Quais as perspectivas para a combalida Petrobras?

Venho escrevendo aqui neste blog há muito tempo sobre a Petrobras, e sempre afirmei que o PT instalou na estatal aquilo que deve ser chamado pelo seu real nome: GESTÃO TEMERÁRIA.
Está impossível não saber, agora em Dezembro, dos descalabros que a Petrobras sofreu nas mãos da quadrilha imensa que o PT instalou naquela que já foi a mais valiosa empresa brasileira. Hoje a Petrobras está aos cacos.

Uma síntese do que eu escrevi sobre a empresa pode ser lida nos seguintes posts:

1) Em Junho de 2013, eu escrevi AQUI sobre o endividamento monstruoso da Petrobras. A situação, de lá pra cá, só piorou. Alguns tolos afirmam que o endividamento foi resultado do investimento necessário para a exploração do pré-sal; isso é bobagem. O aumento MONSTRUOSO do endividamento decorre de incapacidade de gestão.

2) Dois dias depois, escrevi AQUI sobre novos fatos que pioravam a situação da estatal. Revelam-se mais exemplos de incompetência gerencial.

3) Em Outubro de 2014, escrevi AQUI uma comparação entre a situação da Petrobras em 2002 (último ano sob FHC) e 2013/2014 (atual). Este comparativo, aliás, é bastante claro: tem-se ali a comprovação factual de que o PT destruiu a Petrobras. Os dados usados são públicos, auditáveis, e ainda não incluem os prejuízos causados pela quadrilha que vem dilapidando a estatal paquidérmica (petrossauro, termo do saudoso Roberto Campos, que há muitos anos já dizia que era preciso privatizar essa estrovenga). Por enquanto, existem algumas estimativas sobre as perdas que a corrupção generalizada causou, mas estes números ainda podem (e devem) aumentar, conforme avancem as investigações. É preciso lembrar, ainda, que as investigações, por mais aprofundadas e detalhadas que sejam, jamais conseguirão identificar 100% do esquema de corrupção que o PT instaurou na estatal – só lembrando: no caso do mensalão, o montante que ficou comprovado foi de R$ 170 milhões, mas todos sabem que o valor foi muito maior. A investigação precisa comprovar os desvios, e esquemas de corrupção são planejados para não deixar rastros, o que dificulta sobremaneira a identificação clara de tudo para que conste dos autos de um processo judicial.

Endividamento da PetrobrasDesde que surgiu a operação Lava-Jato, que vem dissecando a corrupção na Petrobras, eu não tenho escrito muito sobre o caso porque há uma quantidade absurda de fatos novos a cada dia. Não há tempo de acompanhar tudo e também seria chato apenas reproduzir matérias dos jornais sobre o caso – além de não acrescentar nada.

Mas hoje quero abrir uma exceção, para acrescentar algo. Começo com este vídeo:

A pessoa que publicou o vídeo sugere, no título, que Dilma estaria “dando uma aula” sobre a Petrobras.

Infelizmente para esta pessoa, os fatos são chatos, teimosos, e insistem em mostrar que Dilma Rousseff é, além de burra, mentirosa.

A então Ministra da Casa Civil, que presidia o Conselho de Administração da Petrobras (e, portanto, tinha o poder de decidir sobre a compra da usina de Pasadena), falou bobagem.

Ela enaltece a contabilidade da Petrobras. Os fatos, contudo, são outros:

Sem saber quanto tempo vai levar para que se tenha conhecimento do real impacto da corrupção no balanço da companhia, a Petrobras vai pisar no freio em 2015. A estatal admitiu ontem que os investimentos serão menores em relação aos deste ano por uma série de motivos: os escândalos envolvendo a Operação Lava-Jato; a queda do preço do barril de petróleo, de US$ 110 para cerca de US$ 60; e a valorização do dólar frente ao real, que atingiu o maior patamar desde 2005.

Graça Foster, presidente da estatal, disse ontem que não há a menor segurança para se dizer em quanto tempo será possível determinar os valores das baixas contábeis a serem lançados no balanço como reflexo das propinas pagas. A empresa ainda não conseguiu publicar o balanço não auditado do seu terceiro trimestre deste ano, por não ter tido acesso aos depoimentos de todos os executivos envolvidos no escândalo.

— Não há a menor segurança de que em 45, 90, 180, 365 ou 700 dias virão todas essas informações em sua plenitude. Nós vamos acompanhar todos os depoimentos e todas as delações premiadas. Estou ansiosa para ter acesso à colaboração (depoimento à Justiça Federal) do Barusco (Pedro Barusco, ex-gerente da área de Engenharia), mas não saberei se ela é completa. Estamos trabalhando para que se possa fazer essa avaliação do real valor do ativo — disse Graça.

Enquanto isso, Graça disse que a companhia está “trabalhando num procedimento” para permitir a publicação do balanço não auditado até o fim de janeiro. Ela disse apenas que o procedimento é aceito pelo mercado. O balanço deveria ter sido publicado em 14 de novembro.

— Economia, economia e economia. Gasta menos e faz mais. E isso é extremamente importante, porque estamos nesse trabalho de ter nosso balanço fechado para que a gente possa aproveitar no mercado as oportunidades que vierem no que se refere a captações eventuais que possam ser feitas — disse Graça.
Matéria completa do jornal O Globo está em http://oglobo.globo.com/brasil/petrobras-ainda-nao-sabe-quando-balanco-tera-dados-seguros-14863359#ixzz3MIbtyt12

Resumindo: há mais de UM MÊS a empresa deveria ter publicado o balanço auditado. A auditoria se recusou a assinar o balanço da Petrobras, e até agora não há balanço nenhum (ainda que sem auditoria) disponível.

O pior, contudo, é que um balanço agora seria absolutamente inútil, porque falso.

Aliás, por falar em auditoria:

A Controladoria-Geral da União (CGU) informou nesta quarta-feira (17/12), que houve prejuízo de US$ 659,4 milhões na compra de Pasadena, uma refinaria localizada no Texas (EUA) e adquirida pela Petrobras. Segundo comunicado da instituição, o relatório de auditoria foi concluído ontem e diz que operação ocorreu por um valor “superior àquele considerado justo, se levado em conta o estado em que Pasadena se encontrava à época”.

Em nota, a CGU explicou que com base no relatório, o ministro-chefe Jorge Hage determinou a instauração de processos administrativos sancionadores em desfavor de 22 pessoas. Estão listados ex-dirigentes, empregados e ex-empregados da Petrobras, incluindo os já identificados pela Comissão Interna da Apuração (CIA) da estatal. “Entre os que podem, ao final dos processo, vir a ser responsabilizados, estão o ex-presidente José Sérgio Gabrielli e os ex-diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada”, informou o órgão.

A CGU explicou ainda que a compra da refinaria foi feita em duas fases: os primeiros 50%, em 2006, e os 50% remanescentes, em 2008. “Em relação à primeira metade, o relatório da Controladoria concluiu que a aquisição foi amparada em Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE), feito pela estatal, que não considerou todas as premissas aplicáveis ao negócio; essas, se consideradas, resultariam na redução do valor máximo aceitável para a compra”, argumentou.

No pagamento dos 50% iniciais, a CGU identificou que a argumentação usada para a aceitação de um valor superestimado foi fundamentada na potencial rentabilidade da refinaria e não no valor dos ativos no estado em que se encontravam. “Outro ponto observado pela equipe da Controladoria foi que a Petrobras, na condição de compradora, deveria e poderia ter buscado, nas negociações, entre os diversos cenários montados pela consultoria Muse Stancil, o que mais a favorecesse e não o pior deles, como ocorreu”, disse a nota da CGU.

O Relatório da CGU registra que a avaliação feita pela Muse Stancil sequer foi informada no documento que deu suporte à decisão. O referido documento informou que a avaliação dos ativos fora feita pelo Citigroup, em sua Fairness Opinion, o que não foi confirmado pelas evidências apuradas pela equipe de auditoria.

O órgão de auditoria do governo constatou ainda que os contratos que formalizaram a operação continham cláusulas que, quando “conjugadas ao direito de venda conferido à Astra (put option), tornavam a relação negocial desvantajosa para a estatal brasileira”. “O relatório aponta a existência de cláusulas contratuais favoráveis à Astra, sem compensar de forma justa a Petrobras, e sem dividir os riscos do negócio de forma equânime”, apontou o documento da CGU. O órgão ainda afirmou que a equipe da CGU encontrou “forte indício de manobra” para forçar a aquisição.

