O mito da caverna e o mito da classe média terrorista e fascista

O ano era 2007.
Eu escrevi, no meu falecido blog (AQUI) que Marilena Chauí era uma farsante.
Os comentários que foram enviados ao blog são, na maioria, algo entre o hilário e o patético.
Dão, no geral, um verdadeiro tom farsesco. Tem gente se achando séria, mas analfabeta e burra, e tem aqueles mais diretos, assumidamente grotescos, que simplesmente escrevem “Fuck you!”. Sim, está lá no link, o comentário escrito em 08 de março de 2008.
Há outros. Vale a pena dar uma olhada geral.

Hoje, porém, assisti a um vídeo estarrecedor.
Ou revelador apenas, já que eu já tinha a percepção clara e cristalina que a musa do PT na USP é uma senhora esquizofrênica e/ou de um mau caratismo sem paralelo na história do mau caratismo.
Eis o vídeo, curtinho (vale assistir, ao menos para rir da doença mental dessa patética pessoa):

https://onedrive.live.com/redir?resid=cfaaabbf044b422d!225&authkey=!AEK_Vm88HB4aFJM&ithint=video%2cmp4

Complementarmente, recomendo a leitura deste artigo AQUI. Diferentemente do vídeo, o texto é bem longo, detalhado. Mas para quem quiser se divertir, vale a pena.
Eu já disse ao Flávio, mais de uma vez, que certas figuras não merecem o tempo que ele gasta dissecando e espancando as declarações e manifestações patéticas de gentinha da estirpe de Chiauis, Saderes e outras aberrações que só no Brasil são tidas como “intelectuais”.
São pessoas medíocres, no máximo, que falam bobagens homéricas, mas que por razões diversas (algumas das quais, confesso, me recuso a tentar entender) acabam alçadas a “formadores de opinião” ou alguma expressão que o valha.

A questão central, porém, é o conceito de CLASSE MÉDIA.
É disso que quero tratar.

O fato de uma esquizofrênica desqualificada como a Chauí falar esses absurdos sobre a classe média me fez lembrar do problema imenso que o desgoverno do PT causou ao mudar os critérios de classificação das classes sociais.
Para quem não se lembra, a SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos (que tem status de Ministério, como se no Brasil do PT houvesse necessidade de 39 ou 40 ministérios!) foi criada apenas para alojar mais algumas centenas de cumpanheiros, reforçando a estratégia de locupletar-se no poder que o PT sempre teve.

O tempo foi passando, e a tal SAE foi juntando teias de aranha.
Para dizer que a Secretaria tinha alguma função, algum burrocrata resolveu inventar uma mudança nos critérios de classificação das classes sociais. Com isso, instaurou-se uma situação verdadeiramente SURREAL.

Aplicando-se os novos critérios, pessoas com renda familiar per capita entre R$ 290 e R$ 1.019 são as que formam a classe média brasileira.
O sujeito que ganha, mensalmente, R$ 290,00 é classe média???? Como assim?

Com duzentos e noventa reais por mês ele certamente não tem plano de saúde, não consegue pagar escola do filho, e, convenhamos, não consegue nem comprar uma cesta básica! Celular? Só se for parcelado em 20 vezes (ou mais), e aí fica sem dinheiro para comprar crédito.
Esse critério inventado pelo PT é mais do que surreal; trata-se de uma gambiarra acintosa.

O governo desgovernado afirma que esta “nova classe média” representa 54% da população do Brasil – o que significa dizer que a Marilena Chauí ODEIA 54% da população do país! Marilena Chauí afirma que a maioria do Brasil (54%, repito, segundo dados do próprio governo do PT da Marilena Chauí) é arrogante, reacionária, conservadora, ignorante, petulante, terrorista!
A maioria do Brasil é um atraso de vida, segundo Marilena Chauí.
A maioria da população brasileira é fascista (se bem que ela prefere o som de “faxista”, como fica claro no vídeo)

Dá pra entender por que ela é uma farsa. Ou uma farxa.

O pior é que a partir dessa gambiarra da mequetrefe Secretaria de Assuntos Estratégicos, a mídia empolgada (e incapaz de resistir a publicar manchetes falaciosas mas capazes de atrair a atenção) se deixou levar pela bobagem e deu imenso destaque à tal “nova realidade” do Brasil.

E o que as empresas têm a ver com isso?
Muito.

