IPEA, FAO, IBGE: dados, estatísticas, erros e desinformação

Há alguns meses, o IPEA foi protagonista de uma situação constrangedora: divulgou uma pesquisa sobre estupro que causou uma repercussão imensa. A pesquisa, descobriu-se pouco tempo depois, estava completamente errada. Não se tratou de um ou dois errinhos, não; eram erros tão amplos, crassos e profundos que o melhor a fazer era jogar toda a pesquisa no lixo e fingir que aquilo jamais aconteceu.

Há poucos dias, veio à tona um estudo da FAO (órgão inútil da ONU presidido por um petista) que também estava baseado em dados falsos. Sobre isso, aliás, eis aqui um vídeo curtinho, claro, objetivo e altamente revelador:

Como sempre acontece, esse tipo de notícia vira base para que alguns ignorantes, que não entendem nada de dados e metodologia de pesquisas, soltem suas bobagens:

Hoje tivemos a cereja do bolo: o IBGE divulgou nota oficial e convocou coletiva de imprensa para avisar que os dados da PNAD que haviam sido divulgados ONTEM continham erros tão graves que, após revisados, alterariam sobremaneira grande quantidade das conclusões apresentadas ontem à imprensa.

Esse tipo de ocorrência é grave, séria.

Uma coisa é um(a) candidato(a) dizer coisas diferentes em momentos diferentes – vejamos, por exemplo, Dilma Rousseff, que em 2010 era favorável à autonomia do Banco Central, mas em 2014 está produzindo mentiras sobre o assunto em virtude da posição da Marina Silva:

2014-09-12 13.55.46

Infelizmente, como imensa maioria da população tem memória fraca e pouco conhecimento sobre 90% dos assuntos econômicos, esse tipo de vai-e-vem de opiniões é comum entre candidatos (a qualquer cargo, registre-se).

Outra coisa, completamente diferente, é vermos órgão estatais ESPECIALIZADOS no assunto cometendo barbeiragens como esta do IBGE, do IPEA ou da FAO.

A despeito de achar que 90% das colunas do José Roberto de Toledo (do Estadão) merecem no máximo a lata do lixo, nesta ele acertou (íntegra AQUI):

Não há hora certa para fazer bobagem, mas não poderia ter sido pior o momento para o IBGE errar como errou na divulgação da PNAD 2013. Imediatamente o instituto virou matéria prima para teorias da conspiração eleitorais. “Maquiagem” foi a palavra da hora nas redes sociais. Mas foi só incompetência mesmo.
O ônus de admitir um erro dessa magnitude na reta final da sucessão presidencial é tão grande que só uma “maquiagem” completa para embelezar os indicadores poderia justificá-lo. Não foi o que aconteceu. Vários indicadores ficaram mais feios.
A renda, por exemplo, cresceu só 3,4% de 2012 para 2013 – muito menos do que os 5,1% divulgados na véspera. O analfabetismo caiu menos ainda (0,2 ponto, e não 0,4), a média de anos de estudo da população foi de 7,5 para 7,6 e não para 7,7 como se pensava.
O que não ficou mais bonito tampouco ficou menos feio: a taxa de desemprego nacional cresceu mesmo, de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Se fosse para fazer uma cirurgia plástica nos dados, esse teria sido um número a sofrer lipoaspiração.
Um dos poucos indicadores que melhorou foi o da desiguldade medida pelo índice de Gini. Quanto menor, melhor. E o Gini de todas as fontes de renda caiu de 0,505 para 0,501 (antes de o erro ser detectado, tinha ficado igual). E o Gini da renda de todos os trabalhos foi de 0,496 para 0,495 – em vez de 0,498. Ou seja, não virou nenhuma Gisele Bundchen estatística.
Qual foi o erro, então? A PNAD não é uma simples amostra da população brasileira. Ela é uma série de amostras estaduais e regionais que depois são combinadas à amostra nacional. O IBGE faz isso para poder extrapolar os resultados por região metropolitana, por exemplo. É uma prática comum em pesquisas.
Em eleição os institutos fazem isso quando querem pesquisar a intenção de voto nacional para presidente e, ao mesmo tempo, saber como os paulistas vão votar para governador, por exemplo. Amplia-se o tamanho da amostra em São Paulo apenas, para aumentar a confiabilidade dos dados. Mas na hora de calcular a taxa de intenção de voto para presidente em todo o Brasil, faz-se uma regra de três para dar o peso correto à amostra paulista.
Segundo o IBGE, alguém esqueceu de fazer isso com as amostras das regiões metropolitanas de vários Estados. Assim, elas ficaram com um peso desproporcionalmente grande na amostra do Brasil – por isso os dados educacionais pareciam melhores do que eram de fato, já que a escolarização é maior nas metrópoles.
Apesar de tudo, foi importante o IBGE ter admitido o erro e publicado os resultados certos com clareza – comparando-os aos errados, para todo mundo saber onde estavam os problemas. A PNAD é o melhor termômetro do que acontece com o Brasil. Sem saber se há febre ou não, é difícil acertar o diagnóstico e o remédio.
O erro amassou a reputação do IBGE, mas reconhecê-lo de pronto era a coisa certa a fazer. Maquiagem seria tentar escondê-lo.

Claro que surgirão teorias da conspiração e questionamentos sobre a lisura do IBGE. É do jogo.

Ao mesmo tempo, em virtude da postura totalitária do governo (que exige demissão de funcionário do Santander por enviar a seus correntistas uma análise tecnicamente correta e impecável, mas que desagradou à Presidente que se acha a Rainha do Amazonas; ou querer expulsar do país um repórter do New York Times que escreveu uma matéria tecnicamente correta, ainda que fraca, sobre os hábitos de um ex-presidente bebum), é compreensível que surjam dúvidas sobre os motivos que levaram o IBGE a voltar atrás em apenas um dia.

Eis aqui um artigo curtinho do Reinaldo Azevedo sobre o caso:

O IBGE mobiliza uma tropa de técnicos para processar as informações colhidas pela Pnad. Se a rotina não mudou, há todo um processo de conferência de dados. Mais: há procedimentos justamente para capturar eventuais erros antes da divulgação. Fazer de conta que estamos diante de uma narrativa corriqueira corresponde a tapar o sol com a peneira. Não estamos.

Então, depois de uma demora que também não teve a devida explicação, os dados são divulgados, constata-se a estagnação da redução da desigualdade, o tema ganha óbvia tradução política — e nem poderia ser diferente —, e, com rapidez espantosa, corrige-se o “erro” e se obtém o resultado desejado? “Ah, a desigualdade continua em queda”. Que bom, né? A oposição já não poderá mais usar esse argumento.

Estou acusando o IBGE de ceder à pressão oficial? Não exatamente. Se achasse, diria. Mas que devemos estranhar o procedimento, ah, isso devemos, sim.

Reitero: o que me espanta é o fato de checagens periódicas, que fazem parte do método de processamento de dados, não terem identificado, durante meses, um erro tão sério, depois identificado num único dia.

O que se passa no IBGE? Não sei. Nenhuma possibilidade é boa.

Depois disso tudo, o governo incompetente e totalitário do PT anunciou que irá criar comissões para avaliar os erros. Essa gente pitoresca adora “comissões” e “grupos”, né?! Elas jamais conseguem produzir nada, mas são criadas às pencas.

Que o IBGE errou não há dúvida.

A questão é compreender qual a extensão e a gravidade dos erros. Conforme apontou Cristiano Romero, excelente jornalista do Valor Econômico:

Pessoalmente, eu tenho um trabalhão tentando mostrar aos meus alunos o tanto de estatísticas oficiais que se pode obter GRATUITAMENTE junto aos órgãos especializados, e o quanto estas informações são úteis para se fazer um plano de negócios, o plano de marketing, análise da concorrência etc. Eu costumo, sempre que o tempo permite, mostrar a eles sites do próprio IBGE, da Fundação Seade, da FGV-Dados, do IPEA (esse eu abandonei, porque o Pochmann destruiu o coitado) etc, e como eles podem usar os dados de forma prática.

Não é trabalho fácil.