Pois é… Aquele negócio que a Ministra Dilma achou excelente quando era Presidente do Conselho de Administração da Petrobras causou um belo prejuízo, segundo o TCU. Talvez esteja aí a explicação do porque Dilma conseguiu levar uma loja de R$ 1,99 à falência na época da paridade cambial dólar-real.

Quando a entrevista mostrada no vídeo acima foi exibida, Dilma já havia aprovado a compra da refinaria velha e ultrapassada de Pasadena.

Naquela época, o esquema de corrupção já funcionava a pleno vapor na Petrobras.

E o que dizia a Ministra?

Veja o vídeo novamente, por favor.

Vamos contextualizar mais uma coisa: Sérgio Gabrielli. Reportagem do Estadão:

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil contra a Petrobrás, a empreiteira Andrade Gutierrez, além de funcionários da estatal, por improbidade administrativa em razão de irregularidades em obras da companhia. Entre eles está o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli. O prejuízo estimado é de quase R$ 32 milhões aos cofres da Petrobrás.

A ação, subscrita pela promotora de Justiça Glaucia Santana, diz respeito a quatro contratos fechado para a realização de obras da ampliação e modernização do Centro de Pesquisas (Cenpes) e implantação do Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD) da Petrobrás. Os contratos foram superfaturados entre 2005 e 2010, segundo o Ministério Público.

José Sergio Gabrielli foi Presidente da Petrobras entre 2005 e 2012, quando finalmente foi substituído pela atual Presidente, Graça Foster. Gabrielli fazia na Petrobras aquilo que Lulla mandava.

Foi durante seu período na Presidência da estatal petrossauro que o esquema de desvio de dinheiro e corrupção investigados atualmente na operação Lava-Jato cresceram exponencialmente – ainda não se sabe quando começaram exatamente.

O fato concreto é que a Petrobras sofreu com PT, Lulla, José Eduardo Dutra, Sérgio Gabrielli, Dilma e Graça Foster.

Cada um deles deu a sua contribuição para dizimar a Petrobras:

As ações da Petrobras desmancharam e renovaram mínimas. O papel PN recuou 9,20%, para R$ 9,18, menor cotação desde 20 de julho de 2005, quando encerrou em R$ 9,16. O ON caiu 9,94%, para R$ 8,52, no menor nível desde 15 de setembro de 2004, quando terminou a R$ 8,47.

No fechamento do Ibovespa, o barril de petróleo WTI para entrega em janeiro recuava 2,45%, a US$ 56,66. O Brent para janeiro caía 1,25%, para US$ 61,38 o barril.

O presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, disse que a não divulgação do balanço da Petrobras na sexta-feira adiciona mais risco aos papéis e afugenta o investidor estrangeiro. Na sexta-feira, a empresa informou que adiaria mais uma vez a publicação de seu balanço não auditado. As demonstrações, que seriam divulgadas sem a anuência do auditor, a PricewaterhouseCoopers (PwC), agora são esperadas para o fim de janeiro.

“Espera-se que o balanço seja divulgado até o final de janeiro de 2015, caso contrário, dívidas em US$ 7 bilhões vencerão antecipadamente”, diz o Banco Fator em nota. Além disso, caso a empresa não divulgue seu balanço até o final de junho do próximo ano, o vencimento será de US$ 56,7 bilhões em dívidas.

“O exercício de opções sobre ações prejudicou ainda mais as cotações”, diz Magliano Neto. Segundo ele, não houve espaço para o exercício de opções de compra e muitos investidores que estavam com os papéis na mão para operações de derivativos optaram por vendê-los logo após o vencimento, às 13 horas. O vencimento de opções sobre ações na Bovespa movimentou R$ 3,58 bilhões. Do total, R$ 3,262 bilhões foram em opções de venda e R$ 352 milhões em opções de compra.

Magliano diz ainda que os estrangeiros estão vendendo os papéis da Petrobras. Para o profissional, a grande dúvida do mercado é o vencimento de opções sobre Ibovespa e Ibovespa futuro nesta quarta-feira. Os estrangeiros ainda estão comprados, mas podem reverter suas posições.

Reportagem do Valor Econômico, na íntegra em: http://www.valor.com.br/financas/3824186/petrobras-arrasta-ibovespa-para-os-47-mil-pontos#ixzz3MJ9zFigW

2014-12-17 17.25.32Sim, o valor de mercado da Petrobras DESPENCOU, e surgiram as piadinhas com o valor das ações da empresa…

Ações da Petrobras3Algumas das piadinhas, aliás, são bem sacadas!

Ações da Petrobras2Lamentavelmente, os incomPTentes que tomaram de assalto a Petrobras fizeram isso: dizimaram a empresa em todos os sentidos.

Assim, a questão que se apresenta é a seguinte: quais as perspectivas pra a Petrobras?

Vai falir?

Vai se recuperar e gerar lucro?

Bom, falir não vai, porque o seu maior acionista é o governo. O mais provável é que o governo use dinheiro público (meu, seu, nosso) para capitalizar a estatal paquidérmica, algo parecido com o que vem sendo feito com o setor elétrico: em 2012 a Dilma DESTRUIU o setor de energia elétrica, e desde então vem usando recursos do Tesouro para cobrir o rombo.

Existem casos semelhantes: o Banco do Brasil deveria ter falido 3 vezes durante o mandato de FHC, mas o governo injetou dinheiro para garantir que aquela outra estrovenga estatal, ineficiente, cara e pessimamente gerida, fosse à lona.

E a Petrobras, vai gerar lucro? Vai se tornar eficiente?

Bom, empresa de petróleo sempre gera lucro, mesmo que mal administrada como a Petrobras. O problema é a que custo.

Enquanto houver PTralhas arruinando o governo, a Petrobras – e todas as demais estatais, autarquias etc – continuará sendo mal administrada.

Enquanto essa estrovenga não for privatizada, a petrossauro seguirá um atraso de vida.

Estratégias de definição de preços na teoria e na prática

O artigo não é saído do forno (pelo contrário, é de 2013), mas estava na fila das leituras. Com o feriado, pude fazer a fila andar um pouquinho. O assunto é interessante demais. Merece ser estudado.

Uma das coisas que sempre me fascina é estudar as diferenças (gaps) existentes entre teorias e práticas no campo da Administração. Sempre achei que precificação é um dos assuntos mais complexos no marketing, pois envolve inúmeras variáveis ex-ante e ex-post, e tem uma relação de interdependência com outras áreas alheias ao marketing propriamente dito – por exemplo: a adoção da estratégia X ou Y na precificação depende da capacidade produtiva da empresa, da eficiência operacional, da relação com fornecedores, da capacidade de distribuição etc.

price-tag

Segue a introdução:

Because it is the element of the marketing mix that is directly associated with revenues, marketing scholars frequently call for attention for pricing (Diamantopoulos, 1991; Myers et al., 2002; Monroe, 2003). Pricing may have severe consequences when mistakes are made. Anecdotal evidence provided by Simon (1992) points at consequences of pricing that go beyond short‐term financial implications of firms, such as long‐run loss of market share or even a decrease of long‐run profitability of an entire industry. Management surveys on the importance of marketing instruments thus consistently report high ratings for pricing (e.g. Hooley et al., 1984; Myers, 1997). According to Dolan and Simon (1996) managers also seem to find pricing the most difficult marketing decision.

Although marketing theory and practice thus have a common interest in pricing, the practices through which companies make price decisions and literature on pricing theory have been residing in different worlds. Ever since Oxenfeldt (1973, p. 48) first spoke of a “gap between pricing theory and application,” comparable observations about the theory – practice dialogue in pricing have been made by others (e.g. Diamantopoulos, 1991; Monroe and Mazumdar, 1988). Bonoma et al. (1988, p. 337) state that “The gap between managers’ concerns and academics’ research is often recognised, bemoaned and blamed on one party by the other,” and Monroe (1995, p. 3) observes, “Regrettably there is much that needs to be done to improve our knowledge about how prices are determined, as well as how to communicate this knowledge to managers.” In response to these calls, Noble and Gruca (1999a) summarise price strategies proposed in marketing literature and test the feasibility of their proposed framework for pricing practice. They find that combinations of price strategies and their determinants, as derived from normative theory, reasonably apply to business practice. Yet their results also have prompted a discussion on the precise meaning of price strategies and pricing practices (Cressman, 1999; Noble and Gruca, 1999b). This discussion led Noble and Gruca (1999b, p. 459) to state that research should focus on “how companies go about setting prices” and that “the definitions […] should be clear enough to avoid the potential for confusion between academic and practitioner users of the results.”