Em primeiro lugar, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) apresentará em breve o Novo Critério de Classificação Econômica Brasil, que estará à disposição do mercado a partir de 1º de janeiro de 2014. Detalhes estão AQUI.
Esses critérios são da maior relevância para que as empresas consigam planejar suas ações de SEGMENTAÇÃO.
Aguardo ansiosamente pela divulgação oficial, para averiguar se o novo documento se deixará levar pela bobagem do factóide ignóbil ou se evoluirá de forma racional e coerente.

Em segundo lugar, há pelo menos 2 anos temos visto, lido e ouvido uma comoção nacional em torno dessa “nova classe média”, como se ela passasse a representar a salvação da economia do país.
Nem vou perder tempo achando links e mais links de matérias de revistas como Exame e outras que têm dado destaque imenso à tal “nova classe média”, primeiro devido à enorme quantidade, e segundo porque o conteúdo das matérias é fraco demais. (Muita quantidade, nenhuma qualidade…)

Quando você parte de um conceito equivocado, tudo o que você conclui dali em diante está furado.
Errou no conceito, errou em todo o resto.
E muita gente se empolgou com essa gambiarra que ajudou a criar o mito da “nova classe média”.
Isso me lembra o mito da caverna, de Platão.

Como o filósofo já demonstrou de forma brilhante, a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, presa ao domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis), mas completamente alhures ao domínio das idéias (diánoia e nóesis).

Aliás, a charge abaixo é simples, mas ilustra perfeitamente isso (clique para ampliar, se preferir):

Se o leitor quiser divertir-se lendo bobagens produzidas pela Secretaria com status de Ministério, originalmente criada para prover uma boquinha ao Sr. Roberto Mangabeira Unger, pode fartar-se AQUI.
Se, por outro lado, o leitor preferir se entreter com o ilusionismo do PT para transformar o fracasso em sucesso, pode rumar para este link AQUI.
Vale conhecer, também, o trabalho do Marcelo Neri, da FGV/RJ, sobre as transformações econômicas e sociais numa pesquisa disponível para download AQUI.

ATUALIZAÇÃO: As patéticas declarações vomitadas pela Marilena Chauí foram tema de alguns textos memoráveis, que definitivamente valem a pena ler. AQUI, por exemplo, uma crítica ao livro da Chauí que é adotado pelo MEC há décadas (e lhe rendeu, em direitos autorais, valores suficientes para classificá-la como “rica” ou “muito rica” sob estes absurdos critérios recém-adotados pelo PT, como aponta corretamente o Reinaldo Azevedo AQUI).
Ao ler alguns textos recentes, fui direcionado a este AQUI, um pouco mais velho (do ano passado), mas ainda assim relevante para contextualizar a situação precária daqueles que ainda chamam Marilena Chauí de “intelectual”. Esta senhora ultrapassou, há tempos, todas as barreiras que separam um ser humano de uma ameba congelada em coma induzido.

Frases BRILHANTES (1)

“A grande maioria de nossas importações vem de fora do país” (descoberta científica!) .

“Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina” (fantástico!) .

“Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos” (gênio!)

“O Holocausto foi um período obsceno na história de nossa Nação. Quer dizer, na história deste século. Mas todos vivemos neste século. Eu não vivi nesse século” (raciocínio surpreendente!)

“Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é estar preparado” (Nobel pra ele, rápido!)

“O futuro será melhor amanhã” (gênio!)

“Nós temos um firme compromisso com a OTAN. Nós fazemos parte dela. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa”

“Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas votaram” (grande!)

“Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possam ocorrer” (coitada da gramática!)

“Para a NASA o espaço ainda é uma alta prioridade” (fenomenal!)

“Não é a poluição que está prejudicando o meio ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso” (a Marina Silva sabe disso?)

“É tempo para a raça humana entrar no sistema solar” (como é que é?)

“Se um cortador de cana tem que trabalhar 60 anos para se aposentar, por que um professor universitário se aposenta com 53?” (presidente Lula, aposentado com 50 anos)

“Não me pergunte o que é ainda, que eu não sei, e não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar, porque o país precisa crescer” (presidente Lula, em novembro de 2006) (Deixa o homem trabalhar!)

“Roberto Marinho não faz outra coisa a não ser mentir para o povo” (Lula, em 1987).

“O Brasil perde um homem que passou a vida acreditando no Brasil. Como dizia nosso amigo Carlito Maia, tem gente que vem ao mundo a passeio. Tem gente que vem ao mundo a serviço. Roberto Marinho foi um homem que veio ao mundo a serviço. Quase um século de vida de serviços prestados à comunicação, à educação e ao futuro do Brasil. À família, aos amigos e aos funcionários das Organizações Globo, rendo as minhas homenagens póstumas. Declaro três dias de luto oficial”. (presidente Lula, em 2003)

“E, para nossa felicidade, muitos companheiros que eram militantes de esquerda na década de 80 estão se transformando em governo. Então, nós passamos a ter uma relação privilegiada com presidentes e com ministros que eram militantes, junto conosco, do Foro de São Paulo, tentando encontrar uma saída democrática para a esquerda na América Latina”. (presidente Lula, em 1 de setembro de 2005, na formatura dos novos diplomatas, no Instituto Rio Branco).