O site do IBGE, por exemplo, tem a SIDRA, um banco de dados gigantesco mas bastante difícil de ser usado por quem não tem alguma experiência com bancos de dados e estatísticas nacionais. Mas eu tento mostrar-lhes alguns “truques”.

E fatos como esse que aconteceu hoje acabam minando a credibilidade de órgãos sérios, aonde trabalham pessoas extremamente sérias e competentes. Estas pessoas, entretanto, acabam prejudicadas por chefias preenchidas com indicações políticas ou então pressões vindas de governos pouco afeitos à democracia.

Lastimável.

Luciana, você precisa estudar

Num momento de masoquismo extremo, assisti à “entrevista” da Luciana Genro ao The Noite do Danilo Gentili. O vídeo segue abaixo:

Em certo momento, depois de falar várias bobagens homéricas, ela disse que o Danilo deveria estudar mais.

Na verdade, quem PRECISA estudar é ela, Luciana, que concatenou uma série de bobagens sobre o mercado de capitais para atacar a “financeirização da economia”, seja lá o que ela ache que isso poderia vir a ser – mas não é.

Vou deixar de fora todas as bobagens que ela falou sobre o socialismo (momento no qual ela soltou o “vai estudar, Danilo”), porque ela não sabe nada sobre o assunto – mas se acha no direito de falar as mentiras e deturpações que são parte do combo ideológico do PSOL, do PSTU e das demais matilhas de boçais assemelhadas. O tweet abaixo desmonta a presepada da linha auxiliar do PT em menos de 140 caracteres:

O principal aqui é destacar as BURRICES que a Luciana Genro cometeu quando falou sobre bolsa de valores e mercado de capitais.

É assombroso que alguém que almeja ser Presidente da República (felizmente jamais será) não tenha NENHUM conhecimento mais elementar e básico sobre as funções da bolsa de valores e o funcionamento do mercado de capitais no geral. Não foi a primeira vez – muito pelo contrário! – que a Luciana soltou essa ladainha burra e obscurantista que leva os esquerdinhas padrão FFLCH a orgasmos cósmico-sensoriais: em todos os debates e nas propagandas de rádio e TV ela solta as mesmas besteiras.

2014-08-28 15.44.56Ao que parece, tudo o que ela sabe sobre bolsa de valores ela aprendeu com Gordon Gecko, do filme Wall Street, de 1987. Mas a Lu, coitada, não entendeu nem 80% do filme.

Ela acha que mercado de capitais e bolsa de valores são sinônimos de especulação, e, PIOR!, que o mercado de capitais é o “oposto” do setor produtivo.

Luciana, você precisa estudar. Você é ignorante.

Quando uma empresa precisa de financiamento para aumentar sua produção, o que ela faz? Uma das alternativas é justamente ir à bolsa de valores: vende ações (“pedaços” da empresa) a quem quiser comprar (que se torna sócio/acionista), e com isso arrecada dinheiro a ser investido no aumento da produção. O mercado de capitais, portanto, é uma das fontes de financiamento para empresas de todos os setores — indústria, comércio, serviços, agronegócio etc.
Sem capital (dinheiro, investimento) NÃO EXISTE EMPRESA, NÃO EXISTE PRODUÇÃO, NÃO EXISTE EMPREGO.
Aprenda o básico, Luciana! Nem me refiro a ler e entender algo mais complexo como Hayek, Schumpeter ou, vá lá, Marx. Mas pegue o caderno de economia de um jornal não especializado e pesquise sobre IPO. Veja as cotações das ações e pergunte a um amigo o que aquilo significa.

Impressionante que uma pessoa como a Luciana Genro seja tão burra (ou tão mal-intencionada) que não sabe (ou ignora) algo tão básico, tão elementar.

Mas a Luciana Genro é um pacote completo: ela fala bobagens sobre todo e qualquer assunto (como fica evidenciado na entrevista acima).

2014-09-14 17.49.33

Banco Central processa Alexandre Schwartsman devido a críticas CORRETAS

Essa é de fazer cair o cu da bunda!

A Veja dessa semana (que circulou no sábado) traz, entre outras notícias estupefacientes, o relato de que o Banco Central tentou processar o economista Alexandre Schwartsman devido às críticas que ele fez à instituição.

Esta matéria é do Valor de hoje:

A Procuradoria-Geral do Banco Central (BC) vai recorrer contra a decisão da Justiça Federal que negou seguimento à queixa-crime oferecida contra o economista Alexandre Schwartsman por críticas duras à gestão da instituição no combate à inflação.

Na visão do procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Schwartsman lançou pecha criminal sobre a instituição e ultrapassou os limites da crítica técnica ou opinativa. “Longe de caracterizar qualquer censura à liberdade de expressão, a ação penal representa um repúdio à conduta aviltante do ofensor”, afirmou.

Em duas entrevistas, Schwartsman afirmou que a gestão do BC “é temerária” e “atua de forma subserviente [ao Palácio do Planalto], incompetente e frouxa”. O economista, que é ex-diretor do BC, chegou a dizer que a instituição “realiza um trabalho porco”.

“Não se tratou, portanto, de crítica técnica ou de mera opinião”, disse Isaac. “Essas afirmações, inclusive com a pecha criminal sobre o BC, ao dizer que sua gestão é temerária, foram feitas, em realidade, não só para criticar, mas, sobretudo, com o inequívoco desejo de insultar, denegrir, enxovalhar e ultrajar a honra e a imagem do BC e do seu corpo funcional.”

As entrevistas de Schwartsman causaram indignação na diretoria colegiada do BC. Em reunião realizada no dia 8 de maio, diretores reclamaram, que, mesmo após ter sido alertado, o economista teria voltado à carga contra a instituição. “Em entrevista veiculada no ‘Correio Braziliense’ de 27 de abril, o senhor Alexandre Schwartsman, mesmo após ter sido publicada no ‘Brasil Econômico’ carta do BC de repúdio às ofensas ali veiculadas, reiterou a conduta, irrogando novas ofensas por meio de declarações que ultrapassam a liberdade de expressão e denotam inequívoco abuso de direito”, diz ata da diretoria assinada pelo secretário do Conselho Monetário Nacional, Henrique Machado.

Ficou decidido que, “visando proteger a honra e a imagem da instituição”, o procurador estava autorizado a ajuizar ação penal contra Schwartsman por difamação, o que foi feito um dia depois. O recurso do BC deve ser proposto nos próximos dias.

A íntegra da reportagem está AQUI (restrita para assinantes).

Recomendo fortemente que o leitor observe o que escreveu o Mansueto Almeida, AQUI.

Acabei de ler e assinar o abaixo-assinado: «Manifesto sobre o caso envolvendo o Banco Central e o Economista Alexandre Schwartsman» no endereço http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR74543
A Folha havia relatado a iniciativa do Marcos Lisboa AQUI.

Concordo com este abaixo-assinado e cumpro com o dever de o fazer chegar ao maior número de pessoas.
Caso você concorde também, agradeço que assine o abaixo-assinado e que ajude na sua divulgação através de um email para os seus contatos.

O Brasil está se tornando uma ditadura. Ter opinião e criticar uma autarquia estatal que sistematicamente vem errando em suas funções mais elementares virou motivo para ser acionado judicialmente?

LAMENTÁVEL.

2014-08-08 09.34.24

A Educação continua PIORANDO no Brasil. Obrigado, PT. Obrigado, Dilma. Obrigado, Lula.

Nesta semana foram divulgados resultados preocupantes sobre a educação no Brasil. Reproduzo abaixo algumas coisas (GRIFOS MEUS):

Pela primeira vez desde que foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2005, o País não atingiu nenhuma meta de qualidade nos anos finais (5.º ao 9.º ano) do ensino fundamental e no ensino médio – tanto na rede pública quanto na particular. É o que mostram os dados divulgados nesta sexta-feira, 5, pelo Ministério da Educação.

Na média, a nota do ensino médio ficou estagnada: o Brasil teve 3,7 pontos (redes pública e particular), em uma escala de zero a dez, a mesma nota de 2011. A projeção estipulada pelo governo federal para este ano, no entanto, é considerada baixa por especialistas. Nos anos finais do fundamental, a melhora não foi suficiente para superar a meta. O índice subiu de 4,1 para 4,2, mas o patamar esperado era 4,4. Já nos anos iniciais (1.º ao 5.º ano), houve avanço de 5,0 para 5,2, o que garantiu o cumprimento da meta, que era de 4,9.