The objective of this study is to bring further clarification to the theory‐practice dialogue in pricing by highlighting the role of price‐setting practices. Specifically, the contribution is threefold. First, this work clarifies the conceptual difference between price strategies and pricing practices. Second, it outlines the relationships between price strategies and price‐setting practices, emphasizing that choices of particular price strategies, such as price skimming, price bundling, or premium pricing, lead to relatively more emphasis on particular price‐setting practices (e.g. the use of information on customer value, competitors, and costs, respectively). Third, this study empirically tests these relationships with a sample of 95 small‐ and medium‐sized firms. These firms in particular use simplifying pricing practices (Carson et al., 1998; Hankinson, 1995). According to Monroe (1995, p. 3), they “seemingly follow pricing practices that have been shown to lead to less than optimal financial results.”

The subsequent sections clarify the conceptual difference between price strategies and pricing practices, then present hypotheses pertaining to the relationships between the two concepts. The next section discusses the method and results of our empirical study, followed by a discussion and implications for pricing practice and further research.

A íntegra (para ler no navegador ou baixar em PDF) está AQUI.

Uma reportagem do jornal O Globo de poucos meses atrás tratava da questão de precificação, e do quanto ela tem sido importante para negócios “digitais”:

Duas gigantes da internet anunciaram recursos para tentar ganhar espaço no concorrido mercado da web. O Facebook está testando uma ferramenta para permitir que seus usuários façam compras diretamente na rede social. Já a Amazon estaria testando um serviço de assinatura do Kindle que oferecerá um número ilimitado de livros digitais por mês a US$ 9,99 – similar ao sistema utilizado pelo Netflix para séries de TV e filmes –, segundo o site Gigaom.

[…] Já a Amazon, segundo informou o site Gigaom na quarta-feira, está testando um serviço de assinatura de livros e audiolivros digitais chamado Kindle Unlimited. Por US$ 9,99, o assinante terá acesso a mais de 600 mil títulos. A maior parte das páginas de teste sobre o serviço foram retiradas da internet na quarta-feira, depois de que alguns usuários do fórum de discussão Kindle Boards começarem a falar sobre elas. O Gigaom lembra que há dois meses havia rumores sobre o serviço, que competiria com os serviços similares e já existentes Scribd e Oyster.

Uma das páginas disponíveis na internet ontem sobre o novo serviço informava que 638.416 títulos — sendo 7.351 em áudio — estariam disponíveis para os assinantes. Entre eles, as séries “Jogos vorazes” e “Harry Potter”. De acordo com o Gigaom, participam do serviço editoras como Algonquin, Bloomsbury, Harvard University Press, Houghton Mifflin Harcourt, Open Road Media, W.W. Norton e Workman.

A colunista da Bloomberg Virginia Postrel destaca que esse novo modelo de asinatura da Amazon faz sentido, mas é difícil de decolar. “As editoras detestam e os contratos sobre royalties tendem a não se adequar muito bem a isso.” Mas, lembra a colunista, com o acordo da Apple para pagar até US$ 450 milhões para dar fim a casos federais e estaduais contra fixação de preços de e-books, a precificação de livros está em mudança.

Desde setembro de 2012, três grandes editoras — Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster — mantêm um acorde antitruste que as proíbe de restringir os preços de venda no varejo de e-books. Este acordo, afirma Virginia, expira em setembro e por isso Amazon e Hachette estão em negociação há alguns meses. A Simon & Schuster também mantém conversações com a Amazon, informou na terça-feira Les Moonves, diretor executivo da empresa-mãe CBS Corp.

“As notícias do modelo de assinatura do Kindle sugerem exatamente o que pode estar em jogo. Editoras lideradas pela Hachette, cujo contrato com a Amazon está em primeiro lugar, querem de volta o controle sobre os preços de varejo. Já a Amazon quer manter sua capacidade não só para reduzir os preços, mas para experimentar modelos inteiramente novos. Agregar e-books em uma assinatura, da mesma maneira que o Amazon Prime ou Netflix com pacotes de vídeo, é um modelo promissor”, afirma a colunista da Bloomberg.

Segundo matéria recente do jornal espanhol “El País”, a guerra comercial entre Amazon e editoras se divide em várias frentes de batalha. Nos EUA, há um conflito com a filial do grupo Hachette sobre a divisão das porcentagens entre o vendedor e o editor dos livros. Com a falta de um acordo, a Amazon tomou uma série de medidas — atrasar o envio, subir o preço ou retirar o botão de pré-venda — contra os títulos da editora, afetando autores tão conhecidos como J.K. Rowling. Na Alemanha, há um enfrentamento similar com as filiais do grupo sueco Bonnier. A Amazon já controla cerca de 60% do mercado de livros nos EUA. No caso dos livros eletrônicos, o domínio é ainda maior: 65%.

A íntegra desta reportagem está AQUI.

Marketing político, propaganda enganosa e estelionato eleitoral

Finalmente acabou a campanha eleitoral mais suja e mentirosa que eu já testemunhei (incluindo a de 1989).

Desde então, tenho lido inúmeros artigos criticando o “marketing político”, que teria sido o responsável pelo baixo nível da campanha, e que explicaria o estelionato eleitoral que vem ocorrendo desde o dia 27 de Outubro. Alguns exemplos de jornalistas (ou articulistas, colunistas etc) que estão utilizando erroneamente o conceito de marketing (são muitos exemplos, então tive que restringir a escolha, sob risco de ter que produzir uma wikipedia inteira): aqui, aqui, aqui e aqui.

Com efeito, quando os jornais, revistas e portais de notícias publicam artigos que criticam o marketing político, ou que usam o conceito de marketing como se fosse equivalente a propaganda enganosa, os leitores acabam acreditando que aquilo é marketing. Pior ainda: as pessoas ficam com uma impressão pejorativa do marketing! Essa impressão acaba ganhando ares de senso comum: sempre que alguém quer dizer que um candidato mentiu, coloca a culpa no marketing:

MARKETING NÃO É NADA DISSO!!!

Eu já escrevi aqui há muito tempo, e repito: marketing político NÃO EXISTE.

A única coisa que os chamados “marqueteiros” das campanhas politicas fazem é COMUNICAÇÃO. Nada contra a comunicação, evidentemente, mas comunicação NÃO é sinônimo de marketing.

Eu já contei um caso aqui no blog, há muito tempo, e vou recapitular de forma resumida. Uma aluna queria fazer um TCC sobre marketing político, e pediu que eu orientasse o trabalho. A contragosto, fiquei de analisar se toparia ou não. Fiz, então, uma pesquisa em textos e fontes acadêmicas sobre o tema. Achei uma dissertação de mestrado, e fui ler.

O que a autora da dissertação chamou de “marketing político” era, na verdade, um conjunto de ações de COMUNICAÇÃO. Preparar discursos de candidatos, fazer roteiros de programas políticos, redigir frases a serem usadas em comícios, atos de campanha e debates, produzir conteúdo para sites, mídias sociais e outros meios etc…

TUDO, enfim, que compete a uma agência de comunicação/propaganda.

O problema é que marketing é um conceito bem maior, mais abrangente, mais amplo.

Vou recorrer a uma das definições elementares do conceito de marketing, que apresento aos meus alunos no início do curso, para ajudar a esclarecer o senso comum que leva a esmagadora maioria dos leigos a confundir marketing com propaganda:

Marketing é um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam através da criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor.

Esta definição acima é do Philip Kotler, extraída do livro Administração de Marketing. Eu poderia apresentar outras definições, mas vou ficar apenas com uma, para simplificar (quem quiser aprofundar-se, pode ler o excelente artigo FALÁCIAS EM MARKETING NO BRASIL, escrito em 2006 por Marcos Campomar e Ana Ikeda, texto que eu uso na primeira semana de aula, aliás, pois apresenta diversas falácias e concepções equivocadas sobre o conceito de marketing).

A partir desta definição do Kotler, fica evidente que numa campanha político-eleitoral, não são criados produtos nem serviços para um determinado público consumidor; busca-se, apenas e tão somente, ajustar os discursos de um candidato a um determinado cargo politico de forma a fazer com que a maioria dos eleitores vote naquele candidato. Isso é, em suma, COMUNICAÇÃO.

Eis aqui um exemplo da comunicação adotada pelo PT nesta campanha suja de 2014:

2014-10-24 20.27.08

Este caso específico mostra duas coisas: (1) COMUNICAÇÃO é fundamental numa campanha eleitoral ; (2) o PT adota a comunicação do terrorismo eleitoral, tentando fazer com que os milhões de beneficiários do bolsa família votem na Dilma por causa do MEDO de perder o benefício.

