo comprar ou não para os meus filhos? Querem proteger os infantes? Eu posso indicar aos valentes onde encontrar crianças em real situação de risco. Nunca tive notícia, de resto, de ser o Kinder Ovo um chocolate disputado a tapa por crianças. Se não é o mais vendido, e não deve ser, sem mesmo se pode fazer a ilação de que o brinquedo que o recheia seja um atrativo superior ao apelo de outras marcas. Ainda que liderasse o ranking, não estaria, por si, demonstrada a associação perversa.

No ano passado, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou dois projetos com propostas do gênero: um restringia a propaganda nos alimentos pobres em nutrientes, e outro proibia os brindes. O governador Geraldo Alckmin fez o certo e vetou os dois: o primeiro, em janeiro, e outro, em março. Por quê? Independentemente do mérito, a a regulação da propaganda é de competência federal. O Artigo 220 da Constituição é claro como a luz do dia — reproduzo em azul:

A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
(…)
§ 3º – Compete à lei federal:
I – regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;
II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
§ 4º – A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.

Onguismo doidivanas
A tentativa de proibir propaganda de alimentos “não saudáveis” e os brindes tem uma patrocinadora poderosa: uma ONG chamada Instituto Alana, que se propõe a defender os direitos da criança. Se há coisa que não falta no país, como se sabe, é infante maltratado. A Alana, no entanto, não parece especialmente preocupada com a criança de rua, com a precariedade das escolas, com o trabalho infantil e tal. Nada disso! Sua obsessão é impedir que o capitalismo perverta a mente dos inocentes, incitando-os ao consumo irresponsável, o que poderia ser prejudicial à sua saúde. Huuummm…

A entidade está há muito tempo numa cruzada que busca, vejam que mimo!, proibir a veiculação de publicidade de alimentos “pobres em nutrientes e com alto teor de açúcar, gorduras saturadas ou sódio no rádio e na TV” entre as 6h e as 21h. Só isso! Assim, nesse intervalo, só poderiam ser veiculados anúncios de espinafre, abobrinha, ricota e, creio, óleo de fígado de bacalhau, que me rendeu, na infância, golfadas épicas. Eu tinha bronquite, e alguém assegurou que a Emulsão Scott “fortalecia os pulmões”… O rótulo continua o mesmo. É o único bacalhau com cabeça que se conhece no mundo…

Mas atenção! Nada de dar um brinquedinho para estimular a criança a tomar aquele troço. A Alana também é contra porque seria antiético associar o regalo ao alimento. Essa história da colher de mingau com “olha o aviãozinho”, leitor amigo, é uma forma de perverter as crianças. A estupidez inconstitucional chega agora à Câmara dos Vereadores.

Eu tenho a solução
Eu tenho a solução. O Kinder Ovo para de rechear seus ovinhos com brinquedos. No lugar, a gente coloca trechos dos diários de Che Guevara e lições de Gramática Alternativa da dupla Lula & Dilma. O que lhes parece “no que se refere” a uma propaganda “menas” perversa?

Há uma área na periferia de São Paulo de tal sorte dominada pela Família Tatto que é conhecida, imaginem vocês, como “Tattolândia”. Pelo visto, ele quer estender esse particularismo a toda a cidade de São Paulo.

Se Haddad não vetar essa aberração, a questão irá parar no Supremo, e, é claro, a restrição será derrubada.

Temos aí MAIS UM CASO de político burro tomando as dores de ONGs inúteis que baseiam sua patética existência no estrume intelectual chamado de “politicamente correto” e apresentando uma proposta de lei que trata os cidadãos como idiotas. Essa idéia maluca, imbecil mesmo, limita (de forma ilegal) as liberdades não apenas de quem vende/fabrica produtos e serviços, mas também do consumidor.

Essa mentalidade da esquerda, que teima em tratar pessoas como gado, é velha. Ultrapassada. Reacionária. Obsoleta. Ridícula.

E, pior, trata-se de algo cumulativo: aos poucos, as liberdades individuais vão sendo proibidas e criminalizadas (veja-se o caso de outra lei RIDÍCULA, recentemente aprovada, a tal “lei da palmada”, por exemplo), e transfere-se ao Estado o poder de decisão sobre coisas banais do dia-a-dia.

