Erros na estratégia da Microsoft estão custando caro

Tão logo a Microsoft anunciou sua “parceria” com a Nokia, eu dei uma de “guru”, avaliando que não daria certo.
Fiz o mesmo quando o Windows 8 foi anunciado – na época, aliás, um defensor ferrenho do Windows discutiu comigo pelo twitter, dizendo que o Lumia era um sucesso, que a Microsoft acabaria com o reinado do iPad graças ao Windows 8 para tablets etc…. Alguns trechos dessa “conversa” virtual estão AQUI, AQUI e AQUI. Eu seguia o Ricardo, mas quando ele se revelou esse xiita defensor da Microsoft que se recusava a enxergar a verdade, parei.

Eu afirmei que a linha Lumia com o Windows Phone seria um fiasco. Indiquei matérias que revelavam que a própria MS reconhecia que as vendas estavam muito abaixo do esperado, mas ele dizia que não, que o Lumia era um tremendo sucesso.
Disse o mesmo do Windows 8, que naquela época ainda não estava à venda.

A Microsoft parece completamente perdida, e a matéria abaixo (da coluna Link do Estadão) ilustra bem isso (como de costume, grifos meus):

A mistura de interface de tablet e desktop proposta pelo Windows 8 pode ter empolgado a alguns, mas desagradado a tantos outros. Nesta terça-feira, a Microsoft revelou ao Financial Times  que falhou com seu último sistema operacional e está se preparando para alterar alguns de seus aspectos na próxima atualização.

Para especialistas, a substituição do familiar desktop e das barras de tarefas por uma série de “tijolos” personalizados em tela touchscreen foi uma cartada corajosa, mas que confundiu a muitos usuários de PC — que preferiam uma abordagem mais tradicional.

O chefe de marketing e finanças da Microsoft, Tami Reller, disse em entrevista ao jornal inglês que os “elementos-chave” do sistema operacional sofrerão alterações quando a Microsoft lançar uma atualização do sistema operacional, ainda neste ano.

A empresa também admitiu falha em preparar usuários e vendedores para se reeducarem na nova experiência tablet/PC, além de apontar erros de marketing em pontuar diferenciais e pontos positivos do novo sistema operacional em comparação ao Windows 7.
 

“É muito claro que poderíamos e deveríamos ter feito mais”, disse Reller. Para amenizar o fiasco entre usuários de PC, o executivo afirmou que a satisfação dos consumidores do Windows 8 em dispositivos móveis é forte.

Analistas compararam a estratégia falha ao grande fiasco da New Coke, tentativa de reformulação da famosa bebida Coca-Cola nos anos 1980 – que, pela recepção extremamente negativa dos consumidores, fez a empresa voltar atrás em três meses. “Isto (da Microsoft) é como a New Coke se estendendo por sete meses – só que a Coca-Cola prestou mais atenção”, declarou o analista Richard Doherty ao Financial Times.
 

O Windows 8 foi lançado em outubro do ano passado e foi visto como a grande aposta da Microsoft para concorrer com o sucesso da experiência móvel proporcionada pelo iPad, tablet da Apple.Em novembro, uma pesquisa feita pela empresa de segurança Avast com 350 mil clientes do seu software de antivírus revelou que cerca de 70% dos usuários de Windows não queria atualizar seu software para Windows 8.

Qual foi o erro da Microsoft?
Na verdade, foram vários.

Os mercados nos quais a MS sempre foi dominante estavam passando (a rigor, ainda estão) por mudanças profundas, sendo a principal a transição dos desktops para os notebooks e finalmente para smartphones e tablets.
A MS conseguiu estabelecer seu domínio em softwares como sistema operacional e aplicativos de escritório (Office) na época dos desktops, manteve-se competitiva nos notebooks (e estou incluindo laptops, ultrabooks e quaisquer outros termos semelhantes), mas perdeu o bonde da mobilidade quando surgiram os smartphones e depois os tablets.

A Apple tinha a vantagem de primazia com o iPhone e, depois, com o iPad.
Ela desenhou o que seria a mobilidade, e sempre dominou os aplicativos e sistema operacional (iOS) para os produtos móveis.
O Google largou depois, com o Android, e juntou-se a empresas que tinham know-how, canais de distribuição estabelecidos e estavam em ascensão – o caso mais notório é a Samsung, evidentemente.

E o que fez a Microsoft?
Eu chamei, na época, de ABRAÇO DOS AFOGADOS: ela fez uma parceria com uma empresa que estava em queda livre em todos os aspectos – a Nokia estava perdendo mercado, receita, começava a dar prejuízo e não tinha um novo produto a oferecer.
A MS achava que poderia usar o know-how da Nokia, seus canais de distribuição, seu hardware, e finalmente emplacar seu sistema operacional móvel.