Mas não é só a chantagem com o bolsa família, não:

2014-10-25 22.16.28

Ou ainda:

SMS PT

Mais um exemplo (este aqui eu recebi a menos de 5 dias do 1o turno):

2014-09-29 22.15.19O chamado “marqueteiro” do PT, João Santana, não faz marketing, ele apenas escolhe as ferramentas de comunicação que julga mais apropriadas e decide a forma de usá-las, o momento etc. Ele não está preocupado com a satisfação do cliente/consumidor (basta ver os exemplos de estelionato eleitoral que serão apresentados mais abaixo), ele não se preocupa em mentir para fazer com que a pessoa vote na Dilma, nada disso. Tudo o que importa é conseguir o voto.

Eu não resisto a apresentar a definição da American Marketing Association, para encerrar a parte de conceituação:

Marketing is an organizational function and a set of processes for creating, communicating and delivering value to customers and for managing customer relationships in ways that benefit the organization and its stakeholders.

O que acontece numa campanha eleitoral é mais simples do que parece: candidatos mentem e, depois de eleitos, acabam tendo que fazer coisas um pouco diferentes das promessas. Em alguns casos, a diferença entre a promessa e a ação posterior à eleição é maior. E, num patamar mais elevado, temos o que vem ocorrendo no Brasil: ESTELIONATO ELEITORAL. Durante a campanha, Dilma e o PT mentiram de forma assombrosamente desavergonhada e, depois que (infelizmente) ganharam a eleição, começou a ficar evidente o estelionato eleitoral.

Vamos a alguns exemplos, a seguir.

O primeiro caso: a candidata usa sua conta no Twitter em 19 de Outubro para falar sobre desmatamento:

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No dia 07 de Novembro, a Folha publica isso:

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O segundo caso: inflação e juros. Durante toda a campanha, Dilma afirmou que o PSDB gostava de juros altos. Fizeram uma campanha extensa com mentiras e deturpações de diversos dados e até mesmo de falas do Armínio Fraga sobre salários mínimo, juros, bancos públicos etc. Aqui, dois exemplos, ambos datados de Outubro:

Firefox 68

Dilma Rousseff on Twitter- "Vocês (PSDB) sempre gostaram de plantar inflação para colher juros. #QueroDilmaTreze http---t.co-OmnxZr4WTm"A eleição aconteceu no dia 26. Apenas TRÊS dias depois, aumento de juros. Eis aqui a capa do jornal O Globo do dia 30 de Outubro:

Firefox 78

Há inúmeros outros casos: aumento de energia elétrica, aumento do preço da gasolina, aumento do número de miseráveis no Brasil etc (veja mais alguns exemplo ao final do post).

Para finalizar, uma das maiores e mais descaradas mentiras que eu ouvi durante a campanha: o Bolsa Família.

Primeiro um vídeo curtinho:

Agora, uma das afirmações mentirosas da Dilma durante a campanha:

Firefox 65Criação do Bolsa Família

A questão central é relativamente simples: durante a campanha o PT adotou a MENTIRA como “estratégia”. As propagandas do horário político mostravam um país que jamais existiu, sem problemas, com tudo perfeito. Em diversas oportunidades da candidata Dilma afirmou, com todas as letras, que a inflação estava sob controle; a candidata mentiu quando se referiu às idéias defendidas pelo Armínio Fraga; a candidata mentiu sobre tarifas de serviços públicos etc. etc. etc. Passada a eleição, a realidade tratou de desmontar ruidosamente a campanha falsa. Tudo o que a Dilma falou desceu pelo ralo.

Marketing não tem nada a ver com isso. O que aconteceu não foi marketing eleitoral, nem marketing (sem o adjetivo “eleitoral” depois). Alguns poderiam chamar de “propaganda enganosa“, mas jamais de marketing. O termo correto é sucessão de mentiras, que se acumularam, e depois ficou latente o estelionato eleitoral.

Alguns poderão lembrar que logo após a eleição de 1998, o Brasil sofreu um estelionato eleitoral também: FHC segurou a paridade do real frente ao dólar de forma artificial, e pouco depois de ter sido reeleito, começou o ajuste que causou uma crise. Sim, houve estelionato eleitoral ali. Da mesma forma, Fernando Collor promoveu outro estelionato eleitoral, com o confisco da poupança.

E aqui faço um pequeno parêntesis: dois economistas que têm voz ativa no PT e no governo Dilma foram FAVORÁVEIS ao Plano Collor: Maria da Conceição Tavares e Luiz Gonzaga Belluzzo. Belluzzo, aliás, não apenas foi favorável ao confisco e ao Plano Collor como um todo, mas colaborou ativamente. Tanto Tavares quanto Belluzzo seguem defendendo o PT, Lulla, Dilma e companhia limitada, apoiando a política econômica desenvolvimentista que só tem produzido o fiasco econômico dos últimos anos. Fecha parêntesis.

Desta forma, resta evidente que estelionato eleitoral não é uma novidade no Brasil. Contudo, nunca antes na história deste país houve um estelionato eleitoral tão grande, abrangente, profundo e descarado como o atual, promovido pela economista que não entende nada de economia e que teve a rara habilidade de levar à falência uma lojiha de R$ 1,99 na época da paridade do real ao dólar.

A seguir um pequeno apanhado da quantidade de mentiras contadas por Dilma Ruinsseff na campanha que foram desmascaradas pelos fatos em poucos dias, conforme eu havia prometido (clique nas imagens se quiser ampliar):

Firefox 79 Firefox 80 Firefox 81 Google Drive
Estelionato

Estelionato_2

Por que a receita dos iPads vem caindo? Ciclo de vida do produto.

Artigo interessante que li na Business Insider (íntegra AQUI):

To the surprise of few Apple watchers, the company delivered its third straight quarter of declining iPad sales.

The reason why sales are shrinking appears to be pretty obvious. There isn’t a good reason to own three Apple gadgets — a Mac, iPhone, and iPad — when a combination of just two of them will do. And now that iPhones come with larger screens, there’s even less of a reason to buy an iPad along with it.

This is not to say the iPad is a bad tablet. It’s a wonderful tablet, the best you can buy. And it’s likely the primary computer for a lot of people who don’t need to do much beyond checking Facebook and some light emailing. But keep in mind the modern tablet space is only four and a half years old. We’re still learning how people use them and how often they upgrade.

Apple CEO Tim Cook admitted as much on today’s earnings call.

“People hold onto iPads longer than they do a phone,” he said. “We’ve only been in this business four years. We don’t know what the upgrade cycle will be.”

If you have a third-generation iPad with Retina Display (which launched in early 2012) or later, there’s no reason to upgrade to one of the new iPads Apple introduced last week. Yes, the new models are faster, thinner, and have better cameras, but even iPads that are two and a half years old are more than capable and plenty thin and light.

iPads either need to learn how to do more in order to entice people to upgrade, or we should retool expectations for how often people should upgrade them. The iPhone may last about two years for the typical user, but the iPad might be a four- or five-year upgrade.

Resumindo: tablet é uma categoria de produtos relativamente nova – o primeiro iPad foi lançado há apenas 4 anos. Todas as empresas estão ainda aprendendo como é o ciclo de vida do produto.

Um tablet não precisa ser trocado todo ano, exceto para um nicho de consumidores (categoria conhecida nas teorias de marketing como heavy users, ou aqueles que fazem questão de possuir a tecnologia mais recente, atual). Para a maioria dos consumidores, porém, um tablet tem um ciclo de vida relativamente longo. Eu, por exemplo, tinha um iPad (o original, de 2010) até o começo deste ano. Comprei um iPad Air, que deve me servir plenamente por pelo menos mais 3 ou 4 anos (no mínimo!).

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Creio que há um OUTRO fator que pesa bastante nesta questão: o iPhone é usado diariamente, o dia todo – carregamos no bolso, em bolsas etc. Ele está mais sujeito a cair, ser batido em alguma superfície dura etc. Os tablets, por outro lado, são utilizados com uma frequência menor, e sob diferentes (e melhores) condições de uso, o que ajuda sobremaneira a aumentar sua durabilidade.

Comparativo entre a Petrobras de 2002 e a de 2013

Devido ao período eleitoral, já andei lendo algumas afirmações estapafúrdias sobre o perfil da Petrobras ao final do mandato do PSDB (dezembro de 2002) e agora, sob o mandato do PT. Se o intuito é fazer comparações entre os legados, vamos lá!