Um prato cheio para gente que admira Stálin, Hitler, Mussolini, Pol-Pot, Chávez, Fidel et caterva.

Não adianta jogar a culpa nos políticos que apresentam projetos e propostas ridículas. Eles foram eleitos por voto direto. Quem elegeu Haddad e Tatto que se responsabilize pela cagada!

Que fique o registro: consta do documento produzido após o Encontro Nacional do PT em maio de 2014 (download AQUI) esta belezinha:

2014-07-01 23.38.37

Eu pago uma caixa de Kinder Ovo (enquanto não for proibido) a quem for capaz de citar 3 países que adotaram o tal “socialismo radicalmente democrático”.

Não existe. Simplesmente porque “socialismo democrático” é como “chuva seca” ou “Sol frio” ou “Dilma inteligente”.

2014-05-24 14.44.58

Politicamente correto enfiado no rabo

Excelente vídeo, com um discurso que literalmente enfiou o politicamente correto no rabo da fofinha:

http://www.youtube.com/watch?v=kC1KezfpHDw

Apenas para deixar claro: o chamado “politicamente correto” é o apoio dos ignorantes e intelectualmente despreparados; tornou-se o grande muro de arrimo de imensa maioria da esquerda paternalista (perdão pelo pleonasmo) que não tem capacidade de fazer e precisa, pois, chupar o Estado e os demais cidadãos.

Fica o registro desse artigo brilhante de João Pereira Coutinho publicado na Folha:

O mundo é dos bárbaros

O Muro de Berlim caiu há 25 anos e alguns lunáticos acreditaram genuinamente que o mundo chegara ao “fim da História”. Francis Fukuyama foi apenas um deles: com o descrédito do comunismo, só restava ao mundo a solução demo-liberal.

Poucos anos depois dessa proclamação pseudo-hegeliana, dois aviões rebentavam com as Twin Towers de Nova York.
E hoje, ano da graça de 2014, o Iraque está a ser devorado, pedaço a pedaço, por aquele grupo terrorista (a Al Qaeda) que toda a gente declarava morto e enterrado. Moral da história? A história não tem moral. Nem fim.

Mas há uma consequência da Queda do Muro que faz parte da história intelectual do nosso tempo: a emergência do pensamento politicamente correto nas pocilgas acadêmicas e editoriais.
Calma, povo: o pensamento politicamente correto é anterior a 1989. Para sermos rigorosos, começou com a ambição respeitável de garantir condições de igualdade a minorias várias que eram objetivamente destratadas pelo Estado.

A luta pelos direitos civis na América segregacionista de meados do século 20 foi uma luta politicamente correta. Em vários sentidos da palavra.
O problema é que situações de discriminação objetiva foram substituídas por delírios linguísticos que ganharam força de dogma depois de 1989. Porquê depois de 1989? Porque com a morte do comunismo não morreu a sua ideia motriz: a ideia de que a humanidade se define pela luta perpétua entre exploradores e explorados.

E se o proletariado já não era o explorado da situação –nas ruas de Berlim ou de Bucareste o proletariado desprezava o “materialismo histórico” e desejava ardentemente os confortos do mundo capitalista– então era preciso encontrar novas vítimas. E elas foram encontradas: os negros, as mulheres, os gays, os anões –a lista é infinda.

E, com essa lista, vieram as patrulhas: gente que copia os piores vícios dos velhos inquisidores, procurando sinais de corrupção onde eles nem sequer existem.

Por isso merece leitura obrigatória o texto publicado nesta Folha (“Tolerância intolerante”, 15/6/2014) de Luís Pereira e Sílvio Pera. São dois professores de pré-vestibular que analisam o “neofundamentalismo politicamente correto” que hoje existe nas escolas.

Exemplos? Pereira e Pera contam esse: um professor dissertava na aula sobre a inferioridade da mulher na sociedade patriarcal do Ocidente. Não vou perder tempo com a natureza anacrônica da expressão “sociedade patriarcal”. O que interessa é que o professor até admitiu que a história que existe nos livros é, sem grandes exceções, uma “história masculina”.

Foi o que bastou para que uma aluna apenas escutasse “história masculina” (fora do contexto) e pulasse de indignação contra o professor “machista”.