Em 12 de dezembro de 2006, em reunião com a Coordenação de Movimentos Sociais (CUT, MST, UNE, MTST, UBES, CONAM, etc) no Palácio do Planalto, Lula elogiou a obediência na China: “na China é que é bom. Não tem partido, e quando o presidente manda, todo mundo obedece. Aqui, eu mando e nem o PT me obedece” (O Globo, 14 de dezembro de 2006)

“Naquela época, se houvesse eleição, Médici ganhava. E foi no auge da repressão política mesmo, o que a gente chama de período mais duro do regime militar. A popularidade de Médici no meio da classe trabalhadora era muito grande. Ora por que? Porque era uma época de pleno emprego” (Luiz Inácio Lula da Silva depoimento a Ronaldo Costa Couto, in Memória Viva do Regime Militar).

“Essas coisas acontecem. A democracia não é só coisa limpa” (Lula, em comício com Humberto Costa, seu ex-Ministro da Saúde, indiciado por corrupção)

“Se a gente não cumprir, é porque houve fatores extraterrestres que não permitiram que cumpríssemos” (Lula, renovando promessas para um segundo mandato).

“Democracia é bom, mas tem hora” (Lula, referindo-se à expulsão de Paulo de Tarso Venceslau, do PT, por ter denunciado corrupção no partido, revista Isto É, 25 de março de 1998).

“Não sou e nem nunca fui socialista. Como posso ser a favor de um regime no qual quem produzir oito garrafas de cerveja ganhará o mesmo que quem produz dez?” (Lula, revista VEJA, 13 de agosto de 1997).

“Como meu adversário tem 9 minutos no programa eleitoral e eu apenas 3, ele pode mentir 3 vezes mais” (candidato Lula, JB, 15 de setembro de 1994).

“O presidente FHC não tem autoridade moral para criticar os que fazem saques no Nordeste, pois é um saqueador profissional (…) FHC é mentiroso e demagogo” (Lula, em Fortaleza/CE O Globo, 6 de maio de 1998).

“Não tomei Viagra, mas estou com um tesão da porra. Vamos fazer campanha para ganhar” (candidato Lula, 28 de maio de 1998, em Petrolina/PE, O Globo, 29 de maio de 1998).

“Com uma canetada só, vou resolver o problema da reforma agrária no Brasil” (candidato Lula, Folha de São Paulo, 2 de junho de 1998).

“Ele (Celso Daniel) se encontrará com Marighela, Guevara, Paulo Freire, Henfil, Betinho, Chico Mendes, Toninho e os sem terra” (Declaração de Lula sobre a morte do prefeito Celso Daniel, jornal Correio do Povo, Porto Alegre, 16 de janeiro de 2002, página 2).

“Não é um simples comício. É uma aula de pós-graduação de sociologia política” (Lula, no comício em que beijou a mão de Jader Barbalho)

“Não é mérito, mas, pela primeira vez na história da República, a República tem um presidente e um vice-presidente que não têm diploma universitário. Possivelmente, se nós tivéssemos, poderíamos fazer muito mais” (Primeira Leitura 13/09/2003 e Radiobrás).

“Estou vendo aqui companheiros portadores de deficiência física. Estou vendo o Arnaldo Godoy sentado, tentando me olhar, mas ele não pode me olhar porque ele é cego. Estou aqui à tua esquerda, viu, Arnaldo! Agora, você está olhando pra mim…” (Site da Radiobras, 27/06/2003).

“Há males que vêm para bem”. Ao agradecer ao presidente da Rússia pelo apoio que seu país estava dando às investigações do acidente de Alcântara, quando morreram 19 técnicos (Citação reproduzida por vários jornais).

“Tem lei que pega e tem lei que não pega. Essa do Primeiro Emprego não pegou”

“Eu sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta.”(falando no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2004 – Radiobrás da data e vários jornais).

