A conivência da mídia com os escândalos brasileiros – o caso da Copa 2014

O jornalista Carlos Brickmann escreveu um artigo sobre as críticas feitas ultimamente em relação à construção do estádio do Corintians em Itaquera. O texto, na íntegra, está AQUI.

Agora posso tecer meus comentários. Aliás, farei os comentários de forma segmentada, discutindo ponto por ponto as afirmações do jornalista (DESTACADAS EM VERMELHO, seguidas pelas minhas observações).

1) O colega conhece alguém que tenha comprado carro à vista? Deve haver, mas o habitual é comprar a prazo, com financiamento por algum banco. Se alguém compra um carro financiado pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Panamericano, está usando dinheiro público? Não: usa um financiamento disponível no mercado, que será pago no prazo previsto e que, aliás, é o negócio do banco. Se não paga, o comprador responde a processo e pode perder o carro.

Em primeiro lugar, sobre este trecho, é importante esclarecer que o BNDES não pode ser comparado aos bancos comerciais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú etc). Independentemente da diferença no que tange ao controle (público ou privado), o BNDES não é um banco comercial, mas um banco de fomento. Isso faz uma diferença enorme!

Tenho certeza de que o jornalista sabe disso, pois é um homem bem informado. Mas não custa repetir: a função do BNDES não é emprestar dinheiro para comprarmos um carro – ou será que o jornalista conhece alguém que financiou seu carro no BNDES? Eu não conheço.

Quem busca o financiamento de um carro, hoje, paga juros extorsivos, e, caso não consiga honrar todas as parcelas, perde o bem (carro) e tudo o que foi pago. O BNDES, devido à sua natureza, tem um escopo de atuação bastante diverso deste. Vejamos o porquê.

O BNDES, por NÃO ser um banco comercial como o Banco do Brasil, Itaú ou CEF, trabalha de forma diferente daquela que geralmente a população média entende como “banco”. O próprio BNDES, em sua página na internet, informa:

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal, é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental. Desde a sua fundação, em 1952, o BNDES se destaca no apoio à agricultura, indústria, infraestrutura e comércio e serviços, oferecendo condições especiais para micro, pequenas e médias empresas. O Banco também vem implementando linhas de investimentos sociais, direcionados para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano.

O apoio do BNDES se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços. Além disso, o Banco atua no fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e destina financiamentos não reembolsáveis a projetos que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico.

Peço que o leitor repare nos trechos com grifos (meus).

Desta feita, fica claro que a comparação que o jornalista fez, entre o financiamento de um carro (contratado junto a bancos comerciais, que têm entre suas funções precípuas o empréstimo de recursos e respectiva remuneração, com base nos juros cobrados) e o financiamento do estádio (contratado junto ao BNDES, que usa recursos oriundos de diversas fontes PÚBLICAS, entre elas o PIS-PASEP, FMM e FAT) não procede. São duas coisas muito diferentes.

Compará-las seria a mesma coisa que comparar uma briga de vizinhos devido à sujeira causada pela árvore de um deles com a guerra entre israelenses e palestinos. Algo simplesmente descabido. Os recursos do BNDES são, SIM, públicos, e não privados; a questão é que a função do BNDES, estatutariamente, é gerir recursos públicos com o intuito de fomentar o desenvolvimento econômico e social do Brasil (tendo, inclusive, estes termos na sigla BNDES).

O jornalista Carlos Brickmann pode verificar, no estatuto do BNDES, que suas funções diferem e muito daquelas funções dos bancos comerciais. Vou citar apenas alguns trechos do estatuto do BNDES abaixo, mas recomendo aos interessados a leitura da íntegra.

Art. 6º O capital do BNDES é de R$ 29.557.414.708,31 (vinte e nove bilhões, quinhentos e cinquenta e sete milhões, quatrocentos e quatorze mil, setecentos e oito reais e trinta e um centavos), dividido em seis bilhões, duzentos e setenta e três milhões, setecentas e onze mil, quatrocentas e cinquenta e duas ações nominativas, sem valor nominal. (Redação dada pelo Decreto nº 7.407, de 28.12.2010). (NR)
§ 1º O capital do BNDES poderá ser aumentado, por decreto do Poder Executivo, mediante a capitalização de recursos que a União destinar a esse fim, bem assim da reserva de capital constituída nos termos dos arts. 167 e 182, § 2º, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, mediante deliberação do Conselho de Administração.
§ 2º A totalidade das ações que compõem o capital do BNDES é de propriedade da União.
§ 3º Sobre os recursos transferidos pela União destinados a aumento do capital social incidirão encargos financeiros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a partir do recebimento dos créditos até a data da capitalização.
Art. 7º Constituem recursos do BNDES:
I – os de capital, resultantes da conversão, em espécie, de bens e direitos;
II – as receitas operacionais e patrimoniais;
III – os oriundos de operações de crédito, assim entendidos os provenientes de empréstimos e financiamentos obtidos pela entidade;
IV – as doações de qualquer espécie;
V – as dotações que lhe forem consignadas no orçamento da União;
VI – a remuneração que lhe for devida pela aplicação de recursos originários de fundos especiais instituídos pelo Poder Público e destinados a financiar programas e projetos de desenvolvimento econômico e social;
VII – os resultantes de prestação de serviços.
Art. 8º O BNDES, diretamente ou por intermédio de empresas subsidiárias, agentes financeiros ou outras entidades, exercerá atividades bancárias e realizará operações financeiras de qualquer gênero, relacionadas com suas finalidades, competindo-lhe, particularmente:
I – financiar, nos termos do art. 239, § 1º, da Constituição, programas de desenvolvimento econômico, com os recursos do Programa de Integração Social – PIS, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970;
II – promover a aplicação de recursos vinculados ao Fundo de Participação PIS-PASEP, ao Fundo da Marinha Mercante – FMM e a outros fundos especiais instituídos pelo Poder Público, em conformidade com as normas aplicáveis a cada um; e
III – realizar, na qualidade de Secretaria Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento – FND, as atividades operacionais e os serviços administrativos pertinentes àquela autarquia
§ 1º Nas operações de que trata este artigo e em sua contratação, o BNDES poderá atuar como agente da União, de Estados e de Municípios, assim como de entidades autárquicas, empresas públicas, sociedade de economia mista, fundações públicas e organizações privadas.
§ 2º As operações do BNDES observarão as limitações consignadas em seu orçamento global de recursos e dispêndios.

Vamos seguir.
2) Por que, então, o financiamento do BNDES para o estádio que o Corinthians está construindo, em Itaquera, é chamado pelos meios de comunicação de “dinheiro público”? Se o financiamento existe e será pago, não se trata de dinheiro público.
Cabe ao BNDES exigir garantias de pagamento e executá-las se o pagamento não for feito – exatamente como os bancos federais fazem com seus clientes que compram um carro ou pedem crédito para adquirir outros produtos.

Alguém faltou às aulas de LÓGICA e SINTAXE, né?! O trecho “Se o financiamento existe e será pago, não se trata de dinheiro público” é BRILHANTE! Então o que determina se o dinheiro é público ou não é a existência do financiamento, ou então o fato de ser ou não ser pago???? O jeito é ignorar isso e seguir…

Sim, caro Carlos Brickmann, trata-se de dinheiro público. O BNDES empresta dinheiro PÚBLICO, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado (e especialmente menores se tomarmos por base as linhas de crédito disponibilizadas pelos bancos comerciais como Banco do Brasil, Panamericano, Bradesco, Santander, HSBC etc), mas isso tem uma razão: o BNDES apoia financeiramente projetos que tragam benefícios econômicos e sociais ao país, diferentemente dos bancos comerciais, que visam ao lucro. Obviamente, não há nenhuma crítica aqui, nem a estes, nem àquele. É importante, todavia, discernir que há uma diferença.

O dinheiro público é usado no financiamento de projetos relevantes para o desenvolvimento do país: fábricas que gerarão impostos (federais, estaduais e municipais), empregos, patentes, tecnologia etc. Comparar o crédito comercial usado para que as pessoas adquiram carros, eletrodomésticos e outros produtos a empréstimos milionários para fábricas e demais atividades comerciais é inadmissível se a intenção for uma argumentação séria. Não parece ser o caso.