Nada disso me espanta. Anos atrás, ainda como aluno, um professor de Filosofia explicava pacientemente que, ao contrário da caricatura habitual, Sócrates até tinha uma opinião moderada sobre as mulheres (coisa rara entre os seus pares), apesar de as considerar seres intelectualmente inferiores.

A falange feminista abandonou ruidosamente a sala. Seguiu-se uma queixa contra o professor.
O professor não se atemorizou. Solidário com a luta das alunas, propôs que todos lavrassem em conjunto uma queixa contra Sócrates, o verdadeiro responsável pelo insulto. Até sugeriu um título: “O Julgamento de Sócrates”.

As alunas, com o sentido de humor que as cabeças politicamente corretas normalmente têm, consideraram a sugestão um novo insulto. E resolveram apresentar os seus argumentos no carro do professor –com tinta, pregos e vidraças quebradas.

O professor, em idade de pré-aposentadoria, resolveu tratar da burocracia mais cedo. Aos bárbaros o que é dos bárbaros, disse ele.

Ou, pelo menos, eu quero muito acreditar que sim.

Ecochatos: malucos ou burros?

O blog andou prejudicado por problemas técnicos (meu HD fritou, e tive que me equilibrar até comprar um novo, recuperar backup, reconfigurar tudo etc), mas isso não me impediu de dar uma checada nas coisas, apenas não tive tempo de escrever posts novos.

E durante esta interrupção do meu fluxo normal de trabalho recebi um e-mail através do formulário de contato, que reproduzo (e comento) a seguir.

Meu nome é XXXXX e faço parte da equipe Gesto Verde, uma campanha sem fins lucrativos promovida pelo XXXXX, uma startup que visa promover a sustentabilidade através do meio digital.
Conhecendo um pouco do site Blog do Munhoz percebi que temos muito em comum, afinal de contas, ambos buscamos o melhor, seja para o nosso leitor ou para o mundo.

Cara, não minta. Você não conheceu nada do meu blog.
Se tivesse lido o que eu penso (e escrevo) sobre sustentabilidade e outros modismos toscos, irritantes, burros e sem sentido jamais teria me enviado essa mensagem.

E por conta disso gostaria de lhe contar uma coisa: Você sabia que um blog produz quase 3,6 kg de dióxido de carbono por ano?

O meu blog deve produzir mais, pois como muita carne – adoro um churrasco, picanha, cupim, filé mignon etc…
A propósito: “por conta” virou o novo “vou estar encaminhando” – quem não tem conteúdo relevante recorre ao jargão apenas porque todo mundo está usando.

É por isso que a Gesto Verde lançou o desafio inicial de plantar 500 árvores em prol da diminuição do impactado ambiental gerado pela sociedade e após conquistar a parceria de 500 sites/blogs a Gesto Verde lança um desafio ainda maior: plantar 1.000 árvores nativas no Brasil, e para isso precisamos da participação de 1.000 sites/blogs, sendo que cada post sobre a campanha é revertido em uma árvore plantada pelo IBF.
Além disso a divulgação do gesto promove mais plantios, por isso o post informativo é o método ideal para instruir os seus leitores sobre esse gesto tão simples e promotor do meio ambiente que o Guiato está proposta a realizar pela sociedade.
Para participar são apenas 2 passos simples:
Escrever um pequeno post no seu blog sobre o tema “Meu blog é neutro em carbono” e inserir uma chamada no final para outras pessoas participarem. A nossa sugestão de chamada é: “Meu Blog é neutro em CO2, neutralize o seu também. Saiba como.”

Esse truque de finalizar o slogan com “SAIBA COMO” ficou bem desgastado graças à Herbalife. Vocês não tem originalidade, não ?!

Enviar um email para XXXXX@XXXXX.com.br
E nós da campanha Gesto Verde promovida pelo Guiato plantamos uma árvore para o seu blog na Floresta Gesto Verde! Após a publicação, por favor, entre em contato conosco enviando o link do post, para que possamos contabilizar a sua participação.
Para se mantar atualizado sobre a campanha não deixe de nos seguir no twitter. Venha conferir todos os novos parceiros e receber todos as novidades sobre nós. @XXXXX
Contamos com a sua colaboração e estamos abertos a sugestões.