“Um brinde à felicidade do presidente Al Assad”. O presidente sírio não se levantou nem ergueu a taça porque os muçulmanos não ingerem bebidas alcoólicas (Tribuna da Imprensa, 4 de dezembro de 2003)

“Daqui a dois ou três anos possivelmente não estaremos aqui, talvez sejam outros. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa”. Em reunião de Chefes de Estado em Londres, onde o regime é parlamentarista e o mandato do primeiro-ministro não tem prazo para acabar (O Globo, 15/07/2003 e jornais do mundo inteiro)

“Um país que constrói um monumento daquela magnitude tem tudo para ser mais desenvolvido do que é atualmente”. Na Índia, referindo-se ao Taj Mahal, em 29 de janeiro de 2004 (Citado por Miriam Leitão, em O Globo de 01/05/2004)

“O governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil”, na 1ª Conferência Nacional do Esporte, em 17 de junho de 2004 (Folha de São Paulo, 18/07/2004).

“O Atlântico é apenas um rio caudaloso, de praias de areias brancas, que une os dois países”. Falando no Gabão sobre a aproximação entre o Brasil e aquele país (O Estado de São Paulo, 27 de julho de 2004).

“O continente sul-americano e o continente árabe (???) não podem mais, no século XXI, ficar à espera de serem descobertos”. Falando na Síria, em 04 de abril de 2004 (Diário de Notícias, 04 de abril de 2004).

“O Brasil só não faz fronteira com Chile, Equador e Bolívia”. Falando a empresários, em Nova Iorque, no dia 23/06/2004, sem saber que temos 3 mil quilômetros de fronteira com a Bolívia (Revista Veja, 30 de junho de 2004).

“Eu fui agora ao Gabão aprender como é que um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição”. Em conversa com o presidente da Costa Rica, Abel Pacheco, 17/08/2004 (Folha On Line, 22 de agosto de 2004).

“Não tem outro jeito. Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista é porque ela está com problema. Mas se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, também está com problema” (Lula, jornal Zero Hora, 12 de dezembro de 2006).
Considerando a reação negativa dos velhos kamaradas, no dia seguinte Lula disse ter falado por “brincadeira”.

 

 

 

 

A vitória do capitalismo

Graças ao vídeo que mostra a Presidanta falsificando um discurso de 7 de setembro (post anterior), acabei lendo alguns comentários sobre a questão da privatização feita pelo FHC no fim da década de 1990.

Junto com as bobagens de sempre (menção ao livretinho vagabundo “A Privataria Tucana” é uma das bobagens recorrentes, o que é compreensível inclusive pela alarmente quantidade de analfabetos funcionais que temos no Brasil), especialmente em momentos de crise, vejo gente pregando o socialismo como “solução”.

Se essa gente pelo menos soubesse o que é o socialismo, OK. Mas 90% nem faz idéia!
Assustador.

De qualquer forma, reproduzo esta matéria da Ilustríssima de 02/09/2012, tratando de um livro que parece ser muito interessante:

A vitória do capitalismo

Para jornalista, “nenhum outro arranjo social produziu ganhos tão sustentáveis”

DIOGO BERCITO

A lista de piores livros já escritos, para a jornalista americana Sylvia Nasar, autora do best-seller “Uma Mente Brilhante”, inclui “O Capital”, de Karl Marx, ao lado de “Minha Luta”, de Adolf Hitler.

A falta de carinho em relação ao teórico do marxismo resultou do susto que Nasar, com formação em literatura e economia, tomou ao se aprofundar em sua obra. “Venho de um ambiente acadêmico marxista, então fiquei chocada quando percebi que Marx não entendeu conceitos básicos, como a ideia de juros”, diz à Folha, em entrevista por telefone, de Nova York.
Nos últimos anos, Nasar organizou quase dois séculos de historia do pensamento econômico na obra *”A Imaginação Econômica” [trad. Carlos Eugenio Marcondes de Moura, Companhia das Letras, 584 págs., R$ 54,50]*, que chega agora ao Brasil.

O trabalho foi tão extenuante que ela prometeu a si mesma nunca mais escrever outro livro. Os questionamentos sobre Marx, no fim das contas, acabaram se tornando o elemento divertido da pesquisa. “Karl Marx e Friedrich Engels são grandes personagens, cheios de contradições”, ela diz.

Contraditórios ou não, ambos foram, para Nasar, “fios constantes” na narrativa econômica nos dois últimos séculos -parte da mesma tradição que levou às manifestações do estilo “Ocupe Wall Street”, que tomaram as ruas no ano passado para protestar contra o capitalismo.

Mas a acumulação de capital é um dos heróis de “A Imaginação Econômica”. A autora afirma que “nunca houve outro arranjo social que tenha produzido ganhos tão sustentáveis”. Essa é a “grande busca” a respeito da qual o título, em inglês, se referia (“Grand Pursuit”). Em português, sumiu a ideia de uma epopeia rumo a um mundo melhor.