 

3) As arquibancadas que o Governo paulista promete alugar para ampliar a capacidade do estádio são pagas com dinheiro público. Como eram dinheiro público as arquibancadas que a Prefeitura alugava para as corridas de Fórmula 1 em Interlagos; como é dinheiro público o que é gasto na reforma do autódromo, a cada ano. Como era dinheiro público a reforma anual do Autódromo de Jacarepaguá, no Rio, quando lá se realizava o GP Brasil. Como é dinheiro público o subsídio às escolas de samba e o empréstimo dos ônibus que utilizam. É dinheiro público que apóia a Parada Gay, é dinheiro público que dá suporte de infraestrutura e segurança à Marcha para Jesus, é dinheiro público que paga o réveillon.
Dinheiro público, aliás, bem gasto: dá retorno em movimento de comércio, hotelaria, serviços, em turismo, em impostos. Dá lucro, enfim. Autoridades dos mais diversos partidos políticos sempre buscaram atuar na promoção de eventos. Por isso, por reconhecer que o investimento de dinheiro público em eventos é de interesse geral, os meios de comunicação jamais o questionaram. Por que, se o evento é a abertura da Copa do Mundo, passa a ser ruim?

Nestes 2 parágrafos, novamente, o jornalista recorre a comparações descabidas, tentando justificar o injustificável.

Primeiro, porque o autódromo de Interlagos, assim como o de Jacarepaguá, são imóveis que pertencem às prefeituras de SP e do RJ, respectivamente, não são imóveis particulares (como também é imóvel público o Sambódromo de SP, por exemplo). Ao que me consta, a Prefeitura, o BNDES ou mesmo a União não promovem reformas anuais na minha casa, certo? Nem deveriam, afinal, é a MINHA casa, um imóvel particular, e não público.
Por outro lado, quem tem a obrigação de manter os imóveis públicos é…. o poder público! A Prefeitura de SP tem a obrigação de reformar e cuidar da manutenção de praças públicas, do autódromo de Interlagos, do Sambódromo, das ruas, calçadas etc. OBRIGAÇÃO do poder público, percebe?

Segundo, quando são citadas Parada Gay, Marcha para Jesus e Reveillon, trata-se de eventos que o poder público pode patrocinar ou não. Podem ser eventos lucrativos, e, claro, podem fomentar, direta ou indiretamente, o comércio, a hotelaria, serviços etc. Porém, ainda assim, é crucial avaliar a relação custo/benefício.

E é justamente neste quesito que os investimentos Bilionários na Copa do Mundo deveriam ser mais criteriosamente analisados. Não estão sendo. O retorno a ser gerado pela Copa do Mundo tem sido superdimensionado, tudo no afã de justificar investimentos altíssimos.

Conforme eu já demonstrei AQUI, o tão comentado “retorno financeiro” que tem sido citado à exaustão para justificar os bilhões de reais que já estão sendo (e ainda serão) torrados na Copa – e nas Olimpíadas também – NÃO EXISTE. Trata-se de uma falácia.

O Corinthians entregou um estudo FRAUDADO feito pela Accenture e bancado pela Odebrecht à Prefeitura de SP, e de repente o tal estudo (repito: FRAUDADO) virou verdade absoluta; todos mencionam um tal retorno financeiro que será gerado pela Copa, mas ninguém sabe de quanto. “Compraram” a versão vendida pela Accenture/Odebrecht/Corinthians.

Será que o fiasco dos Jogos Pan-Americanos não foram suficientes para o Brasil aprender?

 4) A indústria automobilística brasileira nasceu em meados da década de 50 do século passado. Não há uma única fábrica de automóveis que não tenha se beneficiado de incentivos fiscais. Goiás atraiu empresas que processam produtos alimentícios e se tornou um polo de grandes indústrias químicas oferecendo incentivos fiscais. A Zona Franca de Manaus, a Sudene, a Sudam nasceram com incentivos fiscais. Mas, para os meios de comunicação, que sempre aprovaram esses incentivos, eles passam a ser ruins quando beneficiam uma área menos desenvolvida e mais necessitada de investimentos da capital paulista, a Zona Leste.

Bom, aqui o jornalista Carlos Brickmann parece confundir empréstimo (de recursos públicos) com incentivos fiscais. São coisas diferentes – que, novamente, se confundidas, podem levar a conclusões equivocadas.

Com relação aos incentivos fiscais, eles são uma ferramenta válida quando há interesse de médio e longo prazos como, por exemplo, tecnologia – caso da Zona Franca de Manaus. Não se trata de afirmar que a ZFM deu os resultados imaginados inicialmente – ao menos, não em sua plenitude. Sudam, Sudene e outros casos cabem na mesma situação. Porém, aos trancos e barrancos, a ZFM acabou beneficiando, sim, uma região paupérrima (não em recursos naturais, mas em dinheiro mesmo).

De qualquer forma, a questão central não é esta. O problema não está em oferecer incentivos fiscais para beneficiar uma região pobre (como a Amazônia, ou mesmo a Zona Leste de SP). O problema é COMO isto vai ser feito, A QUE CUSTO, e COM QUAL RETORNO.

A Prefeitura de SP vai oferecer mais de R$ 420 milhões de incentivos fiscais para a construção do estádio em Itaquera. Contudo, o benefício gerado por este estádio é ridiculamente baixo em relação a este montante! É o mesmo que construir uma cerca de R$ 100,00 para proteger/guardar um cavalo que vale R$ 20,00. A relação custo/benefício é claramente desfavorável!

Convenhamos: qual será o benefício PÚBLICO (de interesse público e geral) da construção do estádio?

O benefício PARTICULAR do Corintians é claro – o clube finalmente vai ter um estádio, coisa que não conseguiu construir em mais de 100 anos de existência (nem vem ao caso por quais razões, isso é problema do clube). Porém, o benefício PÚBLICO qual seria? Praticamente nenhum!

 5) Este colunista é corinthiano. Mas não pretende discutir futebol, economia nem política partidária, mas equanimidade. Se incentivo fiscal é bom para o desenvolvimento, não pode ser ruim para o desenvolvimento. Se financiamento de bancos federais está disponível para o público (e até para auxiliar grandes empresários a alcançar suas metas), não pode estar indisponível para o público. Se o dinheiro público pode ser gasto para incrementar o turismo de eventos, não pode ser vedado para incrementar o turismo de eventos.

Eu não sou corintiano.
Eu não sou palmeirense.
Eu não sou são-paulino.
Eu não sou santista.
Eu não monto frases que tentam usar recursos estilísticos que resultem em total falta de senso de lógica.

Mas eu sou contribuinte, cidadão que paga altíssimos impostos. Federais, estaduais e municipais. E também quero discutir (e, mais do que isso, VER) equanimidade.
Se eu quero construir uma casa para mim, tenho que pegar empréstimos a juros altíssimos (os maiores do mundo). Ok, eu não vou gerar milhares de empregos, nem patentes, nem contratar PhDs a peso de ouro, trazendo P&D para o país. Mas vou contratar pedreiros, engenheiro e, quiçá, arquiteto. E vou pagar pesados impostos ao comprar areia, cimento, azulejos, tinta, guarnições, ferragens etc.

Contudo, eu terei que pagar. Se eu não pagar o empréstimo, o banco tomará minha casa.
O mesmo não acontecerá com o estádio do Corintians.