Antes de começar: exceto quando indicado expressamente, estou usando dados de Dezembro de 2002 e Dezembro de 2013 (haja vista que o ano de 2014 ainda não acabou).

Ao iniciar a pesquisa para escrever este texto, localizei um artigo publicado originalmente no site “Brasil 247“, um daqueles sites da esgotosfera governista (bancado com dinheiro de estatais para elogiar o PT). Nada publicado naquela pocilga presta, mas serei mais específico (os trechos grifados eu irei comentar na sequência):

Como a memória do senador Aécio Neves e sua trupe não anda boa, ou anda tomada de uma súbita e conveniente amnésia, não custa fazer algumas comparações porque, agora, distante daqueles acontecimentos, falam como se aqueles tempos fossem modelares, e estes, os tempos do naufrágio. De naufrágio na Petrobras, como vimos, é o tucanato que entende. São números gritantes que revelam, de um lado, o desastre do passado; de outro, o quanto a Petrobras cresceu sob a gestão Dilma/Lula.

Peguemos o valor da empresa, sobre o qual volta e meia o tucanato deita falação. Em 2002, a Petrobras valia 15,5 bilhões de dólares. Em 2012, seu valor subiu para 126 bilhões de dólares. Esses números revelam o que foi o trabalho da gestão tucana, medíocre, e o que foi a administração Lula/Dilma.

Como o tucanato tem feito cavalo de batalha sobre o lucro da empresa em 2012 – nada mais, nada menos que R$ 21,2 bilhões –, vamos recordar, que recordar é viver, que em 2002, o lucro da Petrobras foi de R$ 8,1 bilhões. E agora, José? Quanto a investimentos, que é sempre bom comparar, em 2002, a empresa investiu R$ 18,9 bilhões. Em 2012, chegou a investir R$ 84,1 bilhões. É sempre um escândalo de superioridade.

Querem mais? Que nos lembremos do número de empregados, que saltou de 46,6 mil trabalhadores em 2002 para 84,7 mil em 2012. Claro, sabemos, o tucanato critica os concursos, nunca quer aumentar o número de assalariados, lança sobre a empresa o seu olhar de Estado mínimo que quase levou o Brasil à falência. São esses trabalhadores, engenheiros, operários, técnicos de operação, gerentes, dos mais simples aos mais preparados, que sempre fizeram a grandeza da Petrobras nesses seus mais de 60 anos. Acreditar que ela pode crescer sem o crescimento constante de seu número e de sua qualificação é levá-la ao desastre, como ocorreu nos anos do tucanato.

Andaram criticando a produção de óleo, não foi? O tucanato é assim: lê pouco, estuda pouco, investiga pouco para deitar falação. Que seja, comparemos. Em 2002, o Brasil produzia 1 milhão e 500 mil barris por dia. Em 2012, saltou para 1 milhão e 980 mil barris por dia. Vamos então à comparação quanto às reservas provadas: de 11 bilhões de barris equivalentes de petróleo (BOE) em 2002 para 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente de petróleo em 2012. Nada, nada que se compare, por óbvio, favorece a gestão temerária e irresponsável do tucanato à frente da Petrobras. Receita, o tucanato gosta muito de falar em receita. Aí é um escândalo: lá, em 2002, era de R$ 69,2 bilhões; em 2012, saltou para R$ 281,3 bilhões.

Sob quaisquer aspectos, os anos dos governos Lula/Dilma foram superiores em relação à Petrobras. O que impressiona é ouvir o senador Aécio Neves falar em reestatizar a Petrobras. Será que ele se esqueceu de que a pretensão óbvia, escancarada do tucanato era privatizar a empresa? Por alguma razão, a memória deve estar falhando. Não se lembra da proposta de Petrobrax.

Vou deixar de lado as bobagens partidárias e me concentrar nos dados e afirmações referentes à comparação da situação financeira da Petrobras nos dois momentos supracitados.

O autor pegou o valor nominal (tanto da receita quanto do lucro ou do valor de mercado) de 2002 e comparou com o valor nominal de 2012. O sujeito não sabe que o valor do dinheiro muda no tempo? Sugiro ao Sr. Emiliano José tirar uma licença não remunerada do seu cargo de suplente de deputado pelo PT/BA e estudar a diferença do dinheiro no tempo.

A variação da moeda (e também a inflação) foi desprezada, a variação do preço do petróleo foi ignorada etc. Em dezembro de 2002, o preço do barril de petróleo bruto era US$ 27,89. Em dezembro de 2013 era US$ 105,49. O crescimento nominal é de 278,24%. O autor do “texto” mencionou isso? Não.

Pior: ele simplesmente ignorou todos os elementos BÁSICOS e ELEMENTARES que um aluno de Administração Financeira aprende nas primeiras aulas. Um exemplo bastante elementar: imagine que a empresa A vende um litro de um certo produto por 27 reais, enquanto a empresa B vende o mesmo litro do mesmo produto por 105 reais.

Qual das duas terá receita de vendas maior?

Se o preço (de revenda) do meu produto aumenta e minhas vendas também aumentam, meus lucros aumentarão, certo? Impossível ter prejuízo neste cenário, não é? Depende. A Petrobras prova que não necessariamente.

Em 2012 a Petrobras conseguiu ter prejuízo no 2.o trimestre (R$ 1,3 bi), mesmo com o consumo, vendas e preços aumentando. Mas como deu prejuízo, então? Eis aqui:

gasolina_bzA Petrobras teve prejuízo porque ela teve que importar gasolina. Muita. Detalhe: ela pagava mais caro do que o preço de revenda no Brasil. Sim, você leu direito: sob a batuta de Dilma Rousseff, a Petrobras transformou-se numa empresa que compra um produto por R$20,00 e vende a R$14,00, conseguindo a proeza de ter prejuízo a cada venda realizada.

Genial, não?!

Outro exemplo bastante básico: em dezembro de 2002 o João investiu R$ 100,00 na caderneta de poupança. Se em dezembro de 2013 ele tivesse os mesmos R$ 100,00 de saldo, sendo que ele não fez nenhum saque e nenhum depósito ao longo do período, ele iria ficar feliz? Não, porque R$ 100,00 em 2002 compravam mais coisas do que R$ 100,00 em 2013. Quando nós depositamos R$ 100,00 na caderneta de poupança (ou qualquer outro investimento, no geral), temos a expectativa de que quando formos sacar o dinheiro haja um valor MAIOR do que o valor que nós depositamos, certo? Mas e se o valor for exatamente o mesmo? Perda do poder de compra devido à, entre outros fatores, famigerada INFLAÇÃO.

O Sr. Emiliano ignorou esse “detalhe” também. Fazendo alguns cálculos grosseiros, bem básicos mesmo, é possível provar que o Sr. Emiliano está completamente errado. EM TUDO.

A oferta monetária brasileira expandiu-se fortemente desde 2002, fazendo com que a moeda brasileira perdesse um pouco mais de 90% do poder de compra durante o período. Traduzindo: R$ 10,00 hoje representam algo como R$ 1,10 em 2002. Considerando-se, portanto, a perda da moeda e seu reflexo nos indicadores da Petrobras, a empresa deveria apresentar um lucro de R$ 73,71 bilhões (anuais) e não apenas os R$ 21,2 bilhões apresentados em 2012 ou os R$ 23,4 apresentados em 2013. A incapacidade atual da empresa em não obter esse número gera um óbvio reflexo sobre a rentabilidade do patrimônio, que decaiu de 23,59% em 2002 para a 5,89% em 2014, que é praticamente metade do retorno da Selic (atualmente 11%). Este baixo retorno aumenta os riscos para o investimento. Em português: não quero investir meu dinheiro na Petrobras porque, na comparação com outros investimentos, ela está com um retorno decrescente. O resultado dessa escolha equivocada da Petrobras é bastante claro (reportagem publicada no Globo aqui):

Das grandes empresas de capital aberto na América Latina e nos Estados Unidos, a Petrobras é a que apresenta o pior retorno em suas ações, segundo dados da consultoria Economática, que levou em conta as companhias com valor de mercado superior a US$ 100 bilhões. A estatal também viu seu valor de mercado cair pela metade em menos de quatro anos, período que serviu de base para o levantamento.
Foi considerado o período entre 31 de dezembro de 2010 e 26 de setembro de 2014 e, com base no critério de valor de mercado de no mínimo US$ 100 bilhões, as ações de 38 empresas foram analisadas. Foram considerados os preços em dólares para o cálculo do retorno das ações. Os papéis ordinários (com direito a voto) da Petrobras apresentam queda de 50,59% e os preferenciais (sem direito a voto) acumulam desvalorização de 38,18%.
Já o valor de mercado da estatal caiu a menos da metade. Em dezembro de 2010, a Petrobras valia US$ 228,2 bilhões e na última sexta-feira, US$ 108,9 bilhões, um recuo de 52,3%.
Entre as ações com melhor desempenho, aparecem a Exxon Mobil, que apresentou uma valorização de 43,7% no período, seguida da Coca-Cola, que subiu 42,84%.