Na entrevista a seguir, Nasar fala sobre o resgate de personagens esquecidos pela historiografia econômica, como Alfred Marshall e Beatrice Potter -e sobre aqueles que, acredita, deveriam ser menos lembrados.

Folha – Uma das ideias por trás de “A Imaginação Econômica” é a de que o capitalismo melhorou o padrão de vida no mundo. Mas temos visto protestos de quem pensa o contrário, como o movimento “Ocupe Wall Street”.
Sylvia Nasar – Não há nada de novo nessas manifestações. Esse tipo de protesto começou ao mesmo tempo em que ocorreu a revolução nos meios de vida, no século 19. Essas críticas, como as encarnadas por Engels e Marx, foram fios constantes nessa narrativa. Isso é paradoxal. Nunca houve um arranjo social e um conjunto de instituições e de práticas que tenham produzido ganhos tão sustentáveis. Isso não apenas no que diz respeito a consumo material -hoje, a maior parte das pessoas pode fazer escolhas.

Por que então o capitalismo é visto por alguns como um mal?

Toda recessão, não importa se severa ou branda, produz questionamentos sobre se estamos realmente fazendo o melhor que podemos. Isso não é ruim. Um dos temas de “A Imaginação Econômica” é que os gênios da economia sempre pensaram que nós poderíamos fazer melhor.
Mas não acho que esses protestos sejam comparáveis às demonstrações de fúria que foram vistas durante a Grande Depressão, nos anos 30. Hoje, há uma rede de proteção muito maior. Muitos países podem proteger a população.

É o caso do Brasil?

Sim. A grande motivação de John Maynard Keynes e Irving Fisher para advogar pela intervenção estatal como modo de limitar a recessão -opondo-se à ideia de Friedrich Hayek e Joseph Schumpeter de deixar a natureza seguir seu curso- era evitar os riscos políticos.
Não é que eles pensassem que a economia não se recuperaria sozinha, mas que as pessoas iriam buscar soluções que tornariam os desastres piores. Na América Latina, o maior risco político sempre foi o populismo. Na Europa Ocidental e na Ásia, o comunismo.

A sra. diria que o socialismo perdeu a batalha como alternativa ideológica?

O que está falido é a ideia de que um sistema controlado pelo governo poderá produzir uma performance econômica superior, uma performance social superior.
Essa grandiosidade, a não ser para um número pequeno de pessoas, está morta por ora. A ideia de que há um modelo único que será seguido por todos para atingir sucesso econômico não é comprovada por evidência empírica.
Mas, se você está falando sobre socialismo como aquele do Estado de bem-estar social, acho que ele está aqui para ficar.

Recentemente você citou “O Capital”, de Marx, como um dos piores livros já escritos.

Eu me diverti enquanto escrevia sobre marxismo. Marx era realmente esperto. Mas, infelizmente, ele nunca entendeu, ou quis entender, a coisa a que ele se dedicava, que era a economia inglesa.
Estudei economia depois de me formar em literatura. Estava em desvantagem. Era tão difícil, para mim, que nunca terminei meu PhD. Mas fiquei chocada quando percebi que Marx não entendeu conceitos básicos, como a ideia de juros. Os erros dele são tão elementares!

As pessoas têm suspeitado da economia como ciência, dizendo que não previu a crise.

Fazemos o melhor em termos de resolver as questões econômicas, e não há uma alternativa real ao pensamento econômico. Não é como na psicologia ou na engenharia, em que teorias competiram por território.

Você disse durante uma entrevista que, se pudesse escolher um livro para o presidente dos EUA ler, seria “A Imaginação Econômica”. Em que essa leitura mudaria a política econômica americana?

Eu disse isso? [Risos] Foi realmente sagaz. Acho que, em tempos de crise, ter liderança é realmente importante.
As políticas de Franklin D. Roosevelt não fizeram nada para terminar com a Grande Depressão. As de Herbert Hoover, idem. As pessoas não sabiam o que fazer. Mas eles exalavam otimismo -não um otimismo ingênuo, de que o céu está limpo, mas a confiança de que, na economia de mercado e na democracia, há fundamento para sermos otimistas.
O que eu gostaria de ver é o presidente dos EUA, seja ele quem for, inspirar esse tipo de confiança. Será útil para as pessoas enxergarem que esse não é o fim do progresso. É um problema solucionável.

Na Europa, a impressão que se tem é de que não há solução.

