NOVO: para além da dicotomia entre o ruim e a escória

O vídeo tem quase 2 horas de duração, mas vale a pena: Luiz Felipe Pondé conduz uma discussão num evento do Partido NOVO, que trata prioritariamente de reforma política e “de brinde” oferece algumas dicas de referências liberais como Thomas Sowell e Theodore Dalrympe.

Alguns pontos fundamentais que o Pondé aborda, na minha opinião, são educação e cultura. Como eu já escrevi diversas vezes aqui no blog, é preciso acabar com essa conversa fiada (e errada) que escolas e (muitas) universidades incutem na cabeça de jovens imaturos e sem base cultural. Eu vejo, no ensino superior, gente que chega com idéias formadas de que o capitalismo é ruim – mas, assim como aquela anta paquidérmica da Luciana Genro, uma ignorante ridícula, não consegue manter suas opiniões quando confrontada com fatos.

Vale a pena ver:

A propósito: convido o leitor a conhecer as propostas do Partido NOVO.
Para mim está cada dia mais claro: o Brasil não corre nenhum risco de dar certo enquanto houver esta dicotomia entre PT e PSDB. Trata-se de uma briga entre o ruim (PSDB) e a escória (PT).

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A insustentável ignorância do ser humano

A humanidade produziu mentes brilhantes.

A humanidade produziu pessoas inteligentes, espertas, perspicazes, de pensamento rápido, humor sagaz, capacidade de ser irônico ou sarcástico, pessoas que mudaram nossas vidas na ciência, na astronomia, na física, na matemática, na literatura, na música, nas artes em geral.
Milan Kundera, de cuja obra retiro a referência implícita no título deste texto, é um exemplo. Há inúmeros outros, muitos deles, aliás, reverenciados e referenciados neste blog, como John Nash, Steve Jobs, e por aí vai.

Mas, ao mesmo tempo, a humanidade produziu bosta.
Dilma Rousseff teve a insustentável ignorância do seu ser exposta sem piedade:

Eu nunca entendi por que diabos a presidente Dilma Rousseff tem a ambição de parecer uma pensadora, uma intelectual, uma estilista. Ela não é nada disso. Ao forçar a mão, acaba dizendo patacoadas estupendas, que concorrem um tanto para ridicularizá-la. Nesse sentido, Lula é mais prudente: transforma a sua ignorância em agressão aos adversários (especialmente FHC) ou em graça. Dilma tem a ambição de ser profunda. Aí as coisas se complicam. Ela concedeu uma entrevista ao jornal mexicano de esquerda “La Jornada”, publicada neste domingo.

A íntegra do artigo está AQUI. Se você quiser rir, leia. Se quiser chorar, leia.

Vou transcrever alguns trechos das bobagens absurdas, ridículas, patéticas que Dilma Rousseff disse – e tudo isso encontra-se publicado no site oficial do Paláco do Planalto, AQUI. Não basta produzir bosta em escala industrial, o Palácio do Planalto faz questão de publicar na íntegra as baboseiras esdrúxulas ditas pela ignóbil e tosca mandatária.
Vamos aos trechos selecionados:

Jornalista: Posso gravar?
Presidenta: Pode. Que não destaca e que uma das coisas, assim, que eu acho que eles… Uma das coisas que a mim, eu tive muito impacto quando eu vi, na época que eu fui a primeira vez, que foi em 1982, lá em (…), lá se vão muitos anos, eu vi, tinha uma reprodução da cidade indígena, e a cidade indígena, ela…
Jornalista: Tenochtitlán.
Presidenta: É Tenochtitlán, não é? Ela tinha uma estrutura de água e esgoto que, na época em que ela existia, na mesma época, não havia na Europa, não havia em lugar nenhum do mundo ocidental. Então, e você vê uma sofisticação imensa em toda a cultura, coisa que você, por exemplo, naquela época, em 82, eu desconhecia completamente. O Brasil vivia de costas para a América Latina, vivia de costas e olhava só os Estados Unidos e a Europa, e até a Rússia, mas jamais olhava para nós mesmos, não é? Então, eu fiquei muito impressionada com isso. […]
Jornalista: Chichén Itzá.
Presidenta: É Chichén Itzá. Eu fui em Chichén Itzá, que é maior que as duas, do que a do Sol, a da Lua necessariamente, mas do que a do Sol também, é impressionante a Chichén Itzá, e também todo o conhecimento astronômico, a precisão do conhecimento astronômico. Para você ter aquela precisão, tem de ter um certo domínio razoável da matemática para aquele tipo de precisão que eles tinham. E como uma civilização, para ter aquele tamanho, tinha dominado pelo menos uma questão: tinha dominado a questão da alimentação, não é? Porque senão você não tem uma civilização daquele porte. E o que é destacado de forma bastante simplória para nós? É destacado sacrifícios humanos, numa visão, eu acho, preconceituosa, contra aquela civilização que tinha um padrão de desenvolvimento e de desempenho que nós não conhecemos. A nossa população indígena não estava nesse nível de desenvolvimento.
A mesma coisa o Inca, não é? Mas lá é mais, era mais avançada, a mais avançada de todas. E não era Asteca, não é? Eles não sabem, eles chamam de Tolteca, Olmeca.
Jornalista: Maia.
Presidenta: A Maia é mais embaixo, é ali na península do Yucatán, não é?
Jornalista: Isso.
Presidenta: Mas a do centro do México, ali, ali na…
Jornalista: Essa é Asteca.
Presidenta: Essa é Asteca? Não é Tolteca, não é… Porque…
Jornalista: Não, Tolteca é mais…
Presidenta: Não, me diz o seguinte: as duas pirâmides não são astecas?
Jornalista: Não, totalmente, não. Mas eu também não sou expert em…
Presidenta: São… Segundo… Por exemplo, eu fiquei estarrecida, então corri atrás para saber. Segundo se sabe, é de uma civilização anterior.
Jornalista: Anterior, claro.
Presidenta: Anterior.
Jornalista: Que os Astecas dominaram pela sua vez.
Presidenta: Que os Astecas dominaram.
Jornalista: Exatamente.
Presidenta: Porque os Astecas, eles dominaram civilizações que tinham em torno. Inclusive isso explica, em parte, a questão de eles terem, dos espanhóis terem conquistado ali, a cidade do México, e aplastado, porque aplastaram.