Os resultados contrariam a expectativa do governo federal de que a evolução nos anos iniciais do fundamental nas últimas edições do Ideb se traduziria em melhor resultado nas etapas seguintes de ensino em 2013. Nesta edição do exame, ao avaliar o ensino público dos 27 Estados, 16 tiveram uma nota no ensino médio pior do que dois anos antes. Outros seis, apesar de terem resultados melhores, ainda ficaram abaixo das metas. Em muitos Estados, a nota só não foi pior pela diminuição dos indicadores de evasão e repetência, um dos componentes usados para calcular o Ideb. Na rede pública, a média 3,4 do País é mantida desde 2009.

Para justificar o fracasso nos dois últimos ciclos da educação básica, o governo federal defende uma reforma do currículo para tornar a escola mais atraente para os jovens. Já os especialistas criticam a falta de articulação entre União, Estados e municípios.

A notícia acima li no Estadão (íntegra AQUI).

Sejamos um pouco mais específicos, e vejamos o que aconteceu EXCLUSIVAMENTE COM O ENSINO MÉDIO:

Dados do Ideb, principal avaliação educacional do Brasil, apontam a piora na qualidade do Ensino Médio durante o governo de Dilma Rousseff.

O índice atual, baseado nos exames “Saeb” e “Prova Brasil” de 2013, ambos do MEC, é de 3,2 pontos. O levantamento anterior apontou média de 3,4 pontos. O de 2009, 3,6 pontos.

80% das matrículas do Ensino Médio pertencem às redes estaduais de ensino. Quem coordena o repasse de verbas e as estratégias aplicadas, porém, é a União.

No início do mandato, a equipe de Dilma Rousseff prometeu alterar o currículo escolar para ampliar os esforços de alfabetização e aprendizagem da matemática. Até agora, nenhum projeto neste sentido foi lançado.

A reportagem é do Portal Vox (AQUI).

Haddadd-careta1Mais uma do Estadão (íntegra AQUI):

Os anos iniciais do ensino fundamental público em 779 municípios do País ficaram em “estado de alerta”, segundo os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013, divulgados anteontem pelo Ministério da Educação (MEC). Isso significa que, do 1.º ao 4.º ano, em nenhuma dessas cidades o Ideb avançou, bateu as metas ou atingiu o nível 6 – projeção feita pelo MEC para o Brasil em 2021, dentro de uma escala de zero a dez.

O fato concreto, e conhecido por qualquer professor, é que a educação no Brasil está piorando.

O Estado (me refiro à União, Estados e Municípios) vem falhado miseravelmente com a educação (ok, não apenas no âmbito da educação, mas vamos esquecer as demais incapacidades estatais por ora).

Enquanto isso, a iniciativa privada (sim, PRIVADA, aquela coisa malvadona que a esquerda demoniza) mostra o caminho das pedras.

A Época Negócios (que eu referencio bastante aqui no blog, porque é realmente muito boa) publicou uma matéria que acho fundamental:

Uma vez por semana, a aula de matemática de mais de 70 mil alunos em 278 colégios públicos do ensino fundamental espalhados pelo país é interrompida. Pela porta da sala de aula entra um carrinho retangular, pouco maior do que o usado para as sobremesas em churrascarias. Quando suas portas se abrem, saem de lá dezenas de laptops, passados de carteira em carteira até que todos os alunos tenham um. Pelas próximas horas, quem ensinará álgebra e cálculo não será o professor, mas o Khan Academy, uma plataforma online que apresenta questões conforme o aluno.

No método tradicional, a professora precisa nivelar o nível da aula para que todos a acompanhem. Com plataformas como o Khan, cada aluno trabalha num computador e vai avançando no conteúdo conforme seu entendimento. Se ele tem dificuldades, a tecnologia para e explica melhor. Se já entendeu, parte para a próxima pergunta ou mesmo para o próximo assunto. Ao fim da aula, o professor tem acesso a um relatório detalhando quais são os alunos com as melhores e piores notas e quais mudanças devem ser promovidas à estrutura das aulas.

Por trás da aula de matemática no computador está o empresário Jorge Paulo Lemann. Quem traduziu a Khan Academy para o português e passou a negociar sua inclusão no currículo escolar foi a Fundação Lemann, fundada em 2002 pelo empresário com a ousada meta de melhorar a educação pública brasileira. Não se trata de uma iniciativa isolada: pelos últimos 23 anos, Lemann tem investido tempo e dinheiro para encontrar maneiras de diminuir o gap entre os colégios particulares e públicos no Brasil. Nos últimos 3 anos, a iniciativa educacional ganhou urgência:

A introdução da Khan Academy em colégios pelo Brasil é só uma das diversas iniciativas educacionais nas quais o empresário Jorge Paulo Lemann vem investindo. Lemann distribui bolsas de estudos a jovens com potencial desde 1991, mas nos últimos três anos o empresário definiu como objetivo melhorar a qualidade da educação pública no Brasil. As metas são ousadas: nos próximos cinco anos, mais de 50 milhões de brasileiros (ou um quarto da população) deverão ser beneficiados por alguma iniciativa capitaneada por Lemann. É um projeto amplo que envolve não só laptops em sala de aula, mas também bolsas de estudo, aportes em startups educacionais, treinamento de professores, compra de colégios pelo Brasil, fellowships para pós-graduandos, encontros com ex-ministros e presidencisáveis, citações em novelas… A lista é longa.

A íntegra está aqui: O jeito Lemann de ensinar matemática.

O Brasil precisa, mais do que qualquer outra coisa, de EDUCAÇÃO.

Não a porcaria que as escolas (em sua maioria, com poucas e honrosas exceções, claro) brasileiras enfiam na cabeça dos alunos e que acabam gerando uma suposta “elite intelectual” que não sabe ler e compreender um texto relativamente mais complexo e profundo.

O sistema educacional brasileiro é tão ruim que um sujeito IGNORANTE (em sentido amplo, geral e irrestrito) como Emir Sader é chamado de “intelectual”:

Emir Sader on Twitter- "Os 4 principais candidatos a governador do Rio vai se reunir com a Dilma na luta contra o rebaixamento do perfil do Pré sal."Emir Sader

2014-07-17 07.04.29O sujeito só fala/escreve besteira, não sabe conjugação de verbos, concordância, gramática, sintaxe…. mas é “intelectual”!

Essas falhas na educação geram profissionais ruins.

Um breve exemplo disso vi no meu LinkedIn, alguns dias atrás. Segue um print-screen de um comentário que um “jornalista” (é o que diz o perfil do sujeito, nem me dei ao trabalho de verificar) deixou na minha página do LinkedIn:

Firefox 20Um JORNALISTA escrevendo mal desse jeito? Sim. Essa é a educação que temos no Brasil.

Um dia foi boa. Nos últimos anos, só vem piorando.

Obrigado, PT.

Obrigado, Dilma.

Obrigado, Lula.

OAS, JBS e Andrade Gutierrez bancam 39% da campanha presidencial

A matéria é da Época Negócios, e está disponível na íntegra aqui: OAS, JBS e Andrade Gutierrez bancam 39% da campanha presidencial. Eis um trechinho:

A OAS é a líder no ranking de doações, com R$ 26,1 milhões repassados nos três primeiros meses de campanha. A principal beneficiária foi Dilma, que recebeu 77% do total. O JBS vem logo a seguir, com R$ 26 milhões (a conta incluiu a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, outra empresa do grupo). A Andrade Gutierrez doou R$ 11,8 milhões. Os dados foram calculados pelo Estadão Dados em parceria com a Transparência Brasil, com base nos registros contábeis apresentados pelas campanhas à Justiça Eleitoral. Foram levadas em consideração todas as doações nas contas da campanha de cada candidato e do comitê para presidente, além do dinheiro que saiu das direções nacionais dos partidos para essas duas contas.