Me surpreende que ainda haja quem argumente que não fazer nada é melhor do que fazer. Que equilibrar o Orçamento é prioridade máxima. Essa ideia não funcionou nos anos 1930!
As pessoas falam em uma “crise europeia”, mas hoje há coisas como o seguro-desemprego. A crise não está causando o tipo de sofrimento visto na década de 30. Agora, há um grande colchão. Eles [os europeus] são tão ricos! As pessoas têm tempo de pensar no que funciona melhor. Não foi assim nos EUA.
Estive na Polônia, no outono passado. Todas as vitrines, nos shoppings, tinham como alvo o público jovem. Todas tinham descontos para estudantes. Minha filha me perguntou: “Ei, mãe, mas como estudantes conseguem comprar aqui?”

“Uma Mente Brilhante” era sobre uma pessoa. “A Imaginação Econômica”, sobre uma ciência. São abordagens opostas?

Sim. Foi isso o que me deu trabalho. “Uma Mente Brilhante” foi uma tarefa de repórter. Só um jornalista conseguiria fazer. Não havia textos de referência, foram necessárias centenas de entrevistas.

Em “A Imaginação Econômica”, lidei com ideias. Foi como escrever dez biografias diferentes. Organizar tantos personagens e teorias em uma história linear exigiu muito esforço. Não sou uma grande pensadora. Sou boa para os detalhes e para as conexões.


Qual seria o resultado de “A Imaginação Econômica”, se você não fosse jornalista?

Nenhum economista escreveria esse livro. Eles não dedicariam o tempo deles para isso. É preciso ser um generalista. Cada pessoa, cada evento sobre os quais escrevi no livro tem uma indústria de acadêmicos por trás dele.
Acadêmicos não fazem isso, e não deveriam -mas jornalistas podem entrar em um assunto em “estado de ignorância”, confiando na sua habilidade de reunir informações e contar histórias.

Nesse processo, você resgatou personagens esquecidos pelas narrativas tradicionais, como Beatrice Potter e Alfred Marshall.

E Irving Fisher. Quando entrevistei [o economista] Milton Friedman, ele me disse voluntariamente que o maior economista americano do último século foi Fisher. Mas ninguém fora do meio econômico sabe quem ele é. Ele desapareceu do conhecimento popular.
É como Alfred Marshall, que todos tratam como um vitoriano fora da realidade, mas que era muito mais consciente sobre a situação inglesa do que Marx.
Acho isso engraçado. Como é que Marx, o cara que estava errado, terminou como um santo e Marshall, o cara que era realmente uma força criativa, teve suas contribuições minimizadas?

Você esteve ocupada com grandes projetos nos últimos 15 anos. Qual é o impacto na sua vida?

No final de “A Imaginação Econômica”, disse aos meus filhos -se eu disser que vou escrever um livro de novo, por favor peguem uma arma e atirem em mim.
Quando você está fazendo uma reportagem, pode entregar o texto ao editor e aproveitar o fim de semana. Quando escreve um livro, está sempre se sentindo culpado. Ou está trabalhando, ou está evitando trabalhar.
Mas foi bom que eu tenha demorado tanto para escrever esse livro. A única época em que as pessoas se interessam por economia é durante recessões.

O perfil dos eleitores do PT

O vídeo a seguir dispensa comentários:

A entrevistada diz tudo o que se precisa ouvir para compreender porque existem pessoas que afirmam que o Lulla é um Estadista – e há também os mais ousados (ou mal informados), que chegam a dizer que Lulla foi o melhor presidente do Brasil.

O que o Lulla e o PT mais querem é justamente isso: povo ignorante, sem massa crítica. Inclusive por terem este objetivo colocam um tipinho como Fernando Haddad a cargo do ministério da EDUCAÇÃO….

 

A clareza das leis

Cada vez que vejo essa mulher dando uma entrevista, ou explicando qualquer assunto, não sei se choro ou rio:

A clareza de sua fala, a gramática impecável, o raciocínio totalmente lógico e concatenado…. Tudo isso impressiona demais!

O pior é saber que tem gente que afirma que ela é “gerente”……
Um administrador de empresas deveria agir desta forma diante dos acionistas??????

E ela piora a situação quando resolve falar sobre educação:

Um espetáculo!

Alguns trechos (ou “legendas”):
“A CNI tem um processo que é muito interessante di, i qui afina-se com a minha proposta em relação ao ProMédio (programa de bolsas de estudo para alunos de ensino médio e baixa renda, ainda uma ficção), que é combiná o ensino médio com o ensino profissionalizante. Então, no nosso caso, a gente utilizaria, né, as vagas tanto nas escolas, é, nos institutos federais tecnológicos e também de todas as entidades privadas que prestam cursos profissionalizantes. Então a gente compraria vagas e complementaria o ensino técnico com o ensino médio, articulando um no outro. Eles chamam isso de ensino articulado”.