Por exemplo: o terreno aonde está sendo construído o Itaquerão (diga-se que as obras NÃO poderiam começar, uma vez que o terreno está envolvido num imbróglio, mas esse “detalhe” foi tacitamente ignorado, e as obras começaram). Aquele terreno foi cedido ao Corintians, pela Prefeitura de SP. O terreno, contudo, é outra fonte de dúvidas e questionamentos. Cito trechos de uma matéria do jornal O Estado de São Paulo (cuja íntegra pode ser lida aqui) sobre isso:

O imbróglio jurídico que envolve o terreno de 200 mil metros quadrados, cedido pela Prefeitura ao Corinthians em 1988, é de conhecimento do presidente Andrés Sanchez. “Ele (Andrés) veio ao MP em setembro, se reuniu conosco e se mostrou disposto a colaborar. Mas, de repente, foi apresentado à imprensa um estádio num terreno que está sub judice. Até agora não recebemos nenhum projeto. O Corinthians sabe que qualquer obra no local no momento tem impedimento legal”, afirma Freitas. O promotor pede na ação a anulação da concessão da Prefeitura para o Corinthians.
“Quando recebeu o terreno, o clube tinha cinco anos para construir um estádio e não o fez. A Prefeitura também se omitiu de cobrar, mesmo depois de a Câmara Municipal em 2001 ter informado o descumprimento da lei”, argumenta o promotor. Em 2001, moradores de Itaquera apresentaram uma representação aos vereadores da Comissão de Finanças na qual denunciavam que o terreno do Corinthians havia virado um depósito clandestino de lixo e de entulhos. Até hoje a área do terreno, vizinha ao centro de treinamento, é usada como abrigo de restos de materiais de construção e de lixo doméstico.
(…) O juiz Ferraz de Campos declarou ontem que analisa o processo, cuja sentença deve ser emitida nos próximos meses. “Mas podemos analisar um acordo com as duas partes (Prefeitura e Corinthians), com alguma contrapartida para a população ou para o trânsito no entorno. Antes disso, qualquer intervenção que ocorra no terreno será alvo de um pedido de paralisação imediata na Justiça por nossa parte”, acrescentou o promotor de Urbanismo.

LINHA DO TEMPO

HÁ 22 ANOS, ÁREA EM ITAQUERA FOI CONCEDIDA AO CORINTHIANS PARA CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO

1 – 1988 – Lei 10.622 concede a área em Itaquera ao clube por 90 anos, com a construção do estádio em cinco como contrapartida.

2 – 1993 – Passados cinco anos, a única obra feita pelo Corinthians no local em Itaquera foi a construção do Centro de Treinamento.

3 – 2001 – CPI da Câmara pede devolução da área. Diretoria corintiana diz não ter recebido a escritura e promete estádio em 4 anos.

4 – 2005 – Prefeitura ameaça cobrar taxa mensal de R$ 870 mil do clube para seguir com a concessão, mas medida acaba revogada.

5 – 2010 – Em agosto, ao anunciar estádio, Andrés Sanchez desdenha da concessão. “Se eu quiser, esses 90 anos viram 150, 200 anos.”

Portanto, caro jornalista Carlos Brickmann, em nome da equanimidade que você defende, quero que o Corintians, assim como qualquer empresa e/ou pessoa, tenha que cumprir a lei.

Se eu construir minha casa num terreno que não me pertence, o que acontece? Certamente não serei agraciado com incentivos fiscais da Prefeitura de SP, nem tampouco ganharei um afago na forma de empréstimo de dinheiro público do BNDES. O mais provável é processo judicial, e desapropriação, não?

O mesmo não aconteceu com o Corintians. Por quê?

No final das contas… cadê a equanimidade? 

6) E, quanto ao estádio de Itaquera ser particular, lembremos: as fábricas de automóveis são particulares, as escolas de samba não são públicas, o comprador de automóveis não é um ente governamental. Torcedor torce por seu time e contra os outros, simpatizante torce por seu partido e contra os outros. Mas imprensa tem de ser diferente.

As fábricas de automóveis, que são particulares e não públicas, constróem suas fábricas com dinheiro particular, não público. Quando estas fábricas recorrem ao BNDES para construir uma planta, estão usando dinheiro público, e devem ser fiscalizadas, pois o dinheiro é público. Mas, neste caso, o BNDES tem critérios técnicos a serem observados. Tratarei deles em algumas linhas.

Como eu apontei anteriormente, você confundiu empréstimo do BNDES com isenção fiscal. É compreensível esta confusão, pois o Corintians está usando ambas como fonte de recursos para construir seu estádio particular, ou seja, está usando SOMENTE dinheiro público numa obra PARTICULAR. Mas empréstimo é diferente de isenção.

 

E, seja em termos de empréstimo (de dinheiro público), seja em termos de isenção fiscal e/ou tributária, há um aspecto da maior relevância a ser ponderado – mas este “detalhe” costuma ser deixado de lado.

Se eu, consumidor, recorro a um banco, pleiteando um empréstimo, o banco vai fazer uma detalhada análise da minha situação. Se eu tenho um salário de R$ 2.000,00 mensais e peço um empréstimo para adquirir uma Ferrari de R$ 1 milhão, o banco vai autorizar a concessão do empréstimo?

Claro que não!

Então, caro Carlos Brickmann, fique sabendo que o Corintians teve, em 2010, um EBITDA (lucro bruto) de R$ 12.831.000,00, ou seja, pouco mais de 12 milhões de reais, diante de uma receita total de R$ 173.615.000,00. Grosso modo, a empresa Corintians faturou 173 milhões, mas o lucro foi menos de 10% disso.
Estes dados estão no balanço do clube, disponível aqui.

Agora me diga, caro Carlos Brickmann, em nome da equanimidade: é justo o BNDES emprestar 400 milhões de reais a uma empresa que não lucra, anualmente, nem 10% disso?

É justo a Prefeitura oferecer isenção fiscal que corresponde a mais de 33 anos de lucro (EBITDA) do Corintians?

O problema, caro Carlos Brickmann, é que o Corintians está sendo beneficiado, e as razões desses benefícios passam longe da equanimidade. Aliás, passam longe da moralidade também. Não se trata de time, não se trata de partido, não se trata de imprensa.

Trata-se, enfim, de como encaramos a “res publica”, ou seja, a coisa pública. Inclua-se aí a equanimidade, mas não nos restrinjamos a ela.

Suas reclamações, caro Carlos Brickmann, são mais do que descabidas: a imprensa, no geral, está sendo leniente, extremamente leniente, com as coisas absurdas que estão sendo feitas em nome da Copa de 2014. Já começaram desvios de dinheiro e benefícios inaceitáveis numa república séria, tudo em nome da viabilização da Copa (e das Olímpiadas de 2016 também). A mim pouco (ou nada) interessam as disputas políticas envolvendo os times paulistas – pois, como já mencionei, não torço para nenhum deles.

Contudo, a mim interessa, e muito!, o que é feito com o dinheiro público. E sob a égide de preparar o país para a Copa, vemos o executivo e o legislativo aprovando (ou mesmo fazendo, diretamente) leis e projetos de lei ABSOLUTAMENTE IMORAIS. Enquanto faltam hospitais, médicos, equipamentos, enfermeiros, escolas, professores, livros, presídios, policiais e tantas outras coisas, vemos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes (primeiro, Lulla, que precisava faturar politicamente ao atrair Copa e Olimpíadas para o Brasil, e agora a Dilma, uma gerente da maior incompetência gerencial) gastando tempo e – especialmente – dinheiro público para beneficiar pequenos grupelhos, em detrimento da população.

Os grupelhos ganharão mais dinheiro, enquanto a população segue na pobreza. Política do pão e circo: enganem os otários com alguma diversão (Copa, Olimpíadas) que eles não perceberão que terão que seguir comendo (pouco) pão para pagar pelo circo.

E a impresa, caro jornalista Carlos Brickmann, parece tão indiferente e anestesiada quanto grande parte da população.

Juca Kfouri, numa entrevista à Folha recentemente, usou o termo correto para classificar o que tem ocorrido em relação ao Itaquerão: UM ESCÂNDALO. E olha que se trata de um jornalista sem credibilidade nenhuma (veja a imagem abaixo), que para piorar ainda é corinthiano.

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A “mídia”, senhor Carlos Brickmann, não tem tratado este escândalo como deveria. Muito pelo contrário. Estas obras, estes projetos da Copa e das Olimpíadas deveriam estar na capa de todos os jornais e revistas do país, nas manchetes de jornais de rádio e TV, para que a população compreendesse o tamanho do prejuízo que ela mesma terá.

Porém, muita gente quer mais o circo do BBB, do futebol, não é?!
Bom para os ladrões, caras-de-pau, corruptos e cartolas oportunistas e “ixpérrtos” do Brasil.