Segundo o diretor executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, o valor parcial das doações aos candidatos a presidente neste ano já se aproxima do que foi doado ao longo de toda a eleição de 2010, incluindo o 2.º turno – quando os valores são corrigidos para eliminar o efeito da inflação. Se as doações continuarem nesse ritmo, 2014 terá uma campanha ainda mais cara do que a anterior. É uma tendência que se repete desde 2002.

Não demora muito e vão surgir os primeiros retardados bradando o financiamento público de campanhas eleitorais como “solução”. Não é.

É preciso reduzir os custos das campanhas eleitorais e exterminar POR COMPLETO o financiamento público de campanhas políticas – começando pelo fundo partidário, uma aberração que faz com que os meus impostos sirvam para financiar os doidivanas obscurantistas do PSOL, do PSTU, do PCO e de outros partidos que pararam no tempo, defendem o socialismo e/ou o comunismo, mas não têm nenhum preconceito contra o dinheiro capitalista que recebem anualmente.

Teoria da Vaca

A onda Marina Silva pode colocar o futuro do Brasil no meio de um tsunami de idéias ruins e velhas, tudo em prol de uma “nova política” que não existe

Eu havia decidido reduzir drasticamente o espaço dedicado a política neste blog, por várias questões que não vêm ao caso. Contudo, preciso falar deste assunto.

Estava lendo O Globo há pouco, e achei esta pérola:

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, alcança seus melhores índices entre os eleitores mais jovens e nos centros urbanos das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Aos 17 anos, a estudante Maria Luisa Azevedo, moradora do Rio, diz que o “discurso de Dilma não convence” e acha que Aécio Neves pode privatizar empresas públicas, prática com a qual ela não concorda. Maria Luisa se interessou pelas propostas de Eduardo Campos, morto em um acidente de avião, e vai levar o voto para Marina.

— O Brasil e o mundo precisam de alguém que fale em sustentabilidade — define.

O universitário Pablo Alves, de 21 anos, votou na ex-senadora em 2010 e pretende repetir a escolha.

— Ela fala da ética da questão ambiental. Acho o governo da Dilma muito assistencialista — diz ele, morador do Rio.

A jornalista Debora Baez também destaca a firmeza da candidata do PSB quando o assunto é sustentabilidade.

— Ela saiu do PT e do PV por não concordar com a falta de clareza no discurso ambiental.

Já a universitária Gabriela Barbosa, que mora em São Paulo, acredita que Marina representa a “verdadeira mudança na política”.

— Ela rompeu com o PT porque discordava das práticas adotadas — diz, sobre saída de Marina do partido.

Segundo o cientista político Antônio Testa, da UNB, o discurso sobre meio ambiente tem uma boa aceitação na juventude urbana.

— A Marina se comunica bem quando cita essa nova visão de mundo, comprometida com a economia verde — avalia.

A íntegra da reportagem está AQUI.

Não querendo ser chato, preciso comentar estas “justificativas” apresentadas pelos eleitores da Marina. Obviamente o voto é livre (pelo menos por enquanto!), e todos ali têm todo o direito de votar em quem quiserem. O meu ponto é outro: precisam se informar melhor, porque a JUSTIFICATIVA (“voto na Marina porque“) é que está bem fraquinha.

A primeira, Maria Luiza, é contra as privatizações e gosta que alguém fale em sustentabilidade. Com 17 anos, é compreensível que seja mal informada e se deixe levar por modinhas. Porém, Maria Luiza, o agronegócio brasileiro é um setor moderno e altamente competitivo – o ÚNICO setor da economia brasileira competitivo mundialmente. Se a Marina conseguir implantar o conceito de “sustentabilidade” que ela tem/defende, este setor será sucateado.

O Pablo Alves elogia a ética e menciona a questão ambiental também. Querido Pablo, pesquise a ética de Marina Silva na relação espúria entre o marido dela e algumas ONGs que usam a Amazônia como fonte de lucros milionários; pesquise a ética da Marina no caso do mensalão; pesquise a ética da Marina de quando ela era Ministra e liberou uma dinherama para ONGs que não faziam absolutamente nada (exceto, claro, parasitar o dinheiro público).

A jornalista Debora Baez poderia ser mais jornalista (ou seja, pesquisar). Marina saiu do PT e do PV por razões que não têm NENHUMA relação com o discurso ambiental. Ela saiu do PT e, depois, do PV, porque ela não conseguiu transformar nenhum dos 2 partidos em propriedade exclusiva dela. A universitária Gabriela Barbosa também poderia se informar um pouco melhor. Repito: a saída do PT e do PV se deu por outras razões.

Estou vendo gente dizendo que vai votar na Marina por estar farta do PT. Alguns já apontaram que, segundo as pesquisas de intenção de votos, Marian é a única capaz de ganhar da Dilma e, portanto, já estão mudando seu voto – tudo para se livrar de Dilma.
Lamento, mas a Marina tem o PT no DNA. Ela saiu do PT, mas o PT não saiu dela. Nunca sairá.
Votar nela é tão ruim quanto votar na Dilma. Sob vários aspectos, é ainda pior.

Alguns pontos centrais:

1) Marina é muito mais PT do que a própria Dilma, que no Rio Grande do Sul era do PDT e apenas filiou-se ao PT quando foi convidada para ser ministra. Marina Selva passou mais de 20 anos no PT, enquanto a Dilma tem apenas alguns poucos anos de “casa”. E a Marina só saiu do PT porque não conseguiu espaço para ser a candidata a presidente do partido, que, graças ao Lulla, escolheu a Dilma.

2) Marina tem toda a formação marxista “clássica”, na sua vertente mais puramente bolchevique. Consegue ser pior do que a Dilma, cuja RALA formação foi dentro do socialismo pós-URSS – ambas as linhas teóricas são nefastas, mas há sutis diferenças. A Dilma vem de outra linha de produção de ditadores totalitários. Mas ambas os idolatram e se espelham em gente como Fidel, Chávez, Che Guevara, e outros do mesmo “nível”.

marina

3) Marina odeia o agronegócio MUITO MAIS do que a Dilma. A Dilma caiu no colo do MST depois que foi alçada pelo Lulla ao cargo de poste, ou seja, já durante sua campanha para suceder o molusco. A Marina, por outro lado, sempre teve estreitas ligações com o MST – um amor mútuo, plenamente correspondido. Chico Mendes era um dos idealizadores do MST, foi líder “intelectual” da corja por muito tempo e, depois de sua morte, o posto coube à Marina. Ela desempenhou o papel com plena satisfação.

4) A “equipe” da Marina. Exceções feitas ao Eduardo Gianetti e ao André Lara Resende (que são caras inteligentes, o que aliás me deixa bastante curioso e decepcionado, pois não consigo entender como eles embarcaram neste navio furado rumo a Cuba), o resto é de gente da estirpe da Erundina, alçada a coordenadora da campanha depois que a Marina Selva expulsou a equipe que trabalhava com o Eduardo Campos. Erundina foi a primeira prefeita do PT em SP, e foi uma lástima talvez até pior do que a Marta. Pior: ela ainda defende abertamente, sem nenhum pudor, o socialismo (a la Cuba). Uma energúmena que segue presa ao Século 19. Aliás, uma energúmena que falou isso aqui sobre a Marina:

5) Marina é uma obscurantista secular que se acha uma divindade, uma enviada de Deus, acima do bem e do mal, superior aos reles mortais. Ela não apenas vai usar esta “aura” para tomar decisões: ela tomará decisões como todos os Reis tomavam, ou seja, achando que todo mundo deve obedecer sem questionamentos, pois se trata da decisão “divina”. Veja o que ela faz (sempre fez) no Acre desde 1990.
Pior: no Acre ela continua umbilicalmente ligada ao PT, através do “clã” Viana (batedores do PT e de Lulla).
Aliás, para quem se diz representante de uma “nova” política: NENHUM outro candidato (entre os que estão na corrida presidencial deste ano) está há mais tempo do que a Marina dentro da “velha” política. Enquanto a Marina já fazia política pelo PT, Dilma ainda era uma burocrata de terceiro escalão no Rio Grande do Sul.