Outra coisa: a perda da eficiência operacional fez com que sua margem líquida se reduzisse praticamente pela metade ao longo do governo petista, decaindo de 11,71% em 2002 para 6,68% em 2014. Se não bastasse, os fundamentos da empresa estão ameaçados devido ao estrangulamento do único fundamento que acompanhou a desvalorização monetária: as dívidas. O endividamento bruto da Petrobrás subiu de R$ 30,80 bilhões em 2002 para R$ 308,15 bilhões em 2013, enquanto seu endividamento líquido subiu de R$ 18,92 bilhões em 2002 para R$ 229,6 bilhões em 2013. Mais adiante apresentarei um gráfico ilustrando essa questão.

Agora quanto ao valor de mercado da Petrobras e o índice Bovespa: de 1995 até o final de 2002 (período do PSDB), a ação da Petrobras se multiplicou por 6, enquanto o Ibovespa apenas triplicou. Ou seja, o desempenho da estatal foi o dobro do índice de ações brasileiras no período. O Gráfico 1 ilustra este período (clique nos gráficos para ampliar):

Gráfico 1
Na era do PT (Gráfico 2, abaixo), a ação da Petrobras se multiplicou por quase 5, ou seja: o mesmo patamar do Ibovespa. O período do PT é mais longo, pois tem, além dos 2 mandatos de Lula, mais os 3 anos de Dilma. Ainda assim, a Petrobras se valorizou menos em termos nominais, e bem menos em relação às demais empresas brasileiras. Como o Gráfico abaixo demonstra, em 2008 houve um descolamento dos índices da Petrobras em relação ao Ibovespa, que se deveu ao “frisson” causado pelo pré-sal. Contudo, ao final do período, houve empate.

Gráfico 2
Mais uma coisa: como a Petrobras vende uma commodity, seu preço é fundamental para determinar sua receita e, por conseguinte, sua rentabilidade. Logo, comparar com uma cesta de empresas do mesmo setor se faz necessário para uma melhor análise. Eis o resultado:

Gráfico 3
Não foi possível pegar dados desde 1995 pois não estão disponíveis para o XLE; assim, o Gráfico 3 acima retrata o período do final de 1998, que engloba o segundo mandato de FHC, até o fim de 2002. Neste intervalo, a Petrobras subiu mais de 20%, enquanto o XLE ficou estável. Em compensação, nos últimos quatro anos a Petrobras perdeu 80% de valor em relação ao XLE. A grande destruição de valor da estatal tem se dado na gestão Dilma, em parte pela “herança maldita” de Sérgio Gabrielli no comando da empresa, em parte pelo uso político da estatal, incluindo o congelamento de preço do combustível.

Mas não acabou ainda. O Sr. Emiliano José jogou alguns números de funcionários da Petrobras em seu apanhado de falácias.

Segundo a própria Petrobras informou em Junho de 2014 (aqui), o efetivo atual do Sistema Petrobras é de 86.108 empregados, que inclui a Petrobras controladora e todas as suas empresas no Brasil e no exterior. Em 2002, esse número era de 40.395 empregados. Em 2002, o número de empregados de empresas prestadoras de serviços no Sistema Petrobras era de 121.225. Hoje são 360.180 prestadores de serviço. Traduzindo: houve aumento de 197% no total de funcionários terceirizados, enquanto o quadro de funcionários contratados/concursados sofreu expansão de 113% (estou ignorando as casas decimais).

Não localizei os dados de produtividade do período para a comparação, o que seria crucial. Mas é possível fazer a seguinte conta:

  • Antes havia 40.395 empregados e gerou-se um lucro de R$ 8,1 bilhões. Assim, o lucro por funcionário era R$ 200.519,87.
  • Agora há 86.108 funcionários e um lucro de R$ 21,2 bilhões (este é o valor apresentado pelo suplente de deputado do PT em seu artigo mentiroso, referindo-se a 2012). Assim, o lucro por funcionário é R$ 246.202,44.

Foram mais de 10 anos, e a receita por funcionário aumento apenas 22%?

A quantidade de funcionários aumentou 113%, mas a receita por funcionário aumentou 22%. Isso indica claramente perda de produtividade. E não é pouca!

Vamos falar da PRODUÇÃO? Este indicador é o mais vergonhoso. No período compreendido entre 2002 e 2013, a produção (barris/dia) por funcionário CAIU de 37 para 22, ou seja, caiu 40%. Estou resumindo no Quadro abaixo:

Quadro 1OBS: No Quadro, o Lucro utilizado é o de 2012, não de 2013, pois foi o valor utilizado no texto do suplente de deputado do PT e “jornalista”.

Quero destacar que utilizei os mesmo números apresentados pelo Sr. Emiliano para basear esta comparação. Como o “jornalista” é suplente de um deputado do PT, jamais se pode descartar a hipótese de ele ter deturpado os números e/ou mentido. Mas não importa: mesmo se ele tiver inflado os números, ainda é evidente que a Petrobras piorou sob a gestão do PT.

Abaixo, um gráfico comparando 4 números: receita, dívida bruta, dívida líquida e lucro. Percebam a variação destes indicadores entre 2002 (barras azuis) e 2013 (barras vermelhas).

Petrobras - Gráfico 4O lucro cresceu muito pouco quando comparamos com o crescimento da dívida. Além disso, percebam que em 2002 havia uma lógica (proporção) na correlação entre os 4 indicadores: a receita era a maior, a dívida bruta menor, a dúvida líquida menor ainda e o lucro era o menor dos 4 números. Havia, pois, uma lógica, uma uniformidade na proporção destes 4 indicadores. Com o PT, acabou a lógica, acabou a proporção. Em 2013, a dívida bruta supera a receita. E, atenção, SUPERA MUITO. A Petrobras estava financeiramente equilibrada em 2002, e está desequilibrada em 2013 (hoje, 8 de outubro de 2014, está pior, mas se recuperando nos últimos 2 dias em termos de valor de mercado e interesse nas ações graças às chances de que o Aécio venha a se eleger).

Em tempo: aqui eu mostrei uma comparação menos detalhada entre a Petrobras e a Ecopetrol da Colômbia. Quero relembrar o seguinte: a EcoPetrol tem uma produção MUITO menor do que a Petrobras (cerca de 612 mil barris/dia, contra 1,98 milhão da Petrobras), mas tem uma rentabilidade de 19%, enquanto a Petrobras patina na casa dos 6%.

E já que mencionei outra empresa, vou expandir um pouquinho o escopo. Para quem quiser falar em “privataria tucana”, ou dizer que o PSDB algum dia quis privatizar a Petrobras (infelizmente jamais pretendeu, o que é uma pena), os gráficos abaixo podem magoar: uma sucinta comparação entre as ações da Vale, privatizada, e da Petrobras, estatal; há, ainda, um resumo do que houve com a telefonia celular graças à privatização.

8097e-privataria

Resta provado, assim, que a Petrobras piorou em termos de gestão. Mas há um outro aspecto relevante, no qual não vou enveredar pois fugiria ao escopo; vou apenas citar. CORRUPÇÃO.

Nos últimos meses há denúncias das mais diversas mostrando que a Petrobras foi amplamente usada como balcão de negociatas das mais sujas. O dileto leitor pode encontrar diversas nas excelentes reportagens da Revista Época sobre o tema – foram diversas. Sobre isso, relembro apenas uma coisinha:

2014-10-02 17.38.56

E, para finalizar, quero citar um caso que aconteceu comigo, em sala de aula.