“E outra sugestão muito interessante que eu achei é em pequenas cidades no Amazonas usar o ensino técnico móvel. Seria uma capacitação muito parecida com que nós fazemos no Brasil Profissionalizante, que é, por exemplo, eles operam muito com caminhões ou com ônibus. Ali, a escola chega, eles formam eletricistas. Nós fizemos isso aliás no Luz para Todos. No Luz para Todos faltava eletricista e a gente tinha de formá nos próprios lugares”.

Uma futura PTista

Essa eu li numa lista de discussão, e transcrevo com adaptações, recorrendo ao Jornal Agora (que publicou a notícia inicialmente) e a algumas “colaborações” de membros da lista (WideBiz). Meus comentários vêm depois.

Universitária diz que o direito de ir e vir é barrado pela cobrança de pedágio – 11/09/2007

Entre os diversos trabalhos apresentados em congresso realizado na cidade de Rio Grande (litoral sul do Rio Grande do Sul), um deles causou polêmica entre os participantes. “A Inconstitucionalidade dos Pedágios”, desenvolvido pela aluna do 9º semestre de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) Márcia dos Santos Silva chocou, impressionou e orientou os presentes.

A jovem de 22 anos apresentou o “Direito fundamental de ir e vir” nas estradas do Brasil. Ela, que mora em Pelotas (ao lado de Rio Grande), conta que, para vir a Rio Grande apresentar seu trabalho no congresso, não pagou pedágio e, na volta, faria o mesmo. Causando surpresa nos participantes, ela fundamentou seus atos durante a apresentação.

Márcia explica que na Constituição Federal de 1988, Título II, dos “Direitos e Garantias Fundamentais”, o artigo 5 diz o seguinte: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” .E no inciso XV do artigo: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. A jovem acrescenta que “o direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa dizer que não é possível violar esse direito. E ainda que todo o brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional. O que também quer dizer que o pedágio vai contra a constituição”.

Segundo Márcia, as estradas não são vendáveis. E o que acontece é que concessionárias de pedágios realizam contratos com os governos Estadual ou Federal de investir no melhoramento dessas rodovias e cobram o pedágio para ressarcir os gastos. No entanto, no valor da gasolina é incluído o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), e parte dele é destinado às estradas. “No momento que abasteço meu carro, estou pagando o pedágio. Não é necessário eu pagar novamente. Só quero exercer meu direito, a estrada é um bem público e não é justo eu pagar por um bem que já é meu também”, enfatizou.

A estudante explicou maneiras e mostrou um vídeo que ensinava a passar nos pedágio sem precisar pagar. “Ou você pode passar atrás de algum carro que tenha parado. Ou ainda passa direto. A cancela, que barra os carros é de plástico, não quebra, e quando o carro passa por ali ela abre. Não tem perigo algum e não arranha o carro”, contou ela, que disse fazer isso sempre que viaja.

Após a apresentação, questionamentos não faltaram. Quem assistia ficava curioso em saber se o ato não estaria infringindo alguma lei, se poderia gerar multa, ou ainda se quem fizesse isso não estaria destruindo o patrimônio alheio. As respostas foram claras. Segundo Márcia, juridicamente não há lei que permita a utilização de pedágios em estradas brasileiras. Quanto a ser um patrimônio alheio, o fato, explica ela, é que o pedágio e a cancela estão no meio do caminho onde os carros precisam passar e, até então, ela nunca viu cancelas ou pedágios ficarem danificados.

Márcia também conta que uma vez foi parada pela Polícia Rodoviária, e um guarda disse que iria acompanhá-la para pagar o pedágio. “Eu perguntei ao policial se ele prestava algum serviço para a concessionária ou ao Estado. Afinal, um policial rodoviário trabalha para o Estado ou para o governo Federal e deve cuidar da segurança nas estradas. Já a empresa de pedágios, é privada, ou seja, não tem nada a ver uma coisa com a outra”, acrescentou.

Ela defende ainda que os preços são iguais para pessoas de baixa renda, que possuem carros menores, e para quem tem um poder aquisitivo maior e automóveis melhores, alegando que muita gente não possui condições para gastar tanto com pedágios. Ela garante também que o Estado está negando um direito da sociedade. “Não há o que defender ou explicar. A constituição é clara quando diz que todos nós temos o direito de ir e vir em todas as estradas do território nacional”, concluiu. A estudante apresentou o trabalho de conclusão de curso em novembro de 2007 e forma-se em agosto de 2008. Ela não sabe ainda que área do Direito pretende seguir, mas garante que vai continuar trabalhando e defendendo a causa dos pedágios.