Cínico e falso

Vamos, primeiro, a uma diversão com o vídeo:

Pronto, agora é para relembrar um outro fato interessante, na mesma linha de cinismo e falsidade do vídeo acima:

Constituição: liderados por Lula, petistas votaram contra

Partido foi único a se recusar a apoiar Carta Magna em 1988

Neste domingo, 5 de outubro, a Constituição Federal completa 20 anos de existência. O documento que simbolizou o início de uma era democrática no Brasil – após quase duas décadas de regime ditatorial – foi elaborado por diversos personagens que ainda hoje integram o cenário político do país. Na Assembléia Nacional Constituinte (ANC), além do então presidente Ulysses Guimarães, estava presente o presidente da República, o então deputado constituinte Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 1988, Lula, foi escolhido para fazer o discurso no qual o PT anunciava que votaria contra o texto final da nova Constituição. Em um pronunciamento firme, acusou as elites brasileiras de mentirem e manobrarem para impor uma carta conservadora que não atendia os direitos dos trabalhadores. A legenda foi a única a votar contra a nova Carta.

Em seus 52 discursos ao longo da Assembléia Constituinte, o atual presidente do Brasil defendeu o direito dos trabalhadores à greve, uma reforma agrária radical e o respeito ao meio ambiente, além de criticar o governo do então presidente da República, José Sarney (PMDB), hoje um de seus principais aliados no Senado. O PT não apenas votou contra como sua bancada chegou a pensar em não assinar o documento. A principal alegação de Lula era que se tratava de uma Carta muito “conservadora”.

Entre os integrantes da bancada petista, estavam, além do próprio Lula, os deputados José Genoíno (SP), Virgílio Guimarães (MG), o hoje senador Paulo Paim (RS), o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, além dos ex-ministros Luiz Gushiken e Benedita da Silva. Apesar da nova Constituição ter sido considerada um marco em termos de direitos individuais e trabalhistas, o líder do PT deu diversas entrevistas à época dizendo que ela ficou “aquém das reivindicações dos trabalhadores”.

Duas décadas depois, o discurso mudou e abrandou bastante. Questionado pela mídia sobre a importância da Carta nos dias de hoje, o presidente tem se desmanchado em elogios ao texto. E reconheceu a alguns jornais, na semana passada, que teria sido muito pior se o partido dele tivesse vencido durante a votação na Assembléia.

Em entrevista ao “Correio Braziliense”, o Lula de 2008 não hesitou em afirmar que “tudo que nós alcançamos até agora foi fruto da Constituição de 1988″. Entre os pontos destacados pelo presidente estão a universalização dos direitos sociais, medidas tomadas contra a pobreza e a desigualdade, além da Carta ter proporcionado as condições para que possamos viver hoje um bom momento econômico.

A Assembléia Constituinte também foi alvo da ira de Lula, quando acusou os parlamentares de incapacidade política, de falta de diálogo e também de articulação, segundo “O Globo” relatou na ocasião. Agora, o presidente preferiu mudar o tom e enalteceu ao jornal candango os trabalhos da ANC e a participação popular quando da elaboração da Constituição. “A Assembléia Constituinte foi o momento mais rico da vida parlamentar brasileira. Houve uma participação popular como nunca se viu no país, com milhares de pessoas indo ao Congresso fazer pressão, reivindicar. Foi graças a esse estímulo que fizemos uma Constituição avançada”, disse ao “Correio” de 28 de setembro último.

Como a PTralhada tem memória seletiva bem ruinzinha, é bom que na próxima vez que você, leitor bem informado, ouvir algum PTralha elogiando a Consituição e exigindo seu cumprimento, lembre-se de que se dependesse deles, PTralhas, a Constituição não existiria.

O único jeito de eliminarmos essa raça asquerosa, os PTralhas, é mostrar quão mentirosos eles são.

Sempre.

Sorriso amarelo e ignorância vermelha

O vídeo é IMPAGÁVEL:

Ressalto as entrevistas do começo, especialmente a tapadinha da UNE (35 segundos), o carinha com a camiseta do PC do B se esquivando de falar das alianças do Lulla (1 minuto), a burrinha que se enrola para justificar o capitalismo do PT (1:32) e o melhor de todos: o mal-humorado que chama o Danilo de mal-informado, quando na verdade ele é que não sabia que a Dilma NÃO é “militante histórica” do PT, mas sim oriunda do PDT (2:02).

O vídeo demonstra bem o “nível” dos eleitores do PT…..

Censura à opiniao do cliente (2)

No dia 30 de setembro, escrevi um post (AQUI) sobre o caso do Bar São Bento.
Houve desdobramentos, e quero tratar deles aqui.

A resenha criticando o tal bar voltou ao ar (AQUI).
Junto com a resenha, há um texto escrito provavelmente pelo(s) dono(s) do bar, e quero tratar justamente dele.
Vou reproduzi-lo:

Aos leitores do site,
Inicialmente, ressaltamos que o Boteco São Bento respeita e preserva o direito de seus clientes de se manifestarem sobre os serviços que presta, e jamais ameaçou processar o autor da resenha ou os responsáveis pelo “Resenha em 6”.

Ocorre que foram publicados comentários, feitos por pessoas que falsamente alegavam representar o Boteco São Bento (bem como seus fornecedores e assessoria de imprensa), com o aparente propósito de confrontar os leitores do blog, gerando uma polêmica desnecessária e despropositada.

Portanto, em vista disso, foi solicitada a remoção desses comentários (não da resenha), revestidos de falsidade ideológica, pois não se pode admitir que o nome do Boteco São Bento seja vinculado a comentários e posições que jamais manifestou.

Por fim, o Boteco São Bento esclarece que a sua filosofia é sempre atender críticas, sugestões e reclamações, além de aceitar opiniões sobre o seu estabelecimento, sua qualidade e atendimento.

Cordialmente,

Boteco São Bento

Como assim “jamais ameaçou processar o autor da resenha” ? A íntegra da “notificação extra-judicial” eu publiquei no post de 30/09, e no corpo da tal notificação, assinada pelo advogado  do bar (Carlos Augusto Pinto Dias, OAB/SP nº 124.272), fica muito clara a intenção de proibir NÃO APENAS a publicação da resenha, mas também dos comentários.

Destaco os seguintes trechos da tal notificação (com grifos meus):

2. Em vista disso, diante do conteúdo publicado nessas páginas, restou configurada flagrante ofensa à imagem e reputação da NOTIFICANTE, razão pela qual esse “blog” (caderno digital, cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados artigos, ou “posts”) deve ser imediatamente removido da página de internet “Resenha em 6”.

16. Deste modo, tendo em vista que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso X, garante a inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação, a GOOGLE afigura-se legalmente responsável pelos prejuízos causados à NOTIFICANTE, razão pela qual deve cessar essa prática ofensiva mediante a remoção integral do “blog” intitulado de “Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)”, que ofende a sua honra e imagem.

18. Ante o exposto, serve-se a NOTIFICANTE da presente, para NOTIFICAR a RESENHA EM 6, para que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar do recebimento desta, remova integralmente o “blog Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)”, identificado por http://resenhaem6.blogspot.com/2009/09/boteco-sao-bento-o-pior-bar-do-siste ma.html, bem como da página de internet relacionada ao “twitter” (http://twitter.com/resenhaem6) que incita a postagem de comentários contra a NOTIFICANTE, denominada “Se chegarmos em 600 comentários, pago 6 chopps Sol no Boteco São Bento!”, que ofendem e denigrem o seu nome por meio de sua página de relacionamento conhecida como “resenha em 6”, sob pena de serem adotadas todas as medidas judiciais aplicáveis ao caso em tela.

Basta ler o corpo da notificação para perceber que o advogado do Boteco São Bento ameaçou, SIM,  processar os donos do blog, e exigiu a retirada não apenas dos comentários, mas da crítica em si.

Como eu já havia dito, nem conheço o tal boteco.
Mas, a julgar pela falta de capacidade desta empresa em lidar com as críticas à prestação do serviço deles, não conhecerei nunca.
Se uma empresa não sabe ouvir o que o cliente tem a dizer, ela não merece o cliente.
Simples.

Boteco São Bento: aprenda a ouvir o seu cliente, e jamais trate este cliente como idiota, burro ou estúpido. O seu advogado ameaçou, sim, processar os donos do blog, e depois vocês escrevem esse blablabla tentando consertar a cagada de vocês ?!
Na-na-ni-na-não…..