Lembro, finalmente, que as pesquisas eleitorais de 2010 e 2012 erraram grotescamente. Vi pessoas que usam o argumento do voto útil na Marina para derrotar a Dilma, em face das recentes pesquisas que mostram crescimento da intenção de voto na Marina. Não é uma boa idéia confiar cegamente nas pesquisas (sim, um marketeiro dizendo isso!).
Aqui em SP, por exemplo, TODOS os institutos de pesquisa davam Netinho-espancador-de-mulheres-de-Paula e Marta Suplício eleitos como senadores. Quem acabou eleito com um novo recorde de votos foi o tucano Aloisio Nunes. 2 anos depois, quando da eleição para prefeito, aconteceu o mesmo: TODAS as pesquisas erraram e passaram alguns dias fazendo mea-culpa, depois que os resultados oficiais foram finalizados.

Evidentemente eu quero o PT expulso do governo (idealmente, do planeta Terra), mas não adianta trocar seis por meia dúzia. Veja o que a Marina já aprontou, em pouco menos de 15 dias, com o PSB (um partido nanico, que não tem NENHUM senador eleito e apenas 22 deputados federais): já desfez acordos regionais que o Eduardo Campos havia costurado, trocou equipe, brigou com pessoas que estavam trabalhando para o Campos, além de posar de viúva sofrida.
Como essa criatura vai aprovar QUALQUER matéria no Congresso com uma bancada de 22 deputados e ZERO senadores? Por mais que eu ache o Congresso (Senado e Câmara) um antro de boçais, é uma instituição fundamental à democracia. É preciso eleger deputados e senadores capazes de recuperar as instituições, e não passar por cima delas.

Aliás, é público e notório que ela vai chutar o PSB se for eleita, para criar o partido dela, a “Rede”. Outro aliás: uma mulher que havia recebido 19 milhões de votos e teve quase 2 anos não conseguiu criar um partido político mas acha que tem competência pra ser presidente da República?

Outra “linha” de argumentos que tenho ouvido com certa frequência é que o “mercado” está animado com a possibilidade de Dilma perder.

Sim, é verdade. Isso beneficia todo o país. Dilma e o PT sendo derrotados, só perdem os petistas, os PTralhas e o ecossistema que o PT montou (esgotosfera governista de blogs sujos, companheiros que mamam nos cargos comissionados etc). O restanto do país ganha – inclusive um futuro.

As bolsas subiram muito em decorrência das últimas pesquisas que apontam grande margem da Marina sobre a Dilma no segundo turno.

Mas eu não me deixo levar pelo que o “mercado” acha/acredita. Nada contra o mercado – pelo contrário, sou defendor do livre mercado capitalista que Dilma e Marina combate, xingam e detestam.

Porém, este é o mesmo “mercado” que via o Eike Batista como um empreendedor sensacional e infalível há pouco tempo, não é?!

Desculpa, nunca acreditei no Eike Batista.

Nunca acreditei na Dilma.

Nunca acreditei no Fernando Haddad. Este incompetente foi vendido em 2012 como “o novo” na política. Deu no que deu: a cidade de SP está abandonada às traças, e o Haddad já conseguiu um novo recorde de REPROVAÇÃO dos cidadãos paulistanos.

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Marina Selva é um Lulla de saias. Dissimulada, cínica, hipócrita e burra (mas com aquele verniz de “sonhática” que lhe permite soltar bobagens sem nenhum sentido e, ainda assim, ter um séquito de boçais a aplaudir, achando que acabam de ouvir o pronunciamento divino e subliminar d’A “escolhida”).
Ontem, no Jornal Nacional, provou que é um Lulla: questionada sobre o jatinho envolvido no acidente do Eduardo Campos, um caso clássico de caixa 2 (pela lei, punível com impugnação da candidatura), deu uma explicação lulática: NÃO SEI DE NADA. A entrevista pode ser assistida AQUI. A pergunta do avião está logo no início da entrevista. Recomendo ao leitor que veja se ainda não viu.

Em suma: antes de votar na Marina Silva, pesquise.

Informe-se.

O Brasil não precisa de mais uma fraude intelectual que se apresenta como “novo”.

Para encerrar, li isto no facebook e compartilho, pois trata-se de um excelente resumo da falcatrua chamada Marina Silva:

Marina Silva periga ficar conhecida como a política-mesa-branca. Começou a carreira com o cadáver do Chico Mendes como cabo eleitoral, depois foram as ilusões de petistas arrependidos com a morte do “partido da ética” e o surgimento do partido do mensalão, agora é Eduardo Campos o seu palanque necrológico.
Se era para homenagear, as homenagens estão feitas. Continuar citando o “Eduardo” chega perto da linha tênue entre homenagem e exploração.
Mas adiante.
Resolvi falar dela agora porque, pelo visto, a vice-viúva já saiu do luto fechado e está em plena campanha, logo me desobriga a manter o silêncio respeitoso.
Marina diz que pratica uma tal “nova política”, ainda que ela mesma esteja na política desde 1985. Seu mote é “inovar”, mas cita como possíveis colaboradores nessa tarefa Pedro Simon (32 anos de Senado), Eduardo Suplicy (24 anos de Senado) e José Serra, alguém que muito admiro, tanto que votei nele em 2010, ao contrário de Marina, que negou seu apoio no segundo turno.
Seu discurso belo e vazio diz basicamente que é contra “tudo isso que está aí” e que repudia “políticos profissionais e tradicionais”. Por isso o seu eleitor-médio a considera uma inovação.
Diz que é a superação da dicotomia PSDB-PT, para logo em seguida afirmar que pretende governar junto com PT e PSDB.
Mas vejamos com muita calma: Marina era do PT, foi ministra de Lula até bem depois do mensalão, saiu quando percebeu que Dilma, por ser poste, é que seria ungida a sucessora e não ela, foi para o PV, teve 19 milhões de votos para presidente, negou-se a apoiar José Serra no segundo turno ajudando assim Dilma Rousseff (ou alguém duvida que um apoio explícito seu ajudaria o Serra?), por não conseguir se impor dentro do PV saiu do partido, recusou convites de vários partidos pequenos para trabalhar ali preferindo criar um SEU, não teve competência para juntar assinaturas (Pros, Solidariedade e Novo conseguiram), entrou no PSB dizendo claramente que faria o partido de hospedeiro até sua Rede sair do papel, bateu de frente com os socialistas dinamitando alianças que não atendiam seus interesses em vários estados, declarou-se ajudada pela “Providência” quando um acidente matou seu colega de chapa, faz uma campanha sem “se misturar” com o que não é “limpo” o suficiente e seus militantes tratam a “seringueira pobre que venceu na vida e vai mudar o país” como alguém intocável, acima de críticas e que “sabe o que fazer” quase que por inspiração divina.
Parece muito o partido de um metalúrgico pobre que venceu na vida e iria mudar o país. O mesmo que se recusou a apoiar Tancredo, a assinar a nova Constituição, a fazer parte da aliança que ajudou Itamar Franco a tirar o país de uma das piores crises políticas da sua história, a apoiar o Real, a lei de responsabilidade fiscal, as metas de inflação, o câmbio flutuante, as privatizações que modernizaram setores do país e que nunca “se misturava com ninguém” porque era um partido “acima da política tradicional”.
Os elementos estão todos aí: o egoísmo, o obscurantismo, a militância fanática, o messianismo, um marido exercia cargo no governo do PT até AGOSTO de 2014, as relações estranhas com empresários.
Fora a ausência de uma base parlamentar que ainda é necessária no Brasil. Caso seja eleita, seus milhões de votos em seis meses não valerão nada sem apoio no Congresso. Sabem pra onde ela vai correr? Isso mesmo, para o bom (pra eles) e velho PMDB e para o PT, que a essa altura vai até tomar santo daime para achar alguma convergência.
Marina Silva é o petismo sem glúten e lactose, mas continua sendo petismo.
Por isso é que faço aqui essa declaração de não-voto. Nem tudo que não é literalmente o PT, deixa efetivamente de ser o PT.

Steve Jobs fez o melhor discurso de graduação da História; veja e leia na íntegra

Isso não é novidade alguma, mas certas coisas não perdem a relevância.

Em 2005, Steve Jobs, então CEO da Apple, foi convidado a fazer o discurso de formatura na Universidade Stanford. Uma fala relativamente curta, mas que tornou-se histórica.