A redação me deixou confuso em diversos trechos, mas não importa: obviamente eu jamais aderiria a uma campanha babaca calcada na maldita “sustentabilidade” que ninguém sabe exatamente o que é, mas quer defender/promover.

Quer uma sugestão? Plante suas árvores se você quiser, não me importa. Só não venha encher o meu saco.

Obrigado.

veggie 3

Os ignorantes voltam a atacar: o “politicamente correto” e seus xiitas-chaatos

Em condições normais de temperatura e pressão, eu jamais teria lido o texto abaixo. Foi publicado em uma daquelas revistas do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), o grupo das publicações (revistas, jornais, sites etc) que recebem dinheiro do governo para defender qualquer cagada do PT e seus aliados, amigos, cumpanheiros, quadrilheiros, mensaleiros, ladrões e assassinos de estimação etc.

Contudo, recebi o link e fui verificar.

Primeiro, o texto, com grifos meus. Comento na sequência.

Diversas organizações civis, que representam as mais diversas causas, protocolaram na sexta-feira (4) carta em que manifestam indignação por campanha veiculada pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e pedem a retirada dos comerciais do ar. Conforme entendimento das entidades, a campanha não trata com seriedade as demandas de alguns grupos sociais. Os vídeos “palhaço” e “feijoada” são abusivos por disseminar informações incorretas, ridicularizar e desqualificar as reclamações dos consumidores.

Os signatários esperam que o órgão reconheça seu equívoco e sinalize uma possibilidade de diálogo com a sociedade. As entidades encaminharam o documento ao Conselho de Ética do Conar para que ele “cumpra com o seu papel de atuar de maneira atenta às demandas do cidadão, com eficiência e respeito”.

Em trecho da carta, as organizações enfatizam que o Conar intitula-se, nessas propagandas, como o responsável por coibir abusos na publicidade, quando, na verdade, esse poder é bastante restrito. A associação civil, formada por empresários e representantes de agências de publicidade, pode apenas recomendar alterações ou suspensões de campanhas que ainda estiverem no ar.

Segundo as entidades, cabe ao Sistema Nacional de Defesa do Consumidor impor sanções mais efetivas quando há o desrespeito ao consumidor, com a aplicação de multas ou a determinação de uma contrapropaganda, por exemplo. Os vídeos omitem ainda que a publicidade é regulada por lei, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), junto com a Constituição Federal.

Conforme o artigo 37, § 2° do CDC, “é abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”.

Primeiro, eu adoro quando leio “diversas organizações civis, que representam as mais diversas causas”. Isso já indica uma probabilidade de 99% de que se trata dos “ongueiros” e outros seres semi-humanos com QI equivalente ao de ostras em coma, congeladas em nitrogênio mas sem possibilidade de gerar qualquer benefício à humanidade.

Segundo, com relação às “demandas” dos ongueiros indignadinhos: eles querem que o CONAR reconheça que errou e “sinalize uma possibilidade de diálogo com a sociedade“. Na verdade, esses grupelhos de inúteis adoradores do “politicamente correto” estão se lixando para a sociedade. Eles querem é que o CONAR obedeça a eles, xiitas-chaatos do politicamente correto.
Eles se acham os donos da verdade, e adoram falar em nome da sociedade – ainda que a sociedade discorde deles ou sequer saiba de sua inútil, fétida e frustrada existência.
O CONAR já cometeu diversos erros em sua história, e eu mesmo, aqui no blog, já critiquei diversas vezes o órgão. Porém, os 2 vídeos que geraram as críticas desses ongueiros desocupados xiitas-chaatos estão corretíssimos! Ei-los:

Ambos os vídeos são bem bolados, com humor, e expõem de forma clara o quão patéticas são as reclamações feitas por esses xiitas do politicamente correto.

Isso me lembra de um excelente artigo do Guilherme Fiúza, publicado há algum tempo na Época:

Os brasileiros, esses crédulos, achavam que o governo popular parasitário do PT jamais alcançaria os padrões de cara de pau do chavismo. Quando o governo venezuelano explicou que estava faltando papel higiênico no país porque o povo estava comendo mais, os brasileiros pensaram: não, a esse nível de ofensa à inteligência nacional os petistas não vão chegar. Mas o Brasil subestimou a capacidade de empulhação do consórcio Lula-Dilma. E o fenômeno dos rolezinhos veio mostrar que o céu é o limite para a demagogia dos oprimidos profissionais.