Em 2007 eu estava dando uma aula de marketing, tratando de análise de cenários, concorrência, posicionamento estratégico de marketing etc. Em dado momento, usei como exemplo a Petrobras, e passei a discutir concorrentes (atuais e futuros). Uma aluna levantou a questão dos combustíveis renováveis, especialmente etanol. Ela disse que o Brasil iria se tornar uma potência em termos de produção de etanol, inclusive ecoando propaganda do governo Lulla que afirmava isso (lembrando: em 2006, no esforço para se re-eleger, Lulla fez a Petrobras gastar R$ 35 milhões em propagandas afirmando que o Brasil atingiria, naquele ano, a auto-suficiência; o problema é que a auto-suficiência não aconteceu até hoje).

Eu disse a ela para ter calma, porque o Lulla e o PT sempre, sempre, sempre acabam estragando qualquer coisa que funcione minimamente.

Agora, em 2014, só neste ano mais de TRINTA usinas de álcool foram à falência em SP. Fecharam. Isso ocorreu porque o etanol perdeu eficiência (está mais barato abastecer com gasolina) e as demais alternativas de combustíveis que foram tão comentadas pelo Lulla sumiram (biodiesel? Mamona?). Para piorar, a Petrobras tornou-se a empresa mais endividada DO MUNDO, não importa qual setor você avalie.

A aluna achou que eu estava exagerando há 7 anos.
Será que ela ainda acha isso hoje?

Nota: Para produzir este texto, usei dados de diversas fontes. Como o intuito não era dar um aspecto “acadêmico”, cheio de citações e/ou interrupções, vou apenas indicar os links: aqui, aqui, aqui.

Leituras complementares sobre a Petrobras (posts meus aqui no blog):

Incapacidade gerencial de Lulla e Dilma arruinou a Petrobras (2012)

Petrobras é a empresa com maior endividamento do setor – NO MUNDO (2013)

Privatização da Vale e dominação da Petrobras (2013)

A privatização de empresas e as bobagens ditas pelos ignorantes (2013)

IPEA, FAO, IBGE: dados, estatísticas, erros e desinformação

Há alguns meses, o IPEA foi protagonista de uma situação constrangedora: divulgou uma pesquisa sobre estupro que causou uma repercussão imensa. A pesquisa, descobriu-se pouco tempo depois, estava completamente errada. Não se tratou de um ou dois errinhos, não; eram erros tão amplos, crassos e profundos que o melhor a fazer era jogar toda a pesquisa no lixo e fingir que aquilo jamais aconteceu.

Há poucos dias, veio à tona um estudo da FAO (órgão inútil da ONU presidido por um petista) que também estava baseado em dados falsos. Sobre isso, aliás, eis aqui um vídeo curtinho, claro, objetivo e altamente revelador:

Como sempre acontece, esse tipo de notícia vira base para que alguns ignorantes, que não entendem nada de dados e metodologia de pesquisas, soltem suas bobagens:

Hoje tivemos a cereja do bolo: o IBGE divulgou nota oficial e convocou coletiva de imprensa para avisar que os dados da PNAD que haviam sido divulgados ONTEM continham erros tão graves que, após revisados, alterariam sobremaneira grande quantidade das conclusões apresentadas ontem à imprensa.

Esse tipo de ocorrência é grave, séria.

Uma coisa é um(a) candidato(a) dizer coisas diferentes em momentos diferentes – vejamos, por exemplo, Dilma Rousseff, que em 2010 era favorável à autonomia do Banco Central, mas em 2014 está produzindo mentiras sobre o assunto em virtude da posição da Marina Silva:

2014-09-12 13.55.46

Infelizmente, como imensa maioria da população tem memória fraca e pouco conhecimento sobre 90% dos assuntos econômicos, esse tipo de vai-e-vem de opiniões é comum entre candidatos (a qualquer cargo, registre-se).

Outra coisa, completamente diferente, é vermos órgão estatais ESPECIALIZADOS no assunto cometendo barbeiragens como esta do IBGE, do IPEA ou da FAO.

A despeito de achar que 90% das colunas do José Roberto de Toledo (do Estadão) merecem no máximo a lata do lixo, nesta ele acertou (íntegra AQUI):

Não há hora certa para fazer bobagem, mas não poderia ter sido pior o momento para o IBGE errar como errou na divulgação da PNAD 2013. Imediatamente o instituto virou matéria prima para teorias da conspiração eleitorais. “Maquiagem” foi a palavra da hora nas redes sociais. Mas foi só incompetência mesmo.
O ônus de admitir um erro dessa magnitude na reta final da sucessão presidencial é tão grande que só uma “maquiagem” completa para embelezar os indicadores poderia justificá-lo. Não foi o que aconteceu. Vários indicadores ficaram mais feios.
A renda, por exemplo, cresceu só 3,4% de 2012 para 2013 – muito menos do que os 5,1% divulgados na véspera. O analfabetismo caiu menos ainda (0,2 ponto, e não 0,4), a média de anos de estudo da população foi de 7,5 para 7,6 e não para 7,7 como se pensava.
O que não ficou mais bonito tampouco ficou menos feio: a taxa de desemprego nacional cresceu mesmo, de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Se fosse para fazer uma cirurgia plástica nos dados, esse teria sido um número a sofrer lipoaspiração.
Um dos poucos indicadores que melhorou foi o da desiguldade medida pelo índice de Gini. Quanto menor, melhor. E o Gini de todas as fontes de renda caiu de 0,505 para 0,501 (antes de o erro ser detectado, tinha ficado igual). E o Gini da renda de todos os trabalhos foi de 0,496 para 0,495 – em vez de 0,498. Ou seja, não virou nenhuma Gisele Bundchen estatística.
Qual foi o erro, então? A PNAD não é uma simples amostra da população brasileira. Ela é uma série de amostras estaduais e regionais que depois são combinadas à amostra nacional. O IBGE faz isso para poder extrapolar os resultados por região metropolitana, por exemplo. É uma prática comum em pesquisas.
Em eleição os institutos fazem isso quando querem pesquisar a intenção de voto nacional para presidente e, ao mesmo tempo, saber como os paulistas vão votar para governador, por exemplo. Amplia-se o tamanho da amostra em São Paulo apenas, para aumentar a confiabilidade dos dados. Mas na hora de calcular a taxa de intenção de voto para presidente em todo o Brasil, faz-se uma regra de três para dar o peso correto à amostra paulista.
Segundo o IBGE, alguém esqueceu de fazer isso com as amostras das regiões metropolitanas de vários Estados. Assim, elas ficaram com um peso desproporcionalmente grande na amostra do Brasil – por isso os dados educacionais pareciam melhores do que eram de fato, já que a escolarização é maior nas metrópoles.
Apesar de tudo, foi importante o IBGE ter admitido o erro e publicado os resultados certos com clareza – comparando-os aos errados, para todo mundo saber onde estavam os problemas. A PNAD é o melhor termômetro do que acontece com o Brasil. Sem saber se há febre ou não, é difícil acertar o diagnóstico e o remédio.
O erro amassou a reputação do IBGE, mas reconhecê-lo de pronto era a coisa certa a fazer. Maquiagem seria tentar escondê-lo.

Claro que surgirão teorias da conspiração e questionamentos sobre a lisura do IBGE. É do jogo.

Ao mesmo tempo, em virtude da postura totalitária do governo (que exige demissão de funcionário do Santander por enviar a seus correntistas uma análise tecnicamente correta e impecável, mas que desagradou à Presidente que se acha a Rainha do Amazonas; ou querer expulsar do país um repórter do New York Times que escreveu uma matéria tecnicamente correta, ainda que fraca, sobre os hábitos de um ex-presidente bebum), é compreensível que surjam dúvidas sobre os motivos que levaram o IBGE a voltar atrás em apenas um dia.

Eis aqui um artigo curtinho do Reinaldo Azevedo sobre o caso:

O IBGE mobiliza uma tropa de técnicos para processar as informações colhidas pela Pnad. Se a rotina não mudou, há todo um processo de conferência de dados. Mais: há procedimentos justamente para capturar eventuais erros antes da divulgação. Fazer de conta que estamos diante de uma narrativa corriqueira corresponde a tapar o sol com a peneira. Não estamos.

Então, depois de uma demora que também não teve a devida explicação, os dados são divulgados, constata-se a estagnação da redução da desigualdade, o tema ganha óbvia tradução política — e nem poderia ser diferente —, e, com rapidez espantosa, corrige-se o “erro” e se obtém o resultado desejado? “Ah, a desigualdade continua em queda”. Que bom, né? A oposição já não poderá mais usar esse argumento.

Estou acusando o IBGE de ceder à pressão oficial? Não exatamente. Se achasse, diria. Mas que devemos estranhar o procedimento, ah, isso devemos, sim.