Respeito aos clientes é bom, e ele deve ser calcado na VERDADE.
O que, obviamente, não é o caso (nem tampouco a preocupação) de vocês.

Paternidade

Essa vem direto do blog do Gilberto Dimenstein (não gosto dele, confesso, mas o texto é interessante, por razões óbvias):

Quem criou o Bolsa Família, maior cabo eleitoral do PT em geral e de Lula em particular?

De olho nas eleições, o PSDB lançou uma cartilha assumindo a paternidade dos programas de transferência de renda –bolsa escola, por exemplo– que deram origem ao Bolsa Família. Meia verdade. Ou, se preferirem, meia mentira.

Foi, de fato, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso que se ampliaram os programas de renda mínima –uma ideia empunhada solitariamente, por muito tempo, pelo senador Eduardo Suplicy. Naquela época, aliás, o PT chamava bolsa-escola de bolsa-esmola.

Mas a verdade é que os programas de renda mínima tem dois autores. O então governador de Brasília, Cristovam Buarque, e o falecido prefeito de Campinas, Roberto Magalhães Teixeira.

Foi o Cristovam Buarque, porém, que atrelou com mais força a bolsa à permanência da criança na escola –sei disso porque eu apresentei o prefeito de Campinas ao então governador de Brasília. Esse modelo foi replicado à saúde, com o vale-alimentação.

De Brasília, a ideia teve a adesão do UNICEF e UNESCO, entusiasmando todo o país. Coube, então, ao então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, dar-lhe escala nacional. Isso graças ao Programa de Combate da Pobreza, criado por Antonio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia.

Pouca gente sabe que, durante a tramitação do Fundo de Combate à Pobreza no Congresso- base para ampliação do bolsa-escola –o PT foi contra.

A verdade, porém, é que foi Lula quem unificou todas aquelas bolsas, ampliando expressivamente seu alcance.

Interessante, não ?!

Censura à opinião do cliente

Ontem tomei conhecimento de um fato tão ridículo, tão absurdo, que parecia irreal.
Resumidamente, a história é a seguinte: um blog postou uma opinião curtinha e objetiva sobre um bar da Vila Madalena, em São Paulo.

Os donos do bar não gostaram da crítica, e resolveram ameaçar o blog com um processo judicial. A Folha publicou uma notícia sobre isso, AQUI.

Depois de ler a notícia na Folha, comecei a me interar sobre o problema, e percebi que a coisa é um verdadeiro absurdo.

Eis aqui o conteúdo da tal notificação extra-judicial enviada pelo boteco alvo da crítica:

São Paulo, 29 de setembro de 2009.

Ref.:  Notificação Extrajudicial

Prezados Senhores,

DINAMITE ITAIM CHOPERIA LTDA. (BOTECO SÃO BENTO), sociedade brasileira empresária limitada, inscrita no CNPJ sob o n.º 08.600.123/0001-75, com sede nesta capital do Estado de São Paulo, na Rua João Cachoeira, n.º 800, Itaim Bibi, CEP 04.535-002, ora “NOTIFICANTE”, por seu advogado, vem NOTIFICAR essa página de internet nos seguintes termos.

1. A NOTIFICANTE tomou conhecimento que a GOOGLE BRASIL INTERNET LTDA. mantém na rede de internet, por meio do “blogger” que ela hospeda conhecido como “Resenha em 6” (http://resenhaem6.blogspot.com), algumas “resenhas” (ambientes de postagem de comentários) nas quais lhe são imputados fatos ofensivos à sua reputação, tais como “Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)” (http://resenhaem6.blogspot.com/2009/09/boteco-sao-bento-o-pior-bar-do-sistema.html).  (cópias anexas).

2. Em vista disso, diante do conteúdo publicado nessas páginas, restou configurada flagrante ofensa à imagem e reputação da NOTIFICANTE, razão pela qual esse “blog” (caderno digital, cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados artigos, ou “posts”) deve ser imediatamente removido da página de internet “Resenha em 6”.

3. Isso porque, o acesso a esse meio de postagem de comentários provocou inúmeros prejuízos à NOTIFICANTE, visto que ela foi alvo de injúria e difamação, além de falsidade ideológica, pois pessoas desconhecidas se identificaram como representantes legais do Boteco São Bento por meio das postagens, inclusive por meio da seguinte denominação: “ADM. Boteco São Bento disse…”.  

4. Frise-se que a partir da criação dessa “resenha”, em 20 de setembro de 2009, às 23h22, pelo Sr. Raphael Quatrocci, a NOTIFICANTE passou a sofrer inúmeros prejuízos.

5. Ademais, o que parecia ser um espaço destinado à mera expressão de opinião acerca dos serviços prestados pela NOTIFICANTE, ganhou dimensões incontroláveis a ponto de ter se tornado meio hábil e frágil para atuação de aproveitadores que se fizeram passar pela NOTIFICANTE.

6. Ressalte-se que o Sr. Raphael Quatrocci, criador do referido “blog”, agiu, inclusive, maliciosamente, ao personalizar sua página de comentários, eliminando o ícone destinado à denúncia de conteúdos abusivos.

7. Disso decorre que esse “blog” passou a favorecer e incentivar as pessoas a difamarem a NOTIFICANTE, de modo a permitir que cheguem essas ofensas ao conhecimento do público consumidor, por meio das mensagens publicadas nessa página de internet.

8. Com efeito, a Constituição Federal assegura o direito de livre manifestação do pensamento, no entanto, não se admite o seu exercício de modo exacerbado e abusivo a fim de prejudicar a honra e a imagem das pessoas.  

9. Ademais, frise-se que essa prática consiste inclusive em crime de difamação, tipificado no artigo 139 do Código Penal (Decreto-Lei n.º 2.848, de 07 de dezembro de 1940), apenado com detenção, de três meses a um ano, e multa, como se observa a seguir:
 “Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.” 

10. Saliente-se que ambos os Tribunais Superiores firmaram o seu entendimento no sentido de admitir que pessoas jurídicas possam ser vítimas de crimes contra a honra, ao proferirem acórdão no julgamento do Recurso Especial n.º 53.761-4 e Recurso Ordinário em Habeas Corpus n.º 83.091-9, assim ementados:
    “PESSOA JURÍDICA. VÍTIMA DE CRIME CONTRA A HONRA. A pessoa jurídica, no direito brasileiro, só pode dizer-se vítima de difamação, não de calúnia ou injúria.

Segundo fundamento autônomo.
Pretensão de reexame de prova inadmissível na via do recurso especial (Súmula 07/STJ).
Recurso especial conhecido, pelo dissídio, mas improvido.” (STJ – REsp 53.761-4 – 5ª Turma – Rel. Min. ASSIS TOLEDO – J. 21.11.1994). (grifou-se).

    “LEGITIMIDADE – QUEIXA-CRIME – CALÚNIA – PESSOA JURÍDICA – SÓCIO-GERENTE. A pessoa jurídica pode ser vítima de difamação, mas não de injúria e calúnia. A imputação da prática de crime a pessoa jurídica gera a legitimidade do sócio-gerente para a queixa-crime por calúnia.
(…).” (STF – Recurso Ordinário em Habeas Corpus 83.091-9 – 1ª Turma – Rel. Min. MARCO AURÉLIO – J. 05.08.2003). (grifou-se).

11. De qualquer forma, independentemente da caracterização do crime de difamação, existem inúmeras decisões judiciais que reconhecem o caráter ofensivo de certas mensagens publicadas em páginas de relacionamento, tais como “blogs” e na popular página de internet chamada “orkut”, determinando a eliminação desse conteúdo, além da remoção dos comentários de cunho ofensivo:

“Internet. Blog. Legitimidade passiva do provedor de hospedagem por eventual conteúdo ofensivo de blog. Contrato firmado com o responsável pelo blog, estabelecendo sua exclusiva responsabilidade, que vincula apenas os contratantes e não terceiros. Matéria que diz respeito à denunciação da lide. Responsabilidade da provedora perante o ofendido que é questão de mérito a ser analisada na sentença. Incidência da Súmula 221 do Colendo Superior Tribunal de Justiça. Recurso improvido.” (TJ – AGRAVO DE INSTRUMENTO n° 617.325.4/1 – 4ª Câmara de Direito Privado – Rel. Des. Maia da Cunha – J. 05.03.2009). (grifou-se).