A parte não anestesiada do Brasil está brincando de achar que o populismo vampiresco do PT não faz tão mal assim. E dessa forma permite que a presidente da República passe o ano inteiro convocando cadeia obrigatória de rádio e TV. Como no mais tosco chavismo, Dilma governa lendo teleprompter. Fala diretamente ao povo, recitando os contos de fadas que o Estado-Maior do marketing petista redige para ela. Propaganda populista na veia, e gratuita, sem precisar incomodar Marcos Valério nenhum para pagar a conta.

Só mesmo numa república de bananas inteiramente subjugada é possível um escárnio desses. O recurso dos pronunciamentos oficiais do chefe da nação existe para situações especiais, nas quais haja uma comunicação de Estado de alta relevância (ou urgência) a fazer. Dilma aparece na televisão até para se despedir do ano velho e saudar o ano novo – ou melhor, usa esse pretexto para desovar as verdades de laboratório de seus tutores. Mas agora, com a epidemia dos rolezinhos, o canal oficial da demagogia está ligado 24 horas.

Eles não se importam de proclamar na telinha que a economia está indo de vento em popa, com os números da inflação de 2013 estourando a previsão e gargalhando por trás da TV. Mas a carona nos rolezinhos é muito mais simples. Basta escalar meia dúzia de plantonistas da bondade para dizer que as minorias têm direito à inclusão no mundo capitalista – e correr para o abraço. Não se pode esquecer que o esquema petista vive das fábulas dos coitados. Delúbio Soares, hoje condenado e preso por corrupção, disse que o mensalão era “uma conspiração da direita contra o governo popular”.

O rolezinho é um ato de justiça social, assim como o papel higiênico acabou porque os venezuelanos comeram muito. E a desenvoltura dos hipócritas do governo popular no caso das invasões de shoppings está blindada, porque a burguesia covarde e culpada é presa fácil para o sofisma politicamente correto. Os comerciantes dos shoppings, lesados pela queda do consumo e até por furtos dos jovens justiceiros sociais, estão falando fininho. Estão sendo aviltados por uma brutalidade em pele de cordeiro, por uma arruaça fantasiada de expressão democrática, e têm medo de fazer cumprir a lei.

A ministra dos Direitos Humanos, como sempre, apareceu como destaque no desfile da demagogia petista. Maria do Rosário defendeu os rolezinhos nos shoppings e “o direito de ir e vir dessa juventude”.

A ministra está convidada a passear num shopping onde esteja acontecendo o ir e vir de 3 mil integrantes dessa juventude. Para provar que suas convicções não são oportunismo ideológico, Maria do Rosário deverá marcar sua próxima sessão de cinema ou seu próximo lanche com a família num shopping center invadido por milhares de revolucionários do Facebook, protegidos seus. Se precisar trocar as lentes de seus óculos, Maria do Rosário está convidada a se dirigir à ótica num shopping que esteja socialmente ocupado por um rolezinho.

Se a multidão não permitir que a ministra chegue até a ótica, ou se a ótica estiver fechada por causa do risco de assalto, depredação ou pela falta de clientes, a ministra deverá voltar para casa com as lentes velhas mesmo. E feliz da vida, por não ter de enxergar seu próprio cinismo socialista.

Shoppings fechados em São Paulo e no Rio por causa dos rolezinhos são a apoteose da igualdade (na versão dos companheiros): todos igualmente privados do lazer, todos juntos impedidos de consumir cultura, bens e serviços num espaço destinado a isso. É a maravilhosa utopia do nivelamento por baixo. O jeito será importar shoppings cubanos – que vêm sem nada dentro, portanto são perfeitos para rolezinhos.

Essa modinha chata, burrísima e impertigada do politicamente correto é uma praga. E o Brasil está mergulhado nela. Recomendo fortemente a leitura deste artigo AQUI.

Neste caso específico, parabéns ao CONAR e parabéns à AlmapBBDO pelas 2 peças.