Pelo seu conteúdo, e pela história de Jobs, vale a pena ver:

Aqui o texto, na íntegra:

Here’s to the crazy ones. The misfits, the rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the ones who are crazy enough to think that they can change the world, are the ones who do.
I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I’ve ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That’s it. No big deal. Just three stories.

The first story is about connecting the dots.

I dropped out of Reed College after the first 6 months, but then stayed around as a drop-in for another 18 months or so before I really quit. So why did I drop out?

It started before I was born. My biological mother was a young, unwed college graduate student, and she decided to put me up for adoption. She felt very strongly that I should be adopted by college graduates, so everything was all set for me to be adopted at birth by a lawyer and his wife. Except that when I popped out they decided at the last minute that they really wanted a girl. So my parents, who were on a waiting list, got a call in the middle of the night asking: “We have an unexpected baby boy; do you want him?” They said: “Of course.” My biological mother later found out that my mother had never graduated from college and that my father had never graduated from high school. She refused to sign the final adoption papers. She only relented a few months later when my parents promised that I would someday go to college.

And 17 years later I did go to college. But I naively chose a college that was almost as expensive as Stanford, and all of my working-class parents’ savings were being spent on my college tuition. After six months, I couldn’t see the value in it. I had no idea what I wanted to do with my life and no idea how college was going to help me figure it out. And here I was spending all of the money my parents had saved their entire life. So I decided to drop out and trust that it would all work out OK. It was pretty scary at the time, but looking back it was one of the best decisions I ever made. The minute I dropped out I could stop taking the required classes that didn’t interest me, and begin dropping in on the ones that looked interesting.

It wasn’t all romantic. I didn’t have a dorm room, so I slept on the floor in friends’ rooms, I returned coke bottles for the 5¢ deposits to buy food with, and I would walk the 7 miles across town every Sunday night to get one good meal a week at the Hare Krishna temple. I loved it. And much of what I stumbled into by following my curiosity and intuition turned out to be priceless later on. Let me give you one example:

Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed. Because I had dropped out and didn’t have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can’t capture, and I found it fascinating.

None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, it’s likely that no personal computer would have them. If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.

Again, you can’t connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.

My second story is about love and loss.

I was lucky — I found what I loved to do early in life. Woz and I started Apple in my parents garage when I was 20. We worked hard, and in 10 years Apple had grown from just the two of us in a garage into a $2 billion company with over 4000 employees. We had just released our finest creation — the Macintosh — a year earlier, and I had just turned 30. And then I got fired. How can you get fired from a company you started? Well, as Apple grew we hired someone who I thought was very talented to run the company with me, and for the first year or so things went well. But then our visions of the future began to diverge and eventually we had a falling out. When we did, our Board of Directors sided with him. So at 30 I was out. And very publicly out. What had been the focus of my entire adult life was gone, and it was devastating.

I really didn’t know what to do for a few months. I felt that I had let the previous generation of entrepreneurs down – that I had dropped the baton as it was being passed to me. I met with David Packard and Bob Noyce and tried to apologize for screwing up so badly. I was a very public failure, and I even thought about running away from the valley. But something slowly began to dawn on me — I still loved what I did. The turn of events at Apple had not changed that one bit. I had been rejected, but I was still in love. And so I decided to start over.

I didn’t see it then, but it turned out that getting fired from Apple was the best thing that could have ever happened to me. The heaviness of being successful was replaced by the lightness of being a beginner again, less sure about everything. It freed me to enter one of the most creative periods of my life.

During the next five years, I started a company named NeXT, another company named Pixar, and fell in love with an amazing woman who would become my wife. Pixar went on to create the worlds first computer animated feature film, Toy Story, and is now the most successful animation studio in the world. In a remarkable turn of events, Apple bought NeXT, I returned to Apple, and the technology we developed at NeXT is at the heart of Apple’s current renaissance. And Laurene and I have a wonderful family together.

I’m pretty sure none of this would have happened if I hadn’t been fired from Apple. It was awful tasting medicine, but I guess the patient needed it. Sometimes life hits you in the head with a brick. Don’t lose faith. I’m convinced that the only thing that kept me going was that I loved what I did. You’ve got to find what you love. And that is as true for your work as it is for your lovers. Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven’t found it yet, keep looking. Don’t settle. As with all matters of the heart, you’ll know when you find it. And, like any great relationship, it just gets better and better as the years roll on. So keep looking until you find it. Don’t settle.

My third story is about death.

When I was 17, I read a quote that went something like: “If you live each day as if it was your last, someday you’ll most certainly be right.” It made an impression on me, and since then, for the past 33 years, I have looked in the mirror every morning and asked myself: “If today were the last day of my life, would I want to do what I am about to do today?” And whenever the answer has been “No” for too many days in a row, I know I need to change something.

Remembering that I’ll be dead soon is the most important tool I’ve ever encountered to help me make the big choices in life. Because almost everything — all external expectations, all pride, all fear of embarrassment or failure – these things just fall away in the face of death, leaving only what is truly important. Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart.

About a year ago I was diagnosed with cancer. I had a scan at 7:30 in the morning, and it clearly showed a tumor on my pancreas. I didn’t even know what a pancreas was. The doctors told me this was almost certainly a type of cancer that is incurable, and that I should expect to live no longer than three to six months. My doctor advised me to go home and get my affairs in order, which is doctor’s code for prepare to die. It means to try to tell your kids everything you thought you’d have the next 10 years to tell them in just a few months. It means to make sure everything is buttoned up so that it will be as easy as possible for your family. It means to say your goodbyes.

I lived with that diagnosis all day. Later that evening I had a biopsy, where they stuck an endoscope down my throat, through my stomach and into my intestines, put a needle into my pancreas and got a few cells from the tumor. I was sedated, but my wife, who was there, told me that when they viewed the cells under a microscope the doctors started crying because it turned out to be a very rare form of pancreatic cancer that is curable with surgery. I had the surgery and I’m fine now.

This was the closest I’ve been to facing death, and I hope it’s the closest I get for a few more decades. Having lived through it, I can now say this to you with a bit more certainty than when death was a useful but purely intellectual concept:

No one wants to die. Even people who want to go to heaven don’t want to die to get there. And yet death is the destination we all share. No one has ever escaped it. And that is as it should be, because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life’s change agent. It clears out the old to make way for the new. Right now the new is you, but someday not too long from now, you will gradually become the old and be cleared away. Sorry to be so dramatic, but it is quite true.

Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma — which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of others’ opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.

When I was young, there was an amazing publication called The Whole Earth Catalog, which was one of the bibles of my generation. It was created by a fellow named Stewart Brand not far from here in Menlo Park, and he brought it to life with his poetic touch. This was in the late 1960’s, before personal computers and desktop publishing, so it was all made with typewriters, scissors, and polaroid cameras. It was sort of like Google in paperback form, 35 years before Google came along: it was idealistic, and overflowing with neat tools and great notions.

Stewart and his team put out several issues of The Whole Earth Catalog, and then when it had run its course, they put out a final issue. It was the mid-1970s, and I was your age. On the back cover of their final issue was a photograph of an early morning country road, the kind you might find yourself hitchhiking on if you were so adventurous. Beneath it were the words: “Stay Hungry. Stay Foolish.” It was their farewell message as they signed off. Stay Hungry. Stay Foolish. And I have always wished that for myself. And now, as you graduate to begin anew, I wish that for you.

Stay Hungry. Stay Foolish.

Thank you all very much.

Aplaudindo de pé.

Sempre.

Balanço da Copa do Mundo no Brasil – 2

Conforme prometido, este é o segundo post sobre os efeitos da Copa do Mundo no Brasil. O primeiro está AQUI, e destaco que vale a pena ler também este post AQUI, que já trazia alguns dados preliminares sobre a Copa.

Já alerto que 90% ou mais dos dados apresentados nesta série serão negativos, ruins para o país – sim, a Copa foi um péssimo negócio para o Brasil, e reitero que não me refiro ao futebol em si, apenas e tão somente ao “legado” que a Presidanta-Catifunda e seu partido totalitário insistiam em atrelar à Copa, para justificar os bilhões de reais que foram jogados fora. A “Copa das Copas” da Presidenta-Catifunda (que, justiça seja feita, foi obra do criador de postes sem luz, Lulla da Silva, e não dela), como eu já havia escrito aqui diversas vezes, foi uma roubada – e o trocadilho não foi intencional, mas é bom frisar que, se formos considerar os bilhões de reais que certamente foram desviados nas obras inacabadas e muitas delas sem licitação, os custos podem quase dobrar.