Reitero: o que me espanta é o fato de checagens periódicas, que fazem parte do método de processamento de dados, não terem identificado, durante meses, um erro tão sério, depois identificado num único dia.

O que se passa no IBGE? Não sei. Nenhuma possibilidade é boa.

Depois disso tudo, o governo incompetente e totalitário do PT anunciou que irá criar comissões para avaliar os erros. Essa gente pitoresca adora “comissões” e “grupos”, né?! Elas jamais conseguem produzir nada, mas são criadas às pencas.

Que o IBGE errou não há dúvida.

A questão é compreender qual a extensão e a gravidade dos erros. Conforme apontou Cristiano Romero, excelente jornalista do Valor Econômico:

Pessoalmente, eu tenho um trabalhão tentando mostrar aos meus alunos o tanto de estatísticas oficiais que se pode obter GRATUITAMENTE junto aos órgãos especializados, e o quanto estas informações são úteis para se fazer um plano de negócios, o plano de marketing, análise da concorrência etc. Eu costumo, sempre que o tempo permite, mostrar a eles sites do próprio IBGE, da Fundação Seade, da FGV-Dados, do IPEA (esse eu abandonei, porque o Pochmann destruiu o coitado) etc, e como eles podem usar os dados de forma prática.

Não é trabalho fácil.

O site do IBGE, por exemplo, tem a SIDRA, um banco de dados gigantesco mas bastante difícil de ser usado por quem não tem alguma experiência com bancos de dados e estatísticas nacionais. Mas eu tento mostrar-lhes alguns “truques”.

E fatos como esse que aconteceu hoje acabam minando a credibilidade de órgãos sérios, aonde trabalham pessoas extremamente sérias e competentes. Estas pessoas, entretanto, acabam prejudicadas por chefias preenchidas com indicações políticas ou então pressões vindas de governos pouco afeitos à democracia.

Lastimável.

Luciana, você precisa estudar

Num momento de masoquismo extremo, assisti à “entrevista” da Luciana Genro ao The Noite do Danilo Gentili. O vídeo segue abaixo:

Em certo momento, depois de falar várias bobagens homéricas, ela disse que o Danilo deveria estudar mais.

Na verdade, quem PRECISA estudar é ela, Luciana, que concatenou uma série de bobagens sobre o mercado de capitais para atacar a “financeirização da economia”, seja lá o que ela ache que isso poderia vir a ser – mas não é.

Vou deixar de fora todas as bobagens que ela falou sobre o socialismo (momento no qual ela soltou o “vai estudar, Danilo”), porque ela não sabe nada sobre o assunto – mas se acha no direito de falar as mentiras e deturpações que são parte do combo ideológico do PSOL, do PSTU e das demais matilhas de boçais assemelhadas. O tweet abaixo desmonta a presepada da linha auxiliar do PT em menos de 140 caracteres:

O principal aqui é destacar as BURRICES que a Luciana Genro cometeu quando falou sobre bolsa de valores e mercado de capitais.

É assombroso que alguém que almeja ser Presidente da República (felizmente jamais será) não tenha NENHUM conhecimento mais elementar e básico sobre as funções da bolsa de valores e o funcionamento do mercado de capitais no geral. Não foi a primeira vez – muito pelo contrário! – que a Luciana soltou essa ladainha burra e obscurantista que leva os esquerdinhas padrão FFLCH a orgasmos cósmico-sensoriais: em todos os debates e nas propagandas de rádio e TV ela solta as mesmas besteiras.

2014-08-28 15.44.56Ao que parece, tudo o que ela sabe sobre bolsa de valores ela aprendeu com Gordon Gecko, do filme Wall Street, de 1987. Mas a Lu, coitada, não entendeu nem 80% do filme.

Ela acha que mercado de capitais e bolsa de valores são sinônimos de especulação, e, PIOR!, que o mercado de capitais é o “oposto” do setor produtivo.

Luciana, você precisa estudar. Você é ignorante.

Quando uma empresa precisa de financiamento para aumentar sua produção, o que ela faz? Uma das alternativas é justamente ir à bolsa de valores: vende ações (“pedaços” da empresa) a quem quiser comprar (que se torna sócio/acionista), e com isso arrecada dinheiro a ser investido no aumento da produção. O mercado de capitais, portanto, é uma das fontes de financiamento para empresas de todos os setores — indústria, comércio, serviços, agronegócio etc.
Sem capital (dinheiro, investimento) NÃO EXISTE EMPRESA, NÃO EXISTE PRODUÇÃO, NÃO EXISTE EMPREGO.
Aprenda o básico, Luciana! Nem me refiro a ler e entender algo mais complexo como Hayek, Schumpeter ou, vá lá, Marx. Mas pegue o caderno de economia de um jornal não especializado e pesquise sobre IPO. Veja as cotações das ações e pergunte a um amigo o que aquilo significa.

Impressionante que uma pessoa como a Luciana Genro seja tão burra (ou tão mal-intencionada) que não sabe (ou ignora) algo tão básico, tão elementar.

Mas a Luciana Genro é um pacote completo: ela fala bobagens sobre todo e qualquer assunto (como fica evidenciado na entrevista acima).

2014-09-14 17.49.33

Banco Central processa Alexandre Schwartsman devido a críticas CORRETAS

Essa é de fazer cair o cu da bunda!

A Veja dessa semana (que circulou no sábado) traz, entre outras notícias estupefacientes, o relato de que o Banco Central tentou processar o economista Alexandre Schwartsman devido às críticas que ele fez à instituição.

Esta matéria é do Valor de hoje:

A Procuradoria-Geral do Banco Central (BC) vai recorrer contra a decisão da Justiça Federal que negou seguimento à queixa-crime oferecida contra o economista Alexandre Schwartsman por críticas duras à gestão da instituição no combate à inflação.

Na visão do procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Schwartsman lançou pecha criminal sobre a instituição e ultrapassou os limites da crítica técnica ou opinativa. “Longe de caracterizar qualquer censura à liberdade de expressão, a ação penal representa um repúdio à conduta aviltante do ofensor”, afirmou.

Em duas entrevistas, Schwartsman afirmou que a gestão do BC “é temerária” e “atua de forma subserviente [ao Palácio do Planalto], incompetente e frouxa”. O economista, que é ex-diretor do BC, chegou a dizer que a instituição “realiza um trabalho porco”.

“Não se tratou, portanto, de crítica técnica ou de mera opinião”, disse Isaac. “Essas afirmações, inclusive com a pecha criminal sobre o BC, ao dizer que sua gestão é temerária, foram feitas, em realidade, não só para criticar, mas, sobretudo, com o inequívoco desejo de insultar, denegrir, enxovalhar e ultrajar a honra e a imagem do BC e do seu corpo funcional.”

As entrevistas de Schwartsman causaram indignação na diretoria colegiada do BC. Em reunião realizada no dia 8 de maio, diretores reclamaram, que, mesmo após ter sido alertado, o economista teria voltado à carga contra a instituição. “Em entrevista veiculada no ‘Correio Braziliense’ de 27 de abril, o senhor Alexandre Schwartsman, mesmo após ter sido publicada no ‘Brasil Econômico’ carta do BC de repúdio às ofensas ali veiculadas, reiterou a conduta, irrogando novas ofensas por meio de declarações que ultrapassam a liberdade de expressão e denotam inequívoco abuso de direito”, diz ata da diretoria assinada pelo secretário do Conselho Monetário Nacional, Henrique Machado.

Ficou decidido que, “visando proteger a honra e a imagem da instituição”, o procurador estava autorizado a ajuizar ação penal contra Schwartsman por difamação, o que foi feito um dia depois. O recurso do BC deve ser proposto nos próximos dias.

A íntegra da reportagem está AQUI (restrita para assinantes).

Recomendo fortemente que o leitor observe o que escreveu o Mansueto Almeida, AQUI.

Acabei de ler e assinar o abaixo-assinado: «Manifesto sobre o caso envolvendo o Banco Central e o Economista Alexandre Schwartsman» no endereço http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR74543
A Folha havia relatado a iniciativa do Marcos Lisboa AQUI.

Concordo com este abaixo-assinado e cumpro com o dever de o fazer chegar ao maior número de pessoas.
Caso você concorde também, agradeço que assine o abaixo-assinado e que ajude na sua divulgação através de um email para os seus contatos.

O Brasil está se tornando uma ditadura. Ter opinião e criticar uma autarquia estatal que sistematicamente vem errando em suas funções mais elementares virou motivo para ser acionado judicialmente?

LAMENTÁVEL.

2014-08-08 09.34.24

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