Tanto Microsoft como Nokia continuam se afogando.
E a Microsoft se colocou numa situação ainda pior, pois fez mudanças drásticas no seu carro chefe, o Windows.

Vejam que pitoresco: a Microsoft, durante muitos anos, teve a vantagem da primazia nos PCs, pois quase 100% dos computadores pessoais vendidos no mundo vinham com o Windows – então, o primeiro contato de centenas de milhões de pessoas com um computador aconteceu numa plataforma Windows. Ao fazer a mudança radical no Windows 8, a Microsoft jogou fora essa vantagem!
A Microsoft começou como uma pequena fabricante de um software específico, portanto um produto segmentado (na época, a bem da verdade, era quase um nicho, devido ao tamanho reduzido, haja vista que o mercado de computadores pessoais ainda era inexistente).
Graças ao crescimento da IBM, que passou a oferecer o MS-Dos, a Microsoft começou a introduzir suas inovações, e criou o Windows, Word, Excel etc…
Nos anos 1990, ela tornou-se uma empresa massificada, uma gigante do software, e justamente no período em que os computadores pessoais se espalharam mundialmente.
Mas a parceria com a Nokia significava uma volta ao mercado segmentado. A MS não conseguiu.

Talvez pelo tamanho da empresa – que geralmente implica processos pouco flexíveis, demora na tomada de decisões etc – o fato concreto é que a MS lançou seus sistema operacional móvel tarde demais e, ao mudar radicalmente o Windows, abriu mão da ÚNICA vantagem competitiva que ainda tinha: a familiaridade de milhões de usuários do Windows (XP, Vista, 7).
Hoje em dia, o comprador de um computador (desktop, notebook ou afins) tem mais opções.
Se ele quiser uma mudança radical, ele pode comprar, por exemplo, um MacBook (ou iMac, caso queira um desktop), da Apple, inclusive pelo efeito halo gerado por iPod, iPhone e iPad – o sujeito entra no ecossistema da Apple e tem diversas vantagens.

Ao que tudo indica, a Microsoft vai continuar em queda livre.
É possível reverter isso? Claro que sim – mas será preciso corrigir os rumos da empresa. Coisa que, até agora, ela parece não ter percebido ainda.

Windows8 drop1

Alguns dados interessantes para observar o problema da Microsoft no mercado móvel (smartphones e tablets) podem ser observados AQUI.
Além disso, é importante notar a insatisfação dos acionistas da Nokia, como demonstra esta reportagem AQUI.

Continue a tratar o cliente como otário, SKY – enquanto não houver concorrência…

Algumas empresas, por razões que escapam à minha compreensão, gostam de tratar seus clientes como perfeitos otários.
A SKY é uma delas.
Agora há pouco recebi, por e-mail, uma “oferta” da SKY. Peço ao paciente leitor dar uma olhada nas imagens abaixo (tive que “dividir” o print-screen do e-mail, devido à sua extensão):

Firefox 3
Firefox 2
Firefox

Como você pode ver, a SKY está oferecendo “presentes” à minha escolha, a partir dos pontos que tenho acumulados no programa de fidelização deles, intitulado “Viva SKY”.
Infelizmente, os itens apresentados no e-mail levam a marca “Premiere FC”, ligada a futebol – algo que eu simplesmente ODEIO.
Mas isso é o de menos.
Cliquei no rádio para chuveiro (presente na 1a imagem, lá em cima) para ver detalhes, pois tenho os pontos acumulados, e melhor trocá-los por algo que tenha alguma função (a despeito de carregar a marca Premiere FC) do que deixá-los vencer e não ter nada em troca.
Fui direcionado para o site da SKY, fiz meu login, descobri que tenho mais de 12 mil pontos (suficientes, portanto, para tudo ofertado no e-mail exceto o último item, a horrorosa pipoqueira em forma de bola de futebol – isso eu não aceitaria nem que ME pagassem!).

Porém, no site da SKY, os items ofertados são RIDICULAMENTE POUCOS:

Firefox 4

Observe, caro leitor, que passamos de adesivos para controle remoto de gosto duvidoso (que “custam” 400 pontos) diretamente para a HORROROSA pipoqueira em forma de bola de futebol de 15 mil pontos.
NADA intermediário!
Cadê o resto dos “presentes” que a SKY me ofereceu via e-mail?
Nada.
Não tem nada!
Porra, SKY, não faça propaganda enganosa!!!!
Você me oferece “presentes”, mas quando tento resgatá-los não acho nada além de adesivos de controle remoto e pipoqueira na forma de bola de futebol?
Você acha que sou otário?