“LEGITIMIDADE AD CAUSAM – MEDIDA CAUTELAR – DEMANDA PROPOSTA CONTRA A GOOGLE BRASIL INTERNET LTDA VISANDO A RETIRADA DE BLOG REPUTADO OFENSIVO -LEGITIMIDADE PASSIVA RECONHECIDA –RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.” (TJ – AGRAVO DE INSTRUMENTO n° 564.843-4/5 – 1ª Câmara de Direito Privado – Rel. Des. Elliot Akel – J. 04.11.2008). (grifou-se).

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – Obrigação de Fazer e Não Fazer – “Blog” – Veiculação virtual de conteúdo ofensivo por parte do responsável pelo “blog” e por terceiros – Tutela antecipada deferida em parte para identificação dos IP’s dos autores – Pretensão de remoção dos comentários de cunho ofensivo, com abstenção de novas inserções – Possibilidade – 1. Presentes os requisitos legais, tecnicamente viável a remoção dos comentários potencialmente ofensivos à honra subjetiva e à imagem do agravante. Tutela de urgência que se mostra necessária para resguardar a utilidade do provimento final em razão das características do grande número de acessos permitidos e inerentes aos diários virtuais na Internet.

 2. Conteúdo com potencial ofensivo que ultrapassa os limites do razoável a exigir a compatibilização, pelo princípio da proporcionalidade, do direito fundamental de liberdade de expressão com o direito à imagem da pessoa humana. Recurso Provido.” (TJ – AGRAVO DE INSTRUMENTO n° 583.663.4/2-00 – 3ª Câmara de Direito Privado – Rel. Des. Egídio Giacoia – J. 12.08.2008). (grifou-se).

“EMENTA AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER – TUTELA ANTECIPADA – Deferida a tutela de urgência para autorizar a remoção de mensagens em site de relacionamento, ofensivas ao agravante DERAM PROVIMENTO AO RECURSO.” (TJSP – Agravo de Instrumento 624.315-4/2-00 – 7ª Câmara de Direito Privado – Rel. Desembargador GILBERTO DE SOUZA MOREIRA – J. 11.02.2009). (grifou-se).

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – Obrigação de Fazer – “Orkut” – Tutela Antecipada Deferida – Remoção pela agravante de comunidades que tragam conteúdo ofensivo – Presentes os requisitos legais, viável a remoção dos perfis e das comunidades criadas no “orkut” contendo postagens denegrindo a imagem do agravado – Conteúdo com potencial ofensivo que ultrapassa os limites do razoável a exigir a compatibilização, pelo princípio da proporcionalidade, do direito fundamental de liberdade de expressão com o direito à imagem da pessoa – Inviável, contudo, a determinação de forma genérica de controle prévio pela recorrente de novas inserções no “Orkut” – Providência que não pode ser exigida de um provedor de serviço de hospedagem – Recurso Parcialmente Provido.” (TJSP – Agravo de Instrumento 584.783.4/7-00 – 3ª Câmara de Direito Privado – Rel. Desembargador EGÍDIO GIACOIA – J. 02.12.2008). (grifou-se).

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – Obrigação de Fazer – “Orkut” – Veiculaçâo Virtual de Conteúdo Ofensivo – Tutela Antecipada Deferida – Remoção pela agravante – Possibilidade. 1. Presentes os requisitos legais, viável a remoção dos perfis e das comunidades criadas no “orkut” contendo postagens indeterminadas denegrindo a imagem da agravada, inclusive com imputações ofensivas à sua honra objetiva, com acusações genéricas de prática de atos fraudulentos, com referências a golpes de estelionato no mercado. 2. Conteúdo com potencial ofensivo que ultrapassa os limites do razoável a exigir a compatibilização, pelo princípio da proporcionalidade, do direito fundamental de liberdade de expressão com o direito à imagem da pessoa jurídica. 3. Irreversibilidade da medida que deve ser analisada considerado o caso concreto. 4. Inviável, contudo, a determinação de controle prévio pela recorrente de novas inserções no “Orkut”, como de resto em todo o domínio da “Internet”. Recurso Parcialmente Provido.” (TJSP – Agravo de Instrumento 537.893.4/0-00 – 3ª Câmara de Direito Privado – Rel. Desembargador EGÍDIO GIACOIA – J. 29.04.2008). (grifou-se).

12. Ora, de fato restou evidenciado que foram publicados conteúdos ofensivos à honra e imagem da NOTIFICANTE, bastando para tanto apenas observar o supracitado título atribuído a tal “blog”, que incita a criação e postagem de comentários depreciativos, maliciosos, enganosos e pejorativos que ferem diretamente a sua imagem, além de insinuar que a NOTIFICANTE teria se manifestado acerca desses comentários, ora por meio da denominação de “Jonas Steinmayer”, ora por meio da denominação “ADM. Boteco São Bento”.

13. Ainda assim, não bastasse a existência desse “blog”, também foi disponibilizado no “Twitter” a página intitulada “Se chegarmos em 600 comentários, pago 6 chopps Sol no Boteco São Bento!”, que instiga os seus usuários a postarem comentários contra a NOTIFICANTE, favorecendo ainda mais a repercussão de ofensas ao Boteco São Bento.

14. Mas não é só. Além da caracterização de ofensa à honra e imagem da NOTIFICANTE em página de internet hospedada pela GOOGLE, e da possibilidade de remoção de todo esse conteúdo por meio da tutela judicial, insta frisar que os “Termos de Serviço do Google”, no item 8 – “Conteúdo nos Serviços”, subitem 3, estabelecem que:
“8.3 O Google se reserva o direito (mas não tem qualquer obrigação) de pré-selecionar, rever, marcar, filtrar, modificar, recusar ou remover qualquer ou todo Conteúdo de qualquer Serviço. Para alguns dos Serviços, o Google pode fornecer ferramentas para filtrar conteúdos sexuais explícitos. Essas ferramentas incluem a configuração do SafeSearch (consulte http://www.google.com/help/cus
tomize.html#safe). Além disso, existem serviços e software disponíveis comercialmente para limitar o acesso a material que o usuário possa considerar ofensivo.” (grifou-se)

15. Disso decorre que a GOOGLE possui total autoridade para remover qualquer ou todo conteúdo de qualquer serviço, podendo, portanto, remover o referido “blog” da página de relacionamentos “resenha em 6”, por todos os motivos acima expostos.

16. Deste modo, tendo em vista que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso X, garante a inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação, a GOOGLE afigura-se legalmente responsável pelos prejuízos causados à NOTIFICANTE, razão pela qual deve cessar essa prática ofensiva mediante a remoção integral do “blog” intitulado de “Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)”, que ofende a sua honra e imagem.

17. Por fim, por analogia, para corroborar a total possibilidade de remoção desse conteúdo, ressalte-se a “Política do Estatuto da Comunidade” do “orkut” que prevê a hipótese de denúncia de abuso ao estabelecer que “A violação de qualquer uma destas restrições (a certos conteúdos e comportamentos inapropriados) pode resultar em suspensão ou remoção de um perfil ou comunidade.”   

18. Ante o exposto, serve-se a NOTIFICANTE da presente, para NOTIFICAR a RESENHA EM 6, para que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar do recebimento desta, remova integralmente o “blog Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)”, identificado por http://resenhaem6.blogspot.com/2009/09/boteco-sao-bento-o-pior-bar-do-siste ma.html, bem como da página de internet relacionada ao “twitter” (http://twitter.com/resenhaem6) que incita a postagem de comentários contra a NOTIFICANTE, denominada “Se chegarmos em 600 comentários, pago 6 chopps Sol no Boteco São Bento!”, que ofendem e denigrem o seu nome por meio de sua página de relacionamento conhecida como “resenha em 6”, sob pena de serem adotadas todas as medidas judiciais aplicáveis ao caso em tela.