2014 07 24 08 13 09

Contudo, acho que podemos começar este post trazendo ao menos uma boa notícia (na íntegra AQUI):

O fim da Copa do Mundo, que provocou uma redução de preços de passagens aéreas e diárias de hotéis, foi o principal motivo que fez com que o índice de inflação medido pelo IPCA desacelerasse em julho. A inflação mensal ficou em 0,01%, uma forte desaceleração frente ao 0,40% registrado em junho. Em 12 meses, o índice ficou em 6,50%, informou nesta sexta-feira (8) o IBGE. Os dois valores ficaram abaixo das previsões do mercado. Segundo a Bloomberg, analistas previam alta de 0,1% em julho e de 6,60% em 12 meses.
 
Ainda que a Copa tenha ocorrido até o dia 13 de julho, o IBGE verificou que ao final da primeira quinzena do mês passado os preços desses dois serviços apresentaram queda, afirma a coordenadora de Índices de Preços do órgão, Eulina Nunes dos Santos. As passagens aéreas registraram em julho queda de 26,86% em relação a junho. O recuo compensou a alta de 21,95% verificada no mês anterior.
 
Essa queda deu a contribuição mais forte para que a inflação dos transportes tenha recuado 0,98% em julho e permitido, junto com outros três setores que apresentaram deflação, que o índice de inflação oficial ficasse praticamente estável em julho.
Nos sete primeiros meses do ano, passagens aéreas acumulam queda de 41,62%.
Uma segunda explicação para essa queda é que neste ano muitas empresas aumentaram o número de voos com destino ou origem do Brasil, também em função do mundial. O aumento da oferta contribuiu para a redução dos preços, disse a coordenadora.

Conforme eu já havia escrito, alguns setores da economia foram absolutamente devastados pela Copa. Outros, sofreram menos. Apenas uma minoria foi beneficiada. 

A indústria de transformação decerto foi um dos setores mais afetados – porém, repito: a Copa não foi a causa dos problemas, o evento apenas aumentou a estagnação da economia. Matéria da Época Negócios (íntegra AQUI) ajuda a demonstrar:

A Copa do Mundo potencializou a perda de dinamismo que caracteriza a indústria desde o último trimestre do ano passado. Em junho, a produção industrial recuou 6,9% em comparação a igual mês de 2013, o pior resultado desde setembro de 2009. A redução de números de dias trabalhados e a concessão de férias coletivas pesaram no resultado, principalmente das montadoras. Em relação a maio, a produção recuou 1,4%, informou ontem (1/8) o IBGE. A queda foi menos intensa do que o esperado em média por analistas (-2,4%), mas contribuiu para recuo de 2% na produção no segundo trimestre, reforçando a perspectiva de retração no Produto Interno Bruto (PIB, soma da renda gerada no país) de abril a junho. O ritmo fraco deve ter reflexos também nos investimentos.
 
O recuo da produção em junho foi o quarto seguido tanto na comparação mensal quanto anual, mas a realização da Copa foi o que tornou a perda mais aguda e espalhada. Em maio, o recuo foi de 0,8%. “A magnitude da queda tem relação direta com menor número de dias trabalhados, férias coletivas e cortes de turnos de trabalho, que ficaram como uma marca de junho”, disse André Macedo, gerente da Coordenação da Indústria do IBGE.
 
A fabricação de televisores, que até abril impulsionou a indústria, caiu 29,6% em junho. Já os bens de consumo duráveis e os bens de capital tiveram as perdas mais expressivas e são as categorias que mais pressionam a indústria. O destaque ficou com os veículos, cuja produção recuou 12,1% em relação a maio. Na comparação com junho de 2013, a queda foi de 36,3%, a maior desde dezembro de 2008 (-51%). “As estatísticas de estoque do setor estão completamente fora de seu padrão habitual”, detalhou Macedo.
 
Fornecedores da indústria de veículos também foram afetados, como autopeças, produtos químicos, borrachas e plásticos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e metalurgia. Além disso, a formação de estoques está por trás das perdas na fabricação de produtos têxteis, máquinas e aparelhos elétricos, máquinas e equipamentos e calçados, citou Macedo. “A abertura dos dados da produção de junho ante maio mostrou uma queda disseminada em vários setores, o que dá uma dimensão de paralisia generalizada da economia”, avaliou a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências.

E hoje, 15/08, foi noticiado em todos os jornais o seguinte:

A atividade econômica registrou queda no segundo trimestre deste ano. De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) dessazonalizado houve queda de 1,2% no segundo trimestre deste ano, comparado com o período de janeiro a março deste ano. Em relação ao segundo trimestre de 2013, a queda ficou em 1,54%.
 
Em junho, o IBC-Br também registrou queda, de 1,48%, na comparação com maio (dado dessazonalizados). Essa foi a maior retração desde maio de 2013, quando o índice caiu 1,68%. No primeiro semestre, houve expansão de 0,13% e em 12 meses encerrados em junho, de 1,5%. De acordo com o dado dessazonalizado, a expansão em 12 meses ficou em 1,41%.
O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária.

Sardemberg

Qualquer pessoa ue tenha ao menos um dos pés na realidade sabe que o Brasil está num momento lastimável – e, na Economia, está numa verdadeira crise. A inflação está altíssima (quem frequenta supermercado sabe do que estou falando), mas as empresas não estão investindo, estão demitindo ao invés de contratar, e os resultados disso estão sendo noticiados quase diariamente.

É importante ressaltar que não se trata de crise internacional – pelo contrário: Europa e principalmente Estados Unidos estão, há alguns meses, em franca aceleração econômica. Estamos diante de uma crise INTERNA, gerada pela incomPTência da Presidanta-Catifunda e sua equipe econômica brilhante, chefiada pelo sempre equivocado Ministro Margarina-talhada.

A Copa do Mundo apenas agravou a situação.

O sistema tributário brasileiro explicado com cerveja

Suponha que, todo dia, 10 homens saíam para tomar cerveja e que a conta para os dez ficava em R$ 100. Se eles pagassem sua conta da forma como nós pagamos nossos impostos, ficaria mais ou menos assim:

> Os primeiros quatro homens (os mais pobres) não pagariam nada.
> O quinto pagaria R$ 1.
> O sexto pagaria R$ 3.
> O sétimo pagaria R$ 7.
> O oitavo pagaria R$ 12.
> O nono pagaria R$ 18.
> O décimo (o mais rico) pagaria R$ 59.

Assim, foi o que eles decidiram fazer.
Os dez homens bebiam no bar todos os dias e pareciam muito felizes com o arranjo, até que um dia, o proprietário lhes fez uma oferta:
“Uma vez que vocês são todos tão bons clientes”, ele disse, “eu vou reduzir o custo da cerveja diária de vocês em R$ 20. As bebidas para os dez, agora custarão somente R$ 80.”

O grupo ainda queria pagar sua conta da forma como nós pagamos os impostos, de modo que os quatro primeiros homens não seriam afetados e continuariam a beber de graça.
Mas e os outros seis homens – os clientes pagantes?
Eles dividiriam os R$ 20 de desconto, de modo que todos eles obtivessem sua “quota justa”.
Eles calcularam que R$ 20 divididos por seis daria R$ 3,33.
Mas se eles subtraíssem isto da quota de cada um, então o quinto e o sexto homens teriam que receber para beber sua cerveja.
Assim, o proprietário do bar sugeriu que seria justo reduzir a conta de cada homem proporcionalmente ao valor pago por cada um, e calculou as quantias que cada um deveria pagar.

Assim:
> O quinto homem, como os primeiros quatro, agora não pagaria nada (100% de economia).
> O sexto agora pagaria R$ 2 ao invés de R$ 3 (33% de economia).
> O sétimo agora pagaria R$ 5 ao invés de R$ 7 (28% de economia).
> O oitavo agora pagaria R$ 9 ao invés de R$ 12 (25% de economia).
> O nono agora pagaria R$ 14 ao invés de R$ 18 (22% de economia).
> O décimo agora pagaria R$ 49 ao invés de R$ 59 (16% de economia).