ATUALIZAÇÃO: Recebi uma resposta, via twitter, da SKY (clique para ampliar):

Não apenas eles acham que o cliente é otário, como também me consideram analfabeto (por não ler as letrinhas miúdas da mensagem – que são miúdas mesmo, algo como fonte Arial 0,1), como eles também devem achar que sou um burro total.
SKY, eu sei que a oferta de itens depende de estoque, mas eu recebi o e-mail ontem às 22:30, e acessei o site menos de meia hora depois.
O e-mail não dizia que a mensagem era válida por apenas 5 minutos!
Ou vocês vão dizer que em menos de 30 minutos acabaram TODOS os itens exceto os adesivos e a maldita pipoqueira-bola ?
Me poupem de desculpas esfarrapadas, que só reforçam a certeza de que vocês adotaram a filosofia da vaca(*) para o cliente.

Quer oferecer um “presente” para o cliente? FAÇA ISSO DIREITO.
Caso contrário, melhor nem oferecer nada, e restringir-se à sua insignificância.

(*) filosofia da vaca = estou cagando e andando.

ENADE 2012 (1)

Hoje, finalmente, consegui ler a prova de Administração do ENADE 2012.

A prova, no geral, está entre ruim e péssima. O lado bom é que a anterior, de 2009, estava entre péssima e medonha. Portanto, houve uma melhora.
Para quem quiser verificar a prova, pode fazer o download AQUI. O gabarito pode ser baixado AQUI.

Como eu havia feito em 2009, pretendo fazer uma análise mais detalhada das questões de marketing e TGA/Administração geral.

Em breve.

Por ora, todavia, quero ressaltar o que o MEC/Inep chama de “formação geral”.

São 8 questões de múltipla escolha e 2 dissertativas, que, somadas, equivalem a 25% da nota geral do ENADE.

A questão 01 não passa de interpretação de texto. Só.
Basta saber interpretar as tabelas com proporção de leitores (de livros) no período 2007-2011 para escolher uma das alternativas.
A questão 02 também: pura interpretação de texto, assim como a 03.
Temas babacas, sem nenhuma relevância.

Na questão 04, porém, a coisa muda: a partir de um trecho curto de um documento do MEC sobre ética e cidadania, o aluno tem que avaliar 3 proposições, quais sejam:

I. Toda pessoa tem direito ao respeito de seus semelhantes, a uma vida digna, a oportunidades de realizar seus projetos, mesmo que esteja cumprindo pena de privação de liberdade, por ter cometido delito criminal, com trâmite transitado e julgado.

II. Sem o estabelecimento de regras de conduta, não se constrói uma sociedade democrática, pluralista por definição, e não se conta com referenciais para se instaurar a cidadania como valor.

III. Segundo o princípio da dignidade humana, que é contrário ao preconceito, toda e qualquer pessoa é digna e merecedora de respeito, não importando, portanto, sexo, idade, cultura, raça, religião, classe social, grau de instrução e orientação sexual.

A pegadinha: o trecho do documento do MEC remete aos “Direitos Humanos” – e a proposição I trata de presidiários (“mesmo que esteja cumprindo pena de privação de liberdade, por ter cometido delito criminal”).
Se o sujeito cometeu um crime e está preso por isso, que projetos ele vai “realizar”?
Só se o projeto de vida do sujeito é ser preso!

Essas perguntinhas cretinas que o MEC adora……

A questão 05 é daquelas de arrepiar os cabelos do cu: pede-se o aluno que aponte uma relação causa-efeito entre globalização, desregulação de mercados financeiros e políticas neoliberais.
Evidentemente essa josta foi redigida por um desses desavisados que o PT alojou no MEC e que acredita que FHC, por exemplo, enquadra-se no perfil de “neoliberal”.
Bobagem.
Como a questão toda, aliás.

A questão 06 trata de financiamento público de estudos nas áreas de “ciências básicas” (termo usado na pergunta). Questãozinha sem pé nem cabeça, que pretende que o aluno faça uma simplificação de um tema bem mais complexo – e provavelmente o aluno de 1o ano nem tem embasamento para tratar disso.

Aliás, o critério (ou ausência de um) do MEC é ridículo: alunos do 1o ano não tiveram, ainda, contato com 90% ou mais do que se pergunta nessa prova – não deveriam, evidentemente, ser obrigados a fazê-la.

As questões dissertativas tratam de “sustentabilidade” (questão discursiva 1) e violência (questão discursiva 2) – em ambas, novamente, pedem-se análises e propostas sem oferecer dados suficientes para sustentar argumentos minimamente razoáveis.

Em suma: um lixo.

Aliás, já adiantando uma questão da parte que compete efetivamente a um graduando em Administração, pulo para a questão 30.

Trata-se de uma questão sobre a Matriz BCG, assunto bastante básico de Marketing.

E qual o problema/falha com a questão?

Ela faz com que o aluno perca tempo desnecessariamente.
Porque: apresenta-se um texto de 3 parágrafos (retirado de uma matéria da Exame), e na sequência mostra-se a figura que sintetiza a Matriz BCG.
A seguir, uma suposição, e 5 alternativas.
A única alternativa sensata é a “A”, mas a questão certamente obriga alunos possivelmente nervosos a ler um texto inútil e quiçá buscar nele a explicação para assinalar a alternativa correta.

Bobagem. Basta identificar que o produto VAI SER LANÇADO para enquadrá-lo como ponto de interrogação logo de cara.
Só isso.

Mais uma vez, portanto, o graduando é obrigado a passar por uma provinha RIDÍCULA, mal-feita, incapaz de avaliar a capacidade do formando, incapaz de lidar com questões realmente importantes.
A educação no Brasil está uma desgraça.

E tende a piorar.

PS – Para quem se interessa pelo assunto EDUCAÇÃO, sugiro fortemente a leitura deste artigo AQUI. Trata-se de uma análise extremamente bem estruturada sobre essa praga que ganhou o apelido de “preconceito linguístico”, um nome inventado por gente que quer manter os índices de analfabetismo funcional alarmantemente altos no Brasil do jeito que estão; pessoas que infelizmente estão em postos-chave da educação no país, mas que usam uma terminologia rasa e ignorante para tentar minimizar a importância da educação – em tese, isso seria uma contradição, mas no Brasil….

Privatização da Vale e dominação da Petrobras

Depois que escrevi sobre a Vale e sobre a Petrobras (alguns textos anteriores: 1, 2, 3 e 4), recebi algumas mensagens interessantes. Algumas eram besteiras do mesmo baixíssimo nível que eu havia demonstrado no texto de 23 de Abril de 2013 (AQUI).

Outras, porém, eram mensagens de pessoas realmente interessadas no assunto. Que ótimo!

Contudo, o que ficou bastante claro para mim é que o maior problema quando se trata de discutir o tema PRIVATIZAÇÃO no Brasil é o desconhecimento do assunto. Essa ignorância (por vezes no bom sentido, muitas vezes no mau sentido) generalizada tem como causa uma série de fatores, dentre os quais eu citaria:

(1) gritante incompetência do PSDB em defender o seu legado – ainda que não “perfeito”, o processo de desestatização conduzido pelo FHC foi crucial, juntamente com o Plano real, para tirar o Brasil do poço no qual se encontrava, mas para o qual, infelizmente, está voltando;

(2) pouco interesse por parte da população em geral – o que acarreta o próximo item;

(3) pouco interesse da mídia em geral em explicar o que realmente é o conceito de PRIVATIZAÇÃO;

(4) gritante hipocrisia e mitomania crônica por parte do PT (e demais partidos que servem para alojar os mais radicais e sem voto, tipo PSTU, PCO, PSOL etc), que era ferrenho opositor das privatizações, segue explorando as mentiras e falácias que cercam esse tema, mas fazem, eles mesmos, as privatizações que lhes interessam.

Independentemente das causas, quero tratar mais é do conceito em si – e, mais importante, dos resultados. A Vale (antigamente chamada Vale do Rio Doce) foi privatizada em 1997. Mais precisamente em 06/05/1997. O consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), adquiriu o controle acionário da Vale por R$ 3.338.178.240,00. Espalharam-se diversas mentiras sobre os valores envolvidos no processo de privatização da Vale.

O PSTU, por exemplo, afirma AQUI que a Vale foi vendida por R$ 3,3 bilhões mas tinha um lucro líquido de R$ 12,5 bilhões. Mentira. Somente em 2000 o lucro líquido da Vale ultrapassou a barreira do bilhão. Em 1997, quando foi privatizada, ela lucrou US$ 629 milhões brutos e US$ 319 milhões líquidos.

Um parêntesis: essas informações falsas, escancaradamente mentirosas, circulam há anos pela internet, em blogs e sites criados exclusivamente para defender mentiras e piorar o problema da desinformação. Exemplos não faltam – e, como pode ser visto, não faltam pessoas mal-intencionadas, inescrupulosas ou extremamente burras que a cada boato ou mentira acrescentam mais 1 ou 2 bobagens, de tal sorte que no final a mentira vira um roteiro de novela da Glória Peres, cheia de absurdos e coisas descabidas, mas tem gente que acredita!

Exemplo rápido: AQUI. O sujeito começa reproduzindo a “nota” do site do PSTU, que já estava toda errada – PIOR: ele indica como “fonte” um link do Yahoo Respostas. Fonte extremamente confiável, né?! Vejamos o tipo de perguntas e respostas que o Yahoo Respostas oferece:

Firefox 2

As “respostas” e comentários que se seguem, aliás, são sintomáticos da ignorância, da propagação de mentiras e distorções. Mas o sujeito não se contenta, e acrescenta bobagens inomináveis.

Reparem no título do “post” do blog do sujeito: reclama que a Vale foi vendida por “apenas” 3 bilhões, mas lucrou R$ 20 bilhões em apenas 9 meses. Detalhe: a venda foi em 1997 (e mais adiante retomo a questão dos R$ 3 bilhões), e os R$ 20 bilhões referem-se a uma notícia publicada pelo jornal O Globo EM 2010, OU SEJA, TREZE ANOS DEPOIS DA PRIVATIZAÇÃO.

Sim, o sujeito não tem a mais vaga idéia de que é preciso fazer alguns cálculos para comparar resultados financeiros TREZE ANOS depois de um fato (valor presente/futuro, depreciações e amortizações, deflacionar valores etc).

A notícia do jornal O Globo está AQUI. O link consta do blog do ignorante, assim como a matéria, mas tudo é tratado de forma distorcida, criando uma mentira simplesmente absurda.

Porém, tem gente que acredita!

Mais um detalhe: a falta de contextualização. O crescimento percentual divulgado em 2010 tem relação direta com a crise de 2008, que DERRUBOU negócios internacionais da Vale (veja nos gráficos mais abaixo). Fora de contexto, um crescimento de 200% parece uma coisa incrível, porém a base de comparação é que é muito baixa, devido à crise.

Claro que o sujeito que fez uma atrocidade de um blog daqueles não se dá ao trabalho de verificar nada disso.

AQUI temos mais um escrevendo bobagens, coisa claramente feita à base de CONTROL+C/CONTROL+V. Existem, ainda, aqueles que tentam dar um verniz mais polido à desinformação – mas ela continua sendo, apenas e tão somente, desinformação. AQUI temos este exemplo.

Mais uma coisa: esse pessoal desinformado (ou apenas mal intencionado mesmo) vive dizendo que o José Serra foi o responsável pelas privatizações na época do FHC.

Errado. Ele era Ministro do Planejamento na época de APENAS DUAS privatizações (essa imagem foi usada numa reportagem da Exame ou da Veja, não lembro ao certo, na época da eleição de 2012, quando houve um debate entre a Dilma e o Serra, e a Dilma, claro, soltou as bobagens que lhe são características; salvei a imagem, mas infelizmente não guardei a reportagem inteira ou o link):

Privatizações
Pronto, chega de parêntesis – são incontáveis os blogs e sites que publicam coisas risíveis sobre a Vale. Você pode localizá-los rapidamente no Google.

Mais complicado, porém, é localizar informações REAIS e confiáveis.Vamos voltar ao mundo da realidade? A imagem abaixo mostra alguns números interessantes – e básicos, sem os quais não é possível seguir nesta discussão (clique para ampliar):

ValeVemos ali, de forma muito clara (exceto para aqueles obtusos que insistem no lenga-lenga de “vendeu a preço de banana! Entreguista!”) que de 1997 em diante a Vale teve um crescimento vertiginoso em termos de receita, lucros e valor de mercado.

A imagem é de uma extensa reportagem do ValorEconômico de Novembro de 2010 (AQUI, para assinantes), por isso inclusive os dados cobrem até 2010.

A venda do controle acionário da Vale foi concretizada por $ 3,3 bilhões de dólares, na ocasião, e o que foi leiloado NÃO FOI TODA A EMPRESA: o que foi privatizado equivalia a 27% do capital total da empresa, antes pertencente à União, que representavam 41,73% das ações ordinárias (com direito a voto).

Isso é muito importante por uma razão simples: os mal-informados e/ou mal-intencionados em geral (sim, PT, PSTU, PSOL, PCO, CUT e comparsas, vocês mesmo!) gostam de dizer que o governo vendeu A EMPRESA POR 3 BILHÕES.

ERRADO: o governo vendeu 27% do capital total da Vale do Rio Doce.

Para quem quiser verificar a composição acionária ATUAL da empresa, eis AQUI o link que eu já havia indicado antes, para download em PDF.Atualmente (dados de março de 2013), a Valepar controla 53,9% da Vale.

Isso significa que a Valepar é quem toma as decisões da empresa.

E quem é a Valepar? Para quem não sabe, quando usa-se o sufixo “PAR” no nome da empresa, via de regra, estamos nos referindo ao termo “PARTICIPAÇÕES”. Trata-se, pois, de um consórcio de empresas.

No caso da Valepar, eis aqui as empresas que formam o consórcio:
1) Litel/Litela (fundos de investimentos administrados pela Previ) com 49% das ações,
2) Bradespar com 17,4%,
3) Mitsui com 15%,
4) BNDESpar com 9,5%,
5) Elétron (Opportunity) com 0,03%.
Devemos lembrar que as ações da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) e do BNDES totalizam cerca de 58% das ações da Vale – e, na prática, o governo ainda tem influência direta sobre a maioria. A rigor, o ÚNICO estrangeiro sócio da Valepar é o grupo japonês Mitsui

Cadê o “entreguismo”?
Ficou preso nas mentiras e desinformação da turminha de sempre.

VOLTANDO AOS RESULTADOS: a partir da privatização, a Vale melhorou sob qualquer ótica que se queira analisá-la. Os gráficos acima mostram isso de forma clara, cristalina.

Aqueles que desejarem aventurar-se nos resultados contábeis desde 1997, ano da privatização, poderão fazê-lo AQUI – trata-se do relatório OFICIAL da empresa, entregue ao órgão fiscalizador da bolsa de New York, que a Vale preparou para prestar contas aos acionistas.

Trata-se de material extenso, OFICIAL, auditado e que não poderá ser entendido ou tampouco analisado por nenhum dos ignóbeis que adoram falar em entreguismo, privataria e termos correlatos. Eles não teriam QI para tanto – até porque costumam sofrer de analfabetismo funcional nível 4.

Por que a empresa melhorou tanto? Vários fatores influenciaram.

O mercado da Vale cresceu muito, especialmente entre 2005 e 2007, devido à fortíssima demanda por minérios de ferro. Neste ponto, a Vale deve agradecer especialmente a China, que passou a comprar volumes estratosféricos de praticamente todos os produtos da empresa.

Outro fator imprescindível á a GESTÃO PROFISSIONALIZADA, coisa quase impossível em empresas estatais – e mais utópica ainda em estatais BRASILEIRAS, país com altíssimo grau de corrupção.

A Vale incorporou a INCO, empresa canadense, em 2006. Após essa incorporação, o novo conglomerado empresarial CVRD Inco tornou-se a 31ª maior empresa do mundo, atingindo um valor de mercado de R$ 298 bilhões, ultrapassando assim a IBM e superando a Petrobras em cerca de R$ 8 bilhões.

Enquanto a Vale cresceu por conseguir aproveitar um mercado em plena expansão e por ter uma gestão profissionalizada capaz de aproveitar esse mercado aquecido, a Petrobras conseguiu o oposto: a despeito do crescimento contínuo do mercado de petróleo (exceto em 2008, devido à crise nos países desenvolvidos), a empresa tem registrado queda dos lucros, da produção e do valor de mercado, conforme eu já havia demonstrado AQUI.

Finalmente, para quem se interessar em ler mais sobre a gestão da Vale, antes e depois da privatização, sugiro esta dissertação AQUI. Trata-se de dissertação de mestrado da FGV/RJ, e pesquisa a questão de gestão de mudanças e inovações organizacionais.

OBS.: As privatizações do setor de telefonia também são alvo de críticas infundadas, desinformação, extrema má-fé e discurso retrógrado típico das esquerdas – até mesmo dessa esquerda-caviar vagabunda que temos no Brasil. Este artigo é um bom começo para quem quiser se aprofundar ainda mais no assunto.

Explicação da aprovação: educação

Periodicamente, diversos institutos de pesquisa fazem levantamentos para medir a aprovação dos governos federal, estadual e municipal.

Alguns institutos são sérios, outros são apenas Vox Populis da vida.

Não vou fazer aqui um longo e detalhado levantamento de diversas destas pesquisas, apenas uma serve para dar uma idéia do contexto (a matéria é longa, e pode ser lida na íntegra AQUI):

O governo de Dilma Rousseff teve a aprovação de 63% dos brasileiros, de acordo com a pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com o Ibope divulgada nesta terça-feira (19) em Brasília.

Já a aprovação pessoal da presidente também variou dentro da margem de erro e chegou a 79% — estava em 78% na última pesquisa. O dado é superior ao igual período de Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Lula era aprovado por 58% e FHC por 70%. Apenas 17%, segundo a pesquisa divulgada hoje, desaprovam o jeito da presidente de governar.

Esta é a primeira pesquisa deste ano e também a primeira após a divulgação do crescimento de 0,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2012, pior resultado desde 2009. O índice divulgado hoje é um ponto percentual maior que o registrado na última pesquisa, publicada em dezembro de 2012 e está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

De acordo com a pesquisa, 29% dos entrevistados consideraram o governo regular e 7% desaprovam o governo, avaliando como ruim e péssimo.

A pesquisa avalia trimestralmente a opinião pública com relação à administração federal. A CNI/Ibope entrevistou 2.002 pessoas em 143 municípios entre os dias 08 a 11 de março de 2013. O índice de confiança na presidente também manteve a tendência de crescimento e subiu de 73% em dezembro de 2012 para 75% em março de 2013. Considerado o mesmo período, seu antecessores no Palácio do Planalto tiveram avaliações menores: Lula, 60% e FHC, 68%.

Outro destaque desta edição da pesquisa foi o fato de que esta é a primeira vez que Dilma ultrapassou Lula em relação à avaliação positiva. O número de entrevistados que acreditam que o governo Dilma é melhor que de seu antecessor cresceu de 19% para 20%. No entanto, a maioria (61%) continua a avaliar como “iguais” os dois governos petistas. Os demais 18% consideram o governo de Dilma pior que o de Lula e 2% não sabem ou não responderam.

No Nordeste, a avaliação da presidente é superior à obtida em outras regiões – o índice de nordestinos que consideram “ótimo” ou “bom” o governo foi a 72% frente os 68% da avaliação de dezembro, enquanto as outras regiões registraram 60% de avaliação positiva.

Os entrevistados foram questionados sobre a atuação do governo federal em nove áreas. As ações de combate à fome e à pobreza, meio ambiente, combate ao desemprego e combate à inflação foram aprovadas respectivamente por 64%, 57%, 57% e 48% dos entrevistados.

Já os setores de ações governamentais nos setores de educação, taxa de juros, impostos segurança pública e saúde foram desaprovadas respectivamente por 50%, 50%, 60% 66% e 67% dos entrevistados.

A percepção dos entrevistados sobre o noticiário a respeito das ações do governo foi positiva. Os assuntos mais lembrados entre os entrevistados foram a presença da presidente na tragédia em Santa Maria (RS), com 12%; o governo descartar a possibilidade de apagão (10%); a redução dos impostos da cesta básica (7%); a votação da lei de distribuição dos royalties do petróleo (7%) e o aumento do salário mínimo para R$ 678 (6%).

Notícias sobre corrupção ligadas direta ou indiretamente ao governo federal não foram lembradas nesta edição pelos entrevistados. O tema foi lembrado por 30% dos entrevistados em dezembro de 2012, como resultados das informações divulgadas do julgamento do caso do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).

Grifei, em negrito, alguns trechos significativos.

Mas… significativos por quê?

Para ajudar a entender as razões da aprovação tão alta.

Agora vamos a outro contexto, diretamente relacionado (novamente, com grifos meus):

O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.

A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países. Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong.

Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.

Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados.

Para Michael Barber, consultor-chefe da Pearson, as nações que figuram no topo da lista valorizam seus professores e colocam em prática uma cultura de boa educação.

Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.

Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.

“A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa [sistema de avaliação europeu] do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos”.
[…] 

Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira “cultura” nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo. Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking. Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas. Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um “valor moral” concedido à educação muito parecido.

O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários. Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais.

A matéria completa, contendo o ranking na íntegra, está AQUI.

Evidentemente há várias razões que explicam a popularidade de um presidente, governador ou prefeito.

Contudo, é bastante evidente que a baixíssima qualidade do ensino e da educação no Brasil ajudam a entender porque uma incompetente como a Dilma Rousseff mantém índices de aprovação elevados, a despeito da perda de controle da inflação, crescimento ridiculamente baixo do PIB, estagnação dos investimentos, incertezas jurídicas, mentiras descaradas em rede nacional de rádio e TV, mais mentiras, total desmantelamento da capacidade de investimento e produção do setor elétrico, infra-estrutura sucateada, corrupção desenfreada e toda a desgraça que o Brasil vem enfrentando nestes 10 lamentáveis anos de desgoverno corruPTo e incomPTente.

Aliás, uma perguntinha àqueles que atribuem às pesquisas de popularidade e aprovação alguma credibilidade: se a Dilma é tão popular como indicam as pesquisas, por que ela se escondeu ontem, 1.o de Maio, dia em que políticos sempre fazem aparições em comícios e shows das centrais sindicais (eventos devidamente bancados com milhões de reais que os trabalhadores e empresários pagamos graças às mamatas chamadas “contribuições sindicais”) ?

Por que a Dilma escondeu-se numa rede nacional de rádio e TV, evitando contato direto e real com o público ?

Por quê ?

381397 589177104435505 1793098917 n

Dilma

Aplicativos de mensagens: aliados ou inimigos ?

Notícia muito interessante publicada no blog Link do Estadão:

O número de mensagens enviadas por aplicativos como o WhatsApp superou o volume de SMS enviado no ano passado em todo o mundo e deve dobrar até o fim deste ano, diz um estudo divulgado pela consultoria europeia Informa.

Em 2012, foram 19 bilhões de mensagens enviadas por dia por meio desses aplicativos, contra 17,6 bilhões de SMS. O contraste será ainda maior em 2014, quando serão enviados 21 bilhões de SMS contra 50 bilhões de mensagens via apps.

Apesar do crescimento desses aplicativos no mercado, os dados mostram que o volume de SMS vai continuar aumentando. Isso se explica, entre outros motivos, porque os usuários desses apps não deixam de usar SMS para se comunicar, por exemplo, com aqueles que ainda não possuem um smartphone.

A situação para as operadoras de telefonia, no entanto, fica cada vez mais difícil. O IDC divulgou na semana passada que no primeiro trimestre deste ano as vendas de smartphones superaram pela primeira vez a venda dos ”feature phones”, como são chamados os celulares tradicionais. Do total de 418,6 milhões de celulares que saíram das fábricas, 51,6% eram smartphones.

Chama a atenção o fato de que o número de usuários de apps de mensagens é bem inferior ao de usuários de SMS. A Informa estimou que atualmente seis dos mais famosos aplicativos no mercado (WhatsApp, BlackBerry Messenger, Viber, Nimbuzz, iMessage e KakaoTalk) possuem, juntos, 586,3 milhões de usuários, ante 3,5 bilhões de usuários de SMS em 2012.

Os dados sobre o crescimento desses aplicativos se tornam ainda mais assombrosos quando se considera que esses apps chegaram ao mercado há cerca de cinco anos, enquanto o SMS completa 20 anos de existência.

Para a Informa, as operadoras de telefonia móvel precisam tomar medidas rápidas se quiserem conter a diminuição da receita com SMS. Uma saída para elas, segundo a empresa, seria investir em apps de mensagens próprios para concorrer nesse mercado. A Telefônica, por exemplo, lançou no Reino Unido o Tu Go, aplicativo que permite o envio de mensagens e a realização de chamadas telefônicas a partir de uma conexão com a internet.

Trata-se de uma tendência num mercado em plena ascensão: no mundo inteiro, pessoas estão trocando seus celulares antigos pelos modelos conhecidos como “smartphones”, os celulares inteligentes – que têm diversos aplicativos variados, e tentam, em maior ou menor grau, substituir um computador com a facilidade de ser móvel, caber no bolso/a.

Enquanto isso, as operadoras de telefonia móvel têm razões de sobra para se preocupar: pacotes de SMS tendem a ser menos procurados, o que afeta a receita das telefônicas.

Elas devem se unir à tendência e fazer parcerias com apps de mensagens, ou devem “brigar” com a tendência?

É preciso considerar o seguinte: os clientes de telefonia celular no Brasil têm péssimas avaliações das operadoras – ligações cortadas, ausência de sinal, lentidão da internet móvel, cobranças erradas etc… Diante de tal grau de insatisfação generalizada, aplicativos que não tenham vínculo com nenhuma operadora teriam uma vantagem competitiva, certo?

Depende.

A matéria cita o serviço lançado pela Telefonica no Reino Unido (Tu Go). Infere-se que a Telefonica avaliou que não poderia ficar de fora do mercado de mensagens via internet – a empresa considera estes aplicativos um complemento (ou talvez EVOLUÇÃO) do tradicional serviço de SMS. Ela passa a ter, assim, 2 fontes de receita: o tradicional SMS e o novo aplicativo do tipo WhatsApp. Desta forma, se o mercado de SMS realmente desaparecer (ou se sofrer uma redução drástica em termos de volume), a empresa garantiria uma outra fonte de receita com um serviço cujo objetivo central satisfaz a mesma necessidade (mensagens instantâneas, via celular).

Por outro lado, considerando-se o grau de insatisfação dos clientes brasileiros, é de se imaginar se as pessoas aceitariam usar um serviço que carregue o nome/marca da Vivo, TIM, Claro ou Oi.
Ora, o sujeito está irritado com a operadora (qualquer que seja) porque a ligação vive caindo, ou nunca tem uma conexão rápida à internet – então, esse  sujeito dificilmente vai acreditar que o aplicativo da sua operadora possa ser muito melhor.

Enquanto as operadoras não obtiverem uma avaliação mais favorável por parte dos clientes, associar sua marca a um aplicativo concorrente do iMessage ou WhatsApp não me parece uma boa idéia – inclusive porque estes aplicativos dependem da disponibilidade de conexão à internet móvel.

 

Technorati Tags: , , , , ,