Atenciosamente,

Carlos Augusto Pinto Dias
OAB/SP nº 124.272

Como eu já escrevi no twitter: não conheço o tal boteco, e a julgar pelas fotos que eles têm no site deles, além dessa atitude RIDÍCULA E ABSURDA (sem mencionar absolutamente INCOMPETENTE, em termos de relações públicas), JAMAIS irei conhecer.
Espero que a falência chegue logo – assim, nos livramos de mais uma empresinha mequetrefe que não sabe lidar com a insatisfação dos clientes, e adota o caminho fácil de ignorar os problemas internos.

Em tempo: a crítica foi tirada do ar. Leia mais AQUI.
Complementarmente, duas opiniões de uma advogada-blogueira sobre o ocorrido, AQUI e AQUI.

No Twitter, é possível ler algumas opiniões interessantes, também. Basta buscar os temas #butecosaobento e afins.

Finalmente, uma sugestão ao Sr. Carlos Augusto Pinto Dias (OAB/SP no 124.272): contrate um relações públicas, ou recomende ao seu cliente, o Boteco São Bento (ou DINAMITE ITAIM CHOPERIA LTDA), que faça uma detalhada pesquisa sobre a satisfação dos clientes da empresa.
Decerto o Boteco São Bento terá surpresas – e precisará começar a pensar na satisfação do cliente se quiser sobreviver.

Síndrome de Peggy Sue volta a atacar

Síndrome de Peggy Sue: seu passado o condena.

A Mulla (e todos os PTralhas, que se registre) sobre desse mal:

Para as devidas explicações, recorro ao texto do Reinaldo Azevedo:

O vídeo abaixo não deixa de ter a sua graça. Vemos o Lula de hoje, em 2009, a descer o braço em supostos críticos do Bolsa Família, que teriam classificado o programa de assistencialista”, “demagógico” e “uma esmola”. Para Lula, tais pessoas são “imbecis e ignorantes”.

Em seguida, vem o Lula de antes, o de 2000. Ele lamenta que o voto, no Brasil, não seja “ideológico” e que as pessoas não “votem partidariamente”. Segundo este pensador, “o alto grau de empobrecimento do Brasil” faz com que a pessoa escolha um candidato “pelo estômago, não pela cabeça”. E critica a distribuição de cestas básicas ou do ticket do leite.

Noto: naquele 2000, foi criado o Bolsa Escola; no ano seguinte, vieram o Bolsa Alimentação e o Auxílio-Gás. Todos esses programas foram reunidos, depois, sob a rubrica Bolsa Família, tida como a grande “invenção” de Lula. O PT, saibam, classificava o Bolsa Escola de assistencialista, tanto que a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, negava-se a implementá-lo em São Paulo. Só deu início ao processo sob pressão.

Pois é… Para o PT, o programa de bolsas era “demagógico” e “assistencialista!”. Vocês sabem, né? Naquele tempo havia muitos “imbecis e ignorantes” no Brasil.

Currículo turbinado

Não resisti…..tenho que registrar estas.

Primeiro, o vídeo:

Agora, a coluna da Lúcia Hippolito:

Dilma Rousseff parece ter especial vocação para se deixar envolver em situações esquisitas. Vive cercada de histórias mal contadas, versões retocadas, relatos conflitantes.
No início de 2008, ministros do governo Lula foram apanhados pagando despesas privadas com dinheiro público, através de cartões corporativos. Episódio que ficou conhecido como o “escândalo da tapioca”.

Em 16 de fevereiro daquele ano, jantando com 30 industriais, a ministra Dilma afirmou que “o governo não vai apanhar calado”. E revelou que as contas do governo anterior sofreriam uma devassa.
Dias depois começou a circular o famoso dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
Confrontada com os fatos, Dilma afirmou que se tratava de um banco de dados para organizar as despesas com cartão corporativo, a fim de responder à CPI dos Cartões – que sequer tinha sido instalada.

Mesmo depois da publicação do dossiê, restando provado que tinha sido fabricado na Casa Civil, Dilma continuou jurando de pés juntos que se tratava de um banco de dados.
Ninguém acreditou, mas ela continuou insistindo no conto de fadas.

O segundo episódio que confrontou Dilma Rousseff com a realidade aconteceu recentemente. Foi o caso do currículo falsificado.
Descobriu-se que, na Plataforma Lattes do CNPq, que abriga currículos de professores universitários e pesquisadores de pós-graduação, o currículo de Dilma Rousseff registrava um mestrado e um doutorado em economia. Até o título da tese de mestrado estava lá.
Este currículo estava também estampado nas páginas do Ministério das Minas e Energia e da Casa Civil.

Era falso. Dilma Rousseff não concluiu o mestrado, não defendeu tese. Não concluiu o doutorado. Não defendeu tese.
Confrontada com a realidade, ela reagiu dizendo que não sabia quem tinha invadido a Plataforma Lattes e as páginas do governo para escrever mentiras no seu currículo.
Para inscrever o currículo na Plataforma Lattes é necessário uma senha individual. Tudo bem, um hacker poderia ter invadido as páginas. Invadem até o site do Pentágono!

Mas a ministra Dilma Rousseff compareceu duas vezes ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 2004 e em 2006. O vídeo dos dois programas circula na internet.
Para os que não estão familiarizados com o programa, no início o âncora lê o currículo do convidado. Nos dois o jornalista Paulo Markun lê o currículo falso de Dilma Rousseff.

E ela ouve sem mover um músculo. Impassível. Nem pisca.
Depois de apanhada, mandou retirar das páginas do governo as menções a um mestrado e um doutorado. Falsos.
Mas continua a sustentar a versão de que alguém invadiu as páginas e falsificou seu currículo.

Finalmente – será mesmo que acabou? – Dilma envolveu-se em mais uma confusão de versões desencontradas.
A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, cuja demissão nunca foi bem explicada, afirmou que foi chamada para uma conversa com a ministra-chefe da Casa Civil. No encontro a ministra lhe pediu que “acelerasse” as investigações sobre a família Sarney.

(Deixemos de lado a estranheza de uma chefe da Casa Civil chamar para uma reunião uma subordinada de outro ministro, sem que seu chefe esteja presente.)

A ex-secretária Lina Vieira entendeu que era para encerrar as investigações. Um processo desses é longo, e acelerar pode muito bem significar “acabar rapidinho”.
Dilma poderia dizer que tinha encontrado a ex-secretária, mas que tinham conversado sobre outros assuntos. Poderia dizer que tinha sido um encontro informal, por isso não estava na agenda de nenhuma das duas.

Isto é comum entre autoridades. Semana passada mesmo, o presidente Lula recebeu, fora da agenda, o senador Fernando Collor.
Mas não, Dilma Rousseff reagiu como Dilma Rousseff: autoritária, peremptória, categórica. Segundo ela, jamais teve uma conversa individual com a ex-secretária da Receita.
Mas Lina Vieira confirmou o encontro, em entrevista ao Jornal Nacional. E citou como testemunhas o motorista da Receita, sua chefe-de-gabinete e, mais importante, a principal assessora de Dilma Rousseff, Erenice Alves Guerra – aliás, envolvida também na elaboração do dossiê com as despesas de Fernando Henrique e Ruth Cardoso.

Diante disso, das duas uma. Ou bem Lina Vieira está mentindo, e Dilma Rousseff está moralmente obrigada a processá-la por danos morais.

Ou bem Lina Vieira está falando a verdade. E neste caso, Dilma Rousseff cometeu crime de prevaricação, quando um agente público toma conhecimento de um ilícito, ou propõe um ilícito e não tenta coibi-lo, para tirar proveito próprio.

E qual seria o proveito próprio? O apoio do PMDB à sua candidatura em 2010.

O agravante no caso da ministra Dilma é que, se Lina Vieira estiver dizendo a verdade, trata-se de interferência direta da ministra numa investigação muito séria, que envolve a Receita Federal e a Polícia Federal.

Dilma Rousseff ambiciona a presidência da República. Tem todo o direito.

Mas tem também o dever de dizer a verdade, esclarecer os fatos, para não entrar numa campanha que é tradicionalmente muito dura — mas o prêmio é alto — como alguém que tem relações cerimoniosas com a verdade.