Um dos membros da lista de discussão, Mário Persona, enviou uma resposta impecável, que tomo a liberdade de reproduzir:

O direito de ir e vir não é tolhido pelo pedágio. A estudante poderia fazer o mesmo trajeto a pé sem pagar pedágio, garantindo assim seu direito. Se ela quisesse fazer o trajeto de avião ou de barco, teria de pagar a passagem para usufruir do serviço, ainda que alegasse que o espaço aéreo ou marítimo-fluvial pertencem à União. Neste caso ela poderia ir voando ou nadando, se conseguisse.

Quando morava no Guarujá e estudava em Santos eu atravessava o canal usando a balsa, que era paga. Lá existia uma cancela que sobe e desce e, usando o argumento da moça, eu poderia simplesmente passar direto pela cancela flexível e mergulhar com meu carro no canal, já que ali é território da União, eu pago IPVA e a polícia municipal ou rodoviária não tem jurisdição mar adentro. O pedágio não cobra a circulação pela estrada, mas o uso dos benefícios a ela agregados pela concessionária, uma espécie de balsa para trafegar sobre o mar de buracos da rodovia original. Estou pagando pelo asfalto novo sob os pneus de meu carro e o guincho que irá buscar meu carro em caso de pane.

Minha pergunta a ela seria: em caso de acidente, você se deixaria atender pela ambulância da concessionária ou esperaria chegar um Fiat 147 do SUS adaptado para ambulância com uma lanterna de pilhas no teto? Como disse o Joelmir Beting, já pagávamos o pedágio mais caro do mundo antes de chegarem as concessionárias. Pagávamos em pneus furados, suspensões detonadas, capotamentos e vidas.

Bom, alguns comentários meus, agora.

Esta “brilhante” aluna de Direito tem todas as chances de ser futura Ministra da Justiça do PT. Seus argumentos são, no mínimo, falaciosos, senão apenas falsos. Ou simplesmente burros demais.

Ela parte do pressuposto de que os direitos dos cidadãos vêm “de graça”. Na verdade, direitos pressupõem DEVERES.

Ela tem o DIREITO de circular por estradas em bom estado de conservação, com serviço de auxílio ao usuário, desde que (ex-ante) CUMPRA COM SEUS DEVERES.

Ela quer comprar um carro e circular pelas estradas bem conservadas ? Tem que pagar pedágio, sim. Ou então, pode perfeitamente circular por aquelas estradas que eventualmente têm asfalto – mas, via de regra, são compostas apenas de buracos, terra, lama etc. Em suma, a primeira observação do amigo Mário Persona é perfeita: o pedágio NÃO impede a estudante de ir e vir. O pedágio apenas serve para que ela possa desfrutar das benfeitorias realizadas nas estradas por EMPRESAS PRIVADAS (e que, portanto, visam lucros).

Esta “brilhante” estudante de Direito me parece ter o perfil adequado aos quadros do PT: uma gentalha tosca que faz demagogia barata e tenta enganar apenas os otários mais ignóbeis que não conseguem concatenar 2 idéias para formar um argumento – ainda que simples.

Ela quer que o Estado (União, Estados)  ofereça estradas com bom asfaltamento, segurança e serviços dignos GRATUITAMENTE ?

Ótimo.

Então, ela pode começar a escolher melhor seus candidatos, para eleger Presidente, Governadores, Senadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores que combatam a corrupção, o desvio de verbas, a gastança com cargos públicos (o cabide de empregos do PT, por exemplo) e por aí vai. E, ao fazer isso, torçer para que este perfil de governantes seja mantido por pelo menos 20 anos consecutivos. Ela que batalhe para que o Brasil passe a ter dinheiro suficiente para manter TODAS as estradas em perfeitas condições, e, concomitantemente, não haja nenhum único caso de corrupção envolvendo, por exemplo, construções fantasmas de estradas, pontes e afins (pelas quais o governo paga, geralmente atendendo a “emendas” de deputados corruptos que abocanham o dinheiro da União e rateiam com alguns comparsas – mas a população jamais chega a beneficiar-se).

Porém, enquanto isso não acontece, eu prefiro circular em rodovias pedagiadas que ofereçam segurança, conforto e bem-estar. Ela pode seguir a pé ou de bicicleta (ou de moto), e não terá que pagar pedágio. Mas espero que para manter alguma coerência, rejeite os serviços da Concessionária da estrada caso envolva-se num acidente ou coisa similar.