Ok, o “jornalista” também não é exatamente uma, digamos, “mente brilhante da humanidade” – muito pelo contrário – , mas a Dilma consegue extrapolar a ignorância aceitável para um retardado mental nesta “entrevista”. Sigamos:

Presidenta: Não, com a civilização. O que é uma coisa inimaginável é uma pessoa, não é? Uma coisa que eu pensei assim, sempre: o que é que sentiu um integrante, um homem ou uma mulher daquela civilização, quando vê ela sendo implacavelmente destruída, implacavelmente, sem deixar traço. Era isso que era o objetivo. Por isso é que eles… Eu acho… Outro dia me perguntaram: o que você quer visitar?

Neste trecho fica em evidência aquele problema que nos debates causou tantos casos de vergonha: Dilma é incapaz de concluir um raciocínio.
Bom, quem não tem nenhum, vai concluir como, não é?!

Presidenta: E tem uma, tem uma pintura dela que eu acho genial, é… como é que é? Natureza Morta… Ai, eu tinha de lembrar a palavra. Natureza Morta… é uma contradição em termos: de que que é o quadro? É uma natureza morta? Rodando, você entendeu? É o stand still a Natureza Morta, aí a Remedios Varo vai lá e faz… ela bota uma mesa e os componentes da natureza morta estão girando. O nome é interessantíssimo. O nome tem uma certa, uma certa ironia.
E ela tem também um que é: Tecendo… Eu não vou lembrar os nomes. Tecendo o Fio do Tempo, uma coisa assim. E lá em cima uma porção de mulheres tecendo o tempo e a realidade. Ela é… A Remedios Varo é…

Adoraria se alguém pedisse que a Dilma traduzisse o que ela quis dizer nesse trecho. E duvido que ela consiga entender.

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A vergonha segue:

Presidenta: É. Eu acho que Brasil tem muito a ganhar com essa aproximação cultural. Porque tem uma riqueza na cultura mexicana que ela valoriza o que nós temos, também, você entende? Ela é… Por que, o que eu senti? Eu senti orgulho do Continente, orgulho da América Latina. Então, eu acho que ela mexe muito com a sua autoestima. Então, tem isso também: mostrar que houve aqui, aqui, uma civilização daquele tamanho.
Jornalista: Talvez, Presidenta, talvez, a partir da identidade podemos construir uma nova unidade latino-americana.
Presidenta: Sem dúvida. Mas é sobre isso que nós estamos construindo uma nova identidade latino-americana. O que eu vejo nas reuniões das cúpulas latino-americanas? De todas. Como eu te disse, no caso do Brasil é muito forte, porque o Brasil estava de costas para os seus vizinhos e para o seu continente e achava que tanto a Europa como os Estados Unidos era o que nós devíamos nos relacionar. Não que não devamos, pelo contrário, devemos. Mas nós temos um compromisso – e eu acho que isso mudou a política externa do Brasil –, nós temos um compromisso com a América Latina e com a África. Esse é um compromisso que nós temos pela nossa identidade cultural.
Porque o Brasil… Vocês têm uma forma diferente. No nosso caso tem um componente africano muito forte, e nós temos de valorizá-lo e olhar para ele com toda a importância que ele tem, na formação do homem e da mulher do Brasil, e da nação brasileira.
Agora, eu acredito que um momento importante da história recente do Brasil foi o fato de a gente ter construído esta relação. E acho que uma parte importante dessa relação tem de ser estreitada, que eu acho que é do Continente Sul-Americano com o México. Porque o México é a maior nação que está no Hemisfério Norte. E de todas as nações que tem dentro desse continente, é uma das mais ricas, culturalmente falando. Não é só economicamente, é culturalmente falando. E essa relação interessa, eu acho, para o Brasil.
Eu vou ao México com uma consciência muito forte da importância que o México tem na formação de uma relação e de uma unidade latino-americana, que respeita diferenças, viu? Que tem de respeitar diferenças.