Dialógo entre colegas

Resposta de um Médico, Dr. Humberto de Luna  Freire Filho, a outro médico, Dr. Aldo Pacinoto publicadas no jornal O Estado de São Paulo

Carta do Dr. Aldo Pacinoto
Date: Thu, 4 Jun 2009 12:35:10 -0300

Prezado senhor Humberto.

Sei perfeitamente que os leitores do jornal O Estado de S.Paulo são conservadores, muitas vezes reacionários, claramente de direita. Mas algumas cartas chegam ao cúmulo do absurdo.

Ontem um leitor disse que a culpa dos erros nas cartilhas do governo do senhor José Serra é culpa de algum “petista infiltrado” na Secretaria da Educação.
Hoje, o senhor faz uma observação completamente equivocada.
Não é apenas o presidente americano Obama que elogia o nosso presidente. Os elogios estão vindo de todos os continentes. É o presidente francês, é o presidente sul-africano, o premiê inglês, finlandes, alemã.

Só não vê em Lula um grande líder pessoas preconceituosas que ainda o enxergam como um metalúrgico analfabeto. O senhor deve ser de classe média média ou alta.
Pergunto: o que piorou em sua vida com o governo Lula? O que vai melhorar com o governo Serra? É claro que a classe média não quer enxergar em Lula um presidente que tem enfrentado crises econômicas internacionais como ninguém.
O senhor lê a Economist? O El País? O Le Monde? Se ficar lendo apenas o Estadão e a Veja terá uma visão burguesa e centrada em críticas e mais críticas. Radical.
O senhor sabe o quanto o atual governo melhorou a vida dos menos favorecidos? O senhor não quer que ele melhore a vida dos mais pobres?
Sou médico, não sou petista, sou classe média até digamos alta. Tinha tudo para pensar como os leitores do Estadão que mandam frases de efeito, às vezes engraçadinhas, que o jornal adora publicar. Mas, felizmente, penso exatamente ao contrário desses leitores. Graças a Deus e ao meu pai que me ensinou a olhar a vida sem radicalismos.

Atenciosamente.

ALDO PACINOTO
Curitiba

Resposta do Dr. Humberto de Freire Luna Filho

Date: Fri, 5 Jun 2009 01:54:52 +0000

Prezado colega Aldo
(Também sou médico – Neurocirurgião)

Antes de mais nada quero deixar claro que não sou eleitor do Sr.José Serra, sou apolítico, não filiado a nenhum partido, tenho nojo de politíca e, consequentemente, de políticos, principalmente dos atuais.
Sou a favor sim, dos princípios morais, mas, para meu desapontamento, isso transformou- se em fruta rara nos três Poderes da República no atual governo.
Quero também informar ao colega que leio qualquer publicação e não só O Estado de S. Paulo e a Revista Veja, como também já viajei por meio mundo, portanto vou responder suas indagações com conhecimento, e o que é mais importante, com a independência de um profissional liberal não comprometido com governo nem com imprensa nem com igreja nem com sindicatos ou com quem quer que seja.

Quanto à sua pergunta sobre o que piorou na minha vida durante o governo Lula e as possíveis melhoras em um possível governo Serra, eu diria que não houve nem haverá nenhuma mudança. Nem eu quero que haja, porque de governo, qualquer que seja a tendência ideológica, eu só desejo uma coisa: DISTÂNCIA.

Não dependo nem nunca dependi de nenhum deles. Uma outra afirmativa sua é sobre a melhoria da vida dos mais pobres (por conta do bolsa família, imagino). Minha opinião é que bolsa família não é inclusão social, é esmola, mais precisamente compra disfarçada de votos. O pobre não quer esmola, quer escolas, hospitais,ambulatórios que funcionem na realidade. Nos palanques eleitorais já foi dito até que a medicina pública brasileira está próxima da perfeição. Só que a cúpula do governo, quando precisa de assistência
médica, dirige-se ao Sirio-Libanês ou ao Hospital Israelita e chega em São Paulo em jatos particulares. O colega, como médico, não deve ignorar essa realidade.

Na área rural, falta mão de obra porque o dito trabalhador rural virou parasita do governo e não mais trabalha. Para que trabalhar? eu fico em casa e no final do mês o governo me paga. Essa foi a frase que tive que engolir,
não faz muito tempo, antes de abortar um projeto em minha propriedade rural que empregaria pelo menos de 50 pessoas. Quando optamos pela mecanização, vem um bando de sindicalistas hipócritas junto com a quadrilha do MST, diga-se de passagem foras da lei e baderneiros, financiados com dinheiro público, dizer que a máquina está tirando o emprego no campo.

Outro item a que você se refere é sobre a minha observação, completamente equivocada (equivocada na sua opinião), publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo. Pois é, aquela é a MINHA observação e eu espero que o colega a respeite como eu respeitaria a sua se lá estivesse publicada. E mais se você quiser fazer um giro maior, saindo portanto, da esfera do Estadão e da Veja para fugir do conservadorismo dos mesmos, (conservadorismo também opinião sua – respeito) , verá que existem muitas outras publicações minhas dentro
do mesmo raciocínio, coerência, independência e coragem que tenho para falar o que quero, e assumir totalmente a responsabilidade pelo dito. Colega, por favor, pesquise os seguintes jornais: Diário de Pernambuco (Recife-PE), Diário da Manhã (Goiânia-GO), Gazeta do Povo (Curitiba-PR) , O Dia (Rio de Janeiro-RJ), Jornal O Povo(Fortaleza- CE) e outros, além de dezenas de sites e blogs.

Agora faço a minha primeira pergunta: são todos conservadores e reacionários? Não! são independentes. Não são parte da imprensa submissa e remunerada com dinheiro público, não fazem pubilicidade da Petrobras, do Banco do Brasil da Caixa Economica Federal, do PAC, e o mais importante, não recebem ordens de Franklin Martins, (o Joseph GoebbelsTupiniquin), manipulador de informações, prestidigitador que usa o vulnerável substrato cultural brasileiro, para transformar câncer em voto.

E para encerrar, permita-me fazer mais essas perguntas: O The Economist, o El País,O Le Monde etc. informaram a opinião pública européia sobre as dezenas de escândalos financeiros e morais ocorridos no País nos últimos sete anos e que permanecem impunes por pressão do grande lider e asseclas? Informaram que o Congresso Nacional está tomado por uma quadrilha manipulada pelo Executivo (80% envolvidos em algum tipo de delito) e que conseguiram extinguir a oposição? Informaram que a maior empresa brasileira é estatal e ao mesmo tempo usufruto do governo, e que o mesmo tenta desesperadamente blindá-la contra qualquer fiscalização? Informaram que 40% dos ministros e ex-ministros desse governo respondem a processos por malversação de dinheiro público?

Eu acho que os chefes de estados da Europa não sabem dessas particularidades. Por muito menos estão rolando cabeças no Parlamento Britânico, e com uma grande diferença, o dinheiro lá desviado é devolvido aos cofres públicos; enquanto aqui parte é rateada; parte é para pagar bons advogados, e outra parte é  incorporado ao patrimônio do ladrão.

Casos exaustivamente comentados na imprensa vem ocorrendo há anos com pelo menos cinco indivíduos que hoje fazem parte ativa da base de sustentação do grande líder. Isso para não falar de coisas mais graves como os assassinatos dos prefeitos de Campinas e de Santo André, envolvendo verbas de campanha. Crimes esses nunca esclarecidos e cujos cadáveres permanecem até hoje no armário do PT. Portanto, ver Luiz Inácio Lula da Silva como um líder é querer forçar um pouco. Para mim, ele não passa de papagaio de pirata de Hugo Chavéz. Veja a sua última pérola: “O Brasil acha petróleo a 6 mil metros de profundidade por que não acha um avião a 2 mil”. Isso não é pronunciamento de líder em um evento público envolvendo dezenas de chefes de estado. Isso cairia bem em reunião de sindicato ou em mesa de botequim. Caracteriza oportunismo vulgar.

Moro no Brasil, sei ler e não sinto azia quando leio. Não sou preconceituoso nem radical, modéstia a parte, sou esclarecido, e se combater corrupção é radicalismo, aí sim, sou RADICAL, e estou pronto para qualquer coisa como todo nordestino.. . de caráter.

Atenciosamente.
Humberto de Luna Freire Filho
São Paulo