Os equívocos da campanha #NãoMereçoSerEstuprada

Já começo reproduzindo matéria da Folha de hoje (íntegra aqui), com alguns grifos meus:

Desde que o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) assumiu, na última sexta-feira, um erro na pesquisa sobre violência contra mulher, houve um revés na campanha antiestupro difundida pelas redes sociais. Após o instituto corrigir de 65% para 26% a proporção de brasileiros que apoiam ataques a mulheres que mostram o corpo, a média diária de sites denunciados por incitação ao estupro diminuiu 98%, mostram dados da Safernet fornecidos à Folha.

A ONG monitora crimes e violações aos direitos humanos na internet em cooperação com o Ministério Público e a Polícia Federal. Nos nove dias entre a divulgação da pesquisa, em 27 de março, e a da errata, a organização recebeu 4.872 denúncias de sites pró-estupro, seis vezes mais do que o restante do mês de março. Nos últimos três dias, porém, quando o erro da pesquisa já era conhecido, a ONG recebeu só 31 queixas.

Thiago Tavares, presidente da Safernet, considera que apesar do equívoco “absurdo” do Ipea, a sociedade não deve menosprezar que um quarto dos brasileiros acha que mulheres merecem ser atacadas por seu modo de vestir. “Saímos do inacreditável [65%] para o inaceitável [26%]. A população precisa se conscientizar da necessidade de denunciar esses crimes e seus agressores” diz.

Para a especialista em pesquisas de opinião Fátima Pacheco Jordão, o erro numérico é secundário diante da repercussão da pesquisa. “A reação mostra que a sociedade e, em especial, as mulheres não acham que o problema é individual, mas sim estrutural, o que é passo muito importante para pararmos de culpabilizar as vítimas de estupro”, afirma.

Ativistas do #NãoMereçoSerEstuprada prometem continuar o movimento, que incentiva mulheres e homens a postarem fotos nas redes sociais com a mensagem da campanha. “Não tem errata que tire das mulheres o debate que se abriu. Ele continua, com as várias manifestações marcadas pelo país”, diz Nana Queiroz, criadora do movimento.

Eu não sei se estas pessoas ouvidas pela reportagem (Thiago Tavares, Fátima Pacheco Jordão, Nana Queiroz) são apenas burras, ou se estão falando essas bobagens por má-fé.

Quem menciona os números da pesquisa equivocada do IPEA e se refere aos tais 26% só pode ser muito (MUITO) burro, ou agir de má-fé. Não parece haver uma terceira via.

A pesquisa do IPEA estava TOTALMENTE ERRADA.

Totalmente.

Não sobra uma única vírgula daquela pesquisa que não merece a lata do lixo.

O ilustre Thiago Tavares, por exemplo: a reportagem escreveu que ele considera que apesar do equívoco “absurdo” do Ipea, a sociedade não deve menosprezar que um quarto dos brasileiros acha que mulheres merecem ser atacadas por seu modo de vestir. ‘Saímos do inacreditável [65%] para o inaceitável [26%]. A população precisa se conscientizar da necessidade de denunciar esses crimes e seus agressores’ diz”. Não, caro Thiago. Não é nada disso.

Deixa eu explicar de forma didática pra você.

O IPEA não perguntou se uma mulher DEVE/MERECE ser ESTUPRADA por causa das roupas que ela usa. A pergunta foi mal feita, e, portanto, é incapaz de auferir qual o percentual da amostra que concorda com essa afirmação. Esses 26% não significam NADA.

ENTENDEU OU DEVO DESENHAR?

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Como se não bastasse, o IPEA errou miseravelmente no cálculo da amostra.

NENHUM número produzido por esta pesquisa ridícula pode ser usado para generalizar qualquer conclusão sobre a população brasileira como um todo.

Como a dona Fátima Pacheco Jordão enfiou um “culpabilizar” na sua declaração, nem vou perder tempo comentando. Uma palavrinha dessas já demostra o nível intelectual (zero) da pessoa. Pior: foi caracterizada como “especialista em pesquisa de opinião” – mas está lá, “comentando” uma pesquisa furada.

Por seu turno, a terceira citação, da dona Nana Queiroz, é apenas inócua, vazia. Ela tem todo o direito de fazer a campanha que ela quiser enquanto (ainda) vivemos numa democracia (a despeito do PT). Isso não significa, todavia, que este movimento tenha QI acima de 2.

Estupro é crime, e deve ser punido sempre, no máximo rigor da lei.