São muitas, muitas!, bobagens. Não coloquei a entrevista toda num Word da vida, mas calculo que haja pelo menos umas 10 páginas de bosta.

Em suma: a Dilma é um poço sem fim de burrice. Mas vejamos pelo lado bom: ela tem eleitores bastante parecidos com ela!

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John Forbes Nash, Jr (1928-2015)

No sábado aproveitei para ficar “off-line” e colocar em dia a leitura de alguns livros muito interessantes que estavam na fila no meu kindle. Com isso, só ontem li sobre a morte de John Nash.

Trata-se de mais um daqueles acontecimentos estranhos, que não têm rigorosamente nenhuma relação com o nosso dia-a-dia, com nossa vida cotdiana – mas que, ainda assim, me deixou profundamente triste. Admiro muito a trajetória do brilhante matemático que mudou alguns conceitos fundamentais da Teoria dos Jogos, em meio às dificuldades causadas pela sua esquizofrenia, mas especialmente admiro a humildade intelectual de um verdadeiro gênio.

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O mês de maio, a despeito de ser o mês do meu aniversário, está se tornando um mês maldito.
Em 2010, morreu o brilhante Ronnie James Dio (16/05/2010).
No último dia 14/05, morreu B.B. King.
E agora morre John Nash?
Que zica!!

Foram feitos alguns bons obituários sobre Nash, entre eles o do Financial Times, o do New York Times, o da TIME etc. O Valor fez um bom resumo sobre alguns fatos marcantes da vida de Nash:

O matemático John Nash morreu no sábado (23) aos 86 anos em um acidente de táxi em Nova Jersey, nos EUA. Nash é vencedor do Prêmio Nobel de Economia e teve sua vida retratada nos cinemas por Russel Crowe no filme “Uma Mente Brilhante”.
Nash estava no carro com sua mulher, Alicia, 82, que também morreu. Segundo um policial local citado pelo site do canal ABC News, o motorista do táxi que levava o casal perdeu o controle do veículo em uma estrada e colidiu contra uma grade de proteção.
O policial disse ainda que a hipótese inicial é de que nenhum dos dois usava o cinto de segurança no momento do acidente, já que seus corpos foram lançados do carro.
O casal vivia em Princeton, em Nova Jersey, onde Nash era pesquisador na área de matemática da prestigiosa Universidade de Princeton.
Nash ganhou o Nobel de Economia em 1994. Nesta semana, Nash foi à Noruega para receber o Prêmio Abel de matemática por seu trabalho com equações diferenciais parciais.
Sua vida, incluindo a batalha contra a esquizofrenia e paranoia, foi retratada por Russell Crowe no drama de 2001 “Uma Mente Brilhante”, que ganhou quatro Oscars, incluindo o de melhor filme.
[…] Ter a vida transformada em uma cinebiografia trouxe à tona esqueletos do passado do matemático. Entre 2001, quando o filme estreou, e 2002, quando ganhou quatro dos oito Oscar a que concorreu (melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor diretor e melhor atriz coadjuvante), o matemático que sofria com esquizofrenia viu seu passado ser destrinchado pela imprensa.
Descobriu-se que ele teria tido experiências homossexuais, o que ele negou, que teve um filho fora do casamento com uma ex-enfermeira, o que é verdade, e que o filho que teve em seu casamento também sofre de esquizofrenia, o que também foi confirmado.
O site do jornalista Matt Drudge, famoso pela divulgação do escândalo Monica Lewinsky, revelou ainda que Nash escreveu comentários antissemitas numa carta de 1967 reproduzida na própria biografia: “A raiz de todo o mal, pelo menos em minha vida pessoal, são os judeus”.
Em outras ocasiões, teria se referido a uma tal “conspiração Krypto-Sionista”.
A polêmica levou Nash a aceitar convite do “60 Minutes”, uma das principais revistas televisivas dos EUA, para se defender, em março de 2002. Nela, ele conta que começou a ouvir vozes aos 30 anos e que eram “como anjos”.
Ele disse que teve ideias estranhas durante a época do auge da paranoia, um sintoma comum da doença, mas negou que fosse antissemita.
Ele revelou ainda que ficara próximo do filho que teve fora do casamento e que deu a ele parte dos royalties do filme. Falou também de seu outro filho, Johnny, que na época já exibia sintomas da esquizofrenia.
A acusação chegou a ameaçar o sucesso do filme em Hollywood, um dos setores da sociedade norte-americana em que a comunidade judaica é mais atuante. Na época, especulava-se que o filme perderia todos os Oscars.
A principal defesa dos envolvidos no filme foi de que as afirmações de Nash foram feitas no auge do período de 35 anos em que ele mais sofreu as consequências da esquizofrenia.
“Na mesma época em que escreveu isso, Nash pensava que era o messias, o imperador da Antártida e a reencarnação de Jó”, disse à época Sylvia Nasar, autora da biografia do matemático -“Uma Mente Brilhante” (editora Record, 2002).

BEIJING, CHINA - SEPTEMBER 28:  (CