O cliente sem noção

Já escrevi no Marketing-Room (que agora foi “mesclado” com os posts daqui) sobre clientes sem noção, o que contraria aquela máxima de que “o cliente sempre tem razão”. Isso é bobagem: existe uma quantidade IMENSA de clientes sem noção, sem razão nenhuma.

Tenho o hábito de ler as cartas publicadas no Guia da Folha, toda sexta-feira. Destaco uma, em particular (na edição de 28 de Agosto último):

Um amigo e eu fomos ao Reserva Cultural no dia 25/7. Chegamos na bilheteria por volta das 21h para assistir ao filme “Enquanto o Sol Não Vem”, às 21h10. Na hora de comprar a entrada, recebemos dois ingressos para “Bem-Vindo”, que eu já assistira. Ao olharmos o ingresso, só notamos o horário: 21h30. Fomos jantar num restaurante próximo, voltamos por volta das 21h40 e fomos direto para a sala anotada no ingresso. Quando entrei, percebi que era o filme que já assistira. Como meu amigo ainda não tinha visto, decidiu ficar, e eu retornei à bilheteria para tentar trocar o meu ingresso. A atendente disse que nada poderia fazer, e o gerente foi mais enfático ainda: “Foi o seu amigo quem errou, não posso consertar”. Resultado: devolvi o ingresso junto com o cartão recém-carimbado para o gerente, dizendo que nunca mais pisaria naquele cinema.
Marilin Novak, 34, jornalista

Resposta de EDSON RIBEIRO, GERENTE DO RESERVA CULTURAL
Com a compra do ingresso, o cinema garante ao consumidor um assento. O Reserva Cultural apenas troca ingressos ou devolve o dinheiro antes do início da sessão. Depois de iniciado o filme, é inviável vender novos ingressos para aquele assento, que, no caso, estava disponível para a cliente. Infelizmente, ela foi à bilheteria 20 minutos após o início da sessão, sem a presença da pessoa que efetuou a compra dos ingressos.

Perceba, caro leitor, que esta cliente do cinema fez tudo errado:
1) O filme que ela queria assistir começava às 21:10. Ela e o amigo compraram o ingresso (e nem se deram ao trabalho de verificar se era o ingresso do filme que desejavam ver), foram jantar, e só retornaram às 21:40 – ou seja, 30 MINUTOS após o horário marcado para o início do filme. Eu DETESTO movimentação de gente na sala de cinema após o início do filme – e esta cliente sem noção da carta acima parece integrar o grupo dos pentelhos que ficam “desfilando” diante da tela do cimena em busca de lugares bons após o início do filme, bloqueando a visão de quem respeitou o horário e já está sentado para ver o filme escolhido. Uma sem noção profissional!

2) A cliente sem noção comprou o ingresso, mas NÃO conferiu o que comprou no momento certo – ou seja, logo após receber o ticket da bilheteria.

3) Além de ter ignorado o horário das 21:10, o ingresso indicava que a sessão daquele filme (o que ela já assistira, mas “esqueceu” ou “não verificou”) começaria às 21:30, mas ela e o amigo só chegaram às 21:40… Repito o que disse no item 1: O HORÁRIO DE INÍCIO DO FILME FOI DESRESPEITADO NOVAMENTE! Esta cliente sem noção e o amigo dela conseguiram cagar na entrada e na saída: atrasaram-se para os dois filmes – o que começava às 21:10 e o outro, que começava às 21:30. Santa falta de educação, Batman!

4) A cliente sem noção só fez merda, mas em sua carta ela tenta “culpar” o gerente e o cinema (Reserva Cultural). Para piorar, ela termina a carta afirmando que “nunca mais pisaria naquele cinema”.

Prezada cliente sem noção: as empresas sérias (e não sei se o Reserva Cultural se enquadra nesta categoria, pois não conheço) dariam graças a deus por você não voltar!

Uma cliente sem noção, histérica, que decerto foi grosseira com os funcionários do cinema na tentativa de conseguir o que queria – exatamente como crianças mimadas, que se atiram ao chão e fazem um escândalo quando têm suas vontades fúteis negadas pelos pais – não faz falta. Vá mesmo.

Este tipo de cliente é melhor ser encaminhado para a concorrência……

2 comentários sobre “O cliente sem noção

  1. Avatar de Marcio Zanata Marcio Zanata 17 de fevereiro de 2015 / 17:35

    Gostei muito do post, conheço algumas poucas pessoas que se enquadram como clientes sem noção, graças a Deus são poucas mesmo, gostei da parte que fala que se parecem com crianças mimadas que tem seus desejos negados, como pode, pessoas adultas agirem como crianças?!!!

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