Mas a campanha da dona Nana é burra. Não apenas por apoiar-se em premissas totalmente erradas (a equivocada e furadíssima pesquisa do IPEA), mas por não promover nada de novo. Dizer que a mulher não tem culpa pelo estupro é enaltecer o óbvio. É como dizer que o Sol é quente, que a chuva é molhada, que o PT é corruPTo ou que a Dilma é incomPTente.

E daí?

Finalmente, o mais importante. A tema central da reportagem é a queda das denúncias feitas à ONG.

Dizer que as denúncias deixaram de ser feitas POR CAUSA da correção da pesquisa do IPEA? A questão é que a pesquisa perdeu completamente a credibilidade (exceto para os muito muito burros ou para os de má-fé), e, com isso, muita gente que estava impressionada com os números “alarmantes” recobrou o bom senso.

Assim que foi divulgada a pesquisa do IPEA, houve histeria em massa. Depois, quando ficou demonstrado que estava tudo errado, as pessoas voltaram ao normal.

Mais uma razão pela qual a tal campanha da dona Nana é burra – porque apoiada num factóide derivado da histeria coletiva.

Leituras do fim de semana: marketing

Deixei algumas leituras se acumularem, e o fim de semana apresenta uma chance de tentar diminuir o déficit.

A primeira é esta. Uma dissertação de mestrado (intitulada “Comportamento do consumidor: um estudo de decisão de compra de artigos esportivos“) que comecei a ler ontem e não me parece nem interessante e nem bem escrita – muito pelo contrário.

Até agora, só o que vi foram clichês e mais clichês, muito embromation e pouco conteúdo relevante. E me assusta que o nível da redação dos trabalhos acadêmicos está cada dia mais baixo – quase rasteiro mesmo. Aliás, sempre que leio algum trabalho/texto que trata do (inexistente) “marketing esportivo”, é isso que encontro: embromation, fontes duvidosas e redação ruim. Será coincidência? Acho que não.

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O segundo item da lista é este, uma tese de doutoramento (então, esperemos que esteja melhor mesmo) intitulada “Internacionalização e marketing: fatores de influência na decisão sobre customização de produtos“. Ainda não comecei a leitura mesmo, mas bati o olho na estrutura, referências e objetivos/resumo. Me parece bem mais interessante do que o item anterior. As empresas escolhidas para os estudos de casos deste trabalho me parecem apropriadas. Então, se o trabalho como um todo estiver ruim (me parece que não está), só pelos estudos de casos já vale a leitura!

Bem provável que eu largue o primeiro texto inacabado e pule direto para o segundo…

 

Finalmente, para sair do escopo de textos “acadêmicos”, recomendo a leitura desta entrevista com o grande designer da Apple, Jonathan Ive. Excelente leitura!

A ética das baratas

Uma das razões pelas quais leio Luiz Felipe Pondé SEMPRE: ele não tem medo de apontar os ridículos dos “politicamente corretos” e da esquerdinha de iPhone que infestou o Brasil. Eis (mais) um texto genial dele:

A ética das baratas

As pessoas têm crenças desde a pré-história. Nossa constituição frágil é uma das razões para tal. Hoje, cercados de luxo e levados a condição de mimados que somos, até esquecemos que há anos atrás mais da metade de nossas mulheres morriam de parto. Elas viviam por conta de ficarem grávidas e pronto. Hoje existe essa coisa de “escolha”, profissão, filhos depois da pós, direitos iguais, ar-condicionado, reposição hormonal, bolsa Prada.

Esquecemos que direitos e escolhas são produtos mais caros do que bolsa Prada.Pensamos que brotam em árvores.

Mas existem crenças mais frágeis do que outras, algumas que beiram o ridículo. E algumas delas até recebem bênçãos de filósofos chiques.

Em 1975, o filósofo utilitarista australiano Peter Singer publicou um livro chamado “Animal Liberation”, que deixou o mundo de boca aberta.

Para Singer, “bicho é gente” (porque também sente dor). A partir daí, ele encampou toda uma gama de militantes que gostaria de tornar a alimentação carnívora um crime como o canibalismo.

Achar que se pode comer animais se basearia no preconceito de que os animais seriam “seres inferiores”, daí o conceito de “especismo” como análogo ao de “racismo”, o conhecido preconceito contra certas raças que foram consideradas inferiores no passado.