Cada um dos seis que pagavam ficou numa situação melhor do que antes. E os quatro primeiros continuavam a beber de graça. Mas, quando saíram do restaurante, os homens começaram a comparar as suas economias.

“Eu só ganhei um real dos R$ 20″, declarou o sexto homem. Ele apontou para o décimo homem, “mas ele ganhou R$ 10!”.

“Sim, está certo”, exclamou o quinto homem. “Eu também economizei somente um real. É injusto ele ganhar dez vezes mais do que eu!”.

“É verdade!!” gritou o sétimo homem. “Porque ele deve receber de volta R$ 10 e Eu só recebi dois? Os ricos levam todas as vantagens!”.

“Espere aí “, gritaram juntos os quatro primeiros homens. “Nós não ganhamos nada. O sistema explora os pobres!”

Os nove homens rodearam o décimo e deram-lhe uma surra!
Na noite seguinte, o décimo homem não apareceu para beber, de modo que os nove sentaram e tomaram suas cervejas sem ele. Mas quando chegou a hora de pagar a conta, eles descobriram algo importante. Eles não tinham, entre eles, dinheiro bastante para pagar nem a metade da conta!

E assim, senhoras e senhores, é como funciona nosso sistema tributário. As pessoas que pagam os maiores impostos são as mais beneficiadas pelas reduções de taxas. Taxem-nos demais, ataquem-nos por serem ricos, e eles simplesmente podem não aparecer mais. Na realidade, eles podem começar a beber no exterior, onde a atmosfera seja mais amigável
Para aqueles que entendem, não é necessária nenhuma explicação.

Para aqueles que não entendem, nenhuma explicação é suficiente.

PS – Tomei conhecimento desse texto graças ao Nelson Karsokas, aqui. Reproduzi, pois explica de forma bastante didática o tipo de mentalidade burra que domina grande parte das discussões no país hoje.

2014-07-16 23.42.47

Balanço da Copa do Mundo no Brasil – 1

Conforme eu havia escrito AQUI, este blog fará um acompanhamento dos resultados práticos REAIS oferecidos pela realização da Copa do Mundo no Brasil.

Como eu detesto futebol, deixarei de lado toda e qualquer análise que tenha a ver com o esporte em si. O que interessa nesta “série” é avaliar os resultados da Copa para as empresas e cidadãos: depois de investimentos que ultrapassaram a casa dos TRINTA BILHÕES DE REAIS, qual foi o legado da Copa?

Apenas para refrescar a memória do leitor, o governo e o PT espalharam números (fantasiosos) para justificar a realização da Copa no Brasil. Graças a uma imprensa no geral subserviente, os números estapafúrdios e as previsões utópicas eram amplamente divulados, e havia pouca (raríssima) contestação.

Twitter - dilmabr- A Copa não representa apenas ...E quando falo de contestação, evidentemente não me refiro àqueles protestos babacas de junho de 2013. Aquilo não passou de uma consequência nefasta da ignorância de parcela significativa do povo – que, num primeiro momento, se deixou manipular pelas organições da extrema esquerda que iniciaram os protestos (Movimento Passe Livre e seus partidos-donos, como PSTU, PSOL, além, claro, dos blac-blocs e outros desmiolados) apenas e tão somente buscando criar um “buzz” em torno das suas reivindicações estapafúrdias, como, por exemplo, transporte público gratuito.

Enfim, o que esta série de posts vai analisar é exclusivamente os resultados/consequências da realização da Copa do Mundo no Brasil.

Eu já havia avisado, e repito: alguns dados setoriais já foram aparecendo, e outros ainda demorarão um pouco mais para serem divulgados; algumas informações e dados ainda serão revisados, e podem sofrer mudanças pontuais. Vou tentar apresentar aqui, de forma contínua, alguns dados já tornados públicos.

Será desnecessário fazer grandes análises: os números falam por si.

Vamos começar, então?!

A realização da Copa serviu para incrementar o PIB, como o governo dizia que aconteceria?

Resposta: Não.

Aliás, houve justamente o efeito inverso: a economia já vinha mal das pernas, e a Copa apenas serviu para piorar o quadro (atenção: não se pode dizer que a Copa CAUSOU estagnação ou queda do PIB, pois ela apenas AGRAVOU um problema que já estava ruim há tempos).

O Estadão de 01/08 reportou o seguinte (os grifos são meus):

A magnitude da queda da produção industrial em junho tem relação direta com a realização da Copa do Mundo no País, afirmou nesta sexta-feira, 1, André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Hoje, o órgão anunciou que a produção cedeu 1,4% em junho ante maio, a mais intensa desde dezembro do ano passado e a quarta consecutiva neste ano.

“A magnitude tem relação direta com menor número de dias trabalhados, redução da jornada de trabalho, férias coletivas, cortes de turnos de trabalho, que ficaram como uma marca do mês de junho. E o evento Copa do Mundo tem relação com esses fatores”, disse Macedo. Segundo ele, não apenas os jogos do Brasil prejudicaram a indústria, mas o “simples fato de haver várias cidades recebendo jogos”, o que aumentou o número de feriados.

Mas o movimento de queda não fica restrito ao mês de junho, ressaltou Macedo. Ele observou que o recuo anunciado hoje foi o quarto dado negativo consecutivo na margem. “O perfil de queda ritmo de produção é algo que não é característico só desse mês”, disse. “Foi em outubro de 2013 que começou o ritmo de queda maior da produção. A Copa potencializou”, acrescentou.

Desde outubro do ano passado, a produção industrial acumula um recuo de 6,5%. “Percebemos que é característica de um setor industrial que vem mostrando menor dinamismo”, afirmou Macedo. Segundo ele, a menor evolução da demanda doméstica, o cenário externo e a restrição no crédito são fatores que persistem e marcam o ano de 2014.

O efeito da Copa do Mundo sobre a produção industrial deve persistir no mês de julho, avalia o IBGE. Os dados serão conhecidos no dia 02 de setembro.

No Valor Econômico do mesmo dia 01/08, lemos o seguinte (íntegra, para assinantes, AQUI):

Julho encerrou com queda de 13,9% nas vendas de veículos novos no país. Entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, o mercado movimentou 294,8 mil veículos no mês passado, quando o desempenho foi prejudicado pelo menor movimento nas concessionárias em virtude da Copa do Mundo na primeira quinzena.

Na comparação com o fraco resultado de junho, também afetado pelo Mundial, houve avanço de 11,8% nos volumes, mas essa evolução se deve ao calendário comercial mais favorável de julho, que, sem contar os feriados de cidades-sede da Copa, teve três dias úteis a mais de venda. Na média, as vendas ficaram perto de 12 mil carros a cada dia útil de julho, menos do que as 12,6 mil unidades do mês anterior.

O desempenho faz a queda das vendas de veículos no acumulado do ano atingir 8,6%, ante 7,6% até junho. Agora, a diferença negativa em relação a 2013 passa de 183 mil veículos, ou o equivalente a 13 dias cheios de venda.

A propósito: em virtude do fiasco daquele jogo contra a Alemanha, a Presidenta-Catifunda e o PT vêm tentando se distanciar do evento (clique para ampliar):

2014-07-11 02.12.05
Mas é impossível separar algumas coisas. Dilma e o PT vinham usando a Copa do Mundo como “trunfo” político. Usaram de forma descada mesmo. Depois do vexame do 7 a 1, bateu aquele medo de que o feitiço viraria contra o feiticeiro.

O governo federal gastou dinheiro público para fazer propaganda da Copa – o vídeo abaixo eu gravei via iPhone (inclusive por isso o som está meio ruim: tentei gravar enquanto passava o comercial na TV), e mostra uma propaganda do governo federal enaltecendo a Copa. Vejamos:

Para piorar (clique para ampliar):

2014-07-11 03.16.35

Pretendo fazer ao menos um post por semana tratando do “legado” da Copa do Mundo. Ainda há muito a ser mostrado.

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