Tudo bem a ideia de que devemos tratar os animais com respeito e carinho e sem maus-tratos (eu pessoalmente gosto mais dos meus cachorros do que de muitas pessoas que conheço, e um deles é mais inteligente do que muita gente por aí), mas esta discussão quando toca as praias dos fanáticos puristas (essa praga que antes era limitada a crente religioso, mas hoje também se caracteriza por ser um ingrediente do fanatismo sem Deus de nossa época) é de encher o saco. Se um dia eles forem maioria, o mundo acaba.

O mundo não sobreviveria a uma praga de pessoas que não usam sapatos de couro porque os considera fruto da opressão capitalista contra os bichinhos inocentes.

Ainda bem que esta “seita verde” tende a passar com a idade, e aqueles que ainda permanecem nessa depois de mais velhos ou são hippies velhos que fazem bijuteria vagabunda em praças vazias (tem coisa mais feia do que um hippie velho?) ou são pessoas com tantos problemas psicológicos que esta pequena mania adolescente até desaparece no meio do resto de seus sofrimentos com a vida real.

Recentemente ouvi uma história hilária: alguém contra matar baratas porque não se deve matar nenhuma forma de vida. Risadas? É bom da próxima vez que alguém te convidar para ir na casa dela você checar se ela defende os direitos das baratas.

Nem Kafka foi tão longe ao apontar o ridículo de um homem que, ao se ver transformado num enorme inseto marrom, se preocupou primeiro com o fato de que iria perder o bonde e por isso perder o emprego.

Eu tenho uma regra na vida: quando alguém é mais ridículo do que alguns personagens do Kafka, eu evito esta pessoa.

Às vezes me pergunto o que faz uma pessoa razoável cair num delírio como esse.Como assim “não se deve matar nenhuma forma de vida”?

A pergunta é: essa moçadinha seguidora de uma mistura de filosofia singeriana aguada e budismo light (com pitadas de delírio) já olhou para natureza a sua volta?

A natureza é a maior destruidora de vidas na face da Terra. Ela mata sem pena fracos, pobres e oprimidos. A natureza é a maior “opressora” da face da Terra. E mais: normalmente essa moçadinha é bem narcisista e muito pouco solidária com gente de carne e osso.

Se todo mundo defender o direito da baratas, um dia vamos acordar com baratas na boca, nos ouvidos, na xícara do café da manhã. A mesma coisa: se não comermos os bois e as vacas, eles vão fazer uma manifestação na Paulista pedindo direito a pastos de graça (“os sem-pastos”) para garantir a sobrevivência de seus milhões de cidadãos bovinos.

Pergunto a esses adoradores de baratas: ele já pensou que as alfaces também sofrem? ela já pensou que quando come uma alface está interrompendo toda uma vida feliz de fotossíntese? Que as alfaces também choram? Malvados e insensíveis…

Exageros linguísticos em propagandas: o limite do ridículo

No fim de semana, ao ler o jornal, percebo que propagandas de lançamentos imobiliários são muito frequentes – numa frequência MUITO superior aos dias de semana.

Ok, isso sempre foi assim. E existem (boas) razões para tanto.

O problema é que algumas propagandas exageram no uso de palavras em outras línguas, especialmente o inglês, e acabam chafurdando no ridículo.

As 3 imagens abaixo são de um mesmo empreendimento imobiliário. Veja os nomes e termos usados:

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O nome do empreendimento: WIN WORK IBIRAPUERA – Offices & Mall. Só mesmo o nome do bairro escapou do uso indiscriminado (e errado!) do inglês.

Aliás, a quantidade de pessoas, no Brasil, que não sabe o significado da palavra MALL deve bater nos 90%.

Vamos à segunda:

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Vemos agora que o empreendimento tem um(a?) “PORTE COCHERE DE ACESSO AO OPEN MALL“.

Ganha um pirulito de jaboticaba (ou um raspberry lollipop) quem conseguir entender o que quiseram dizer com essa expressão tortuosa, que mistura 3 línguas diferentes em meras 7 palavras.

Finalmente, vamos à terceira:

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Uau, o empreendimento tem “BOUTIQUE OFFICES“!!!!!

FANTÁSTICO, NÃO?!

Certamente impressiona – ainda que não se saiba o que viria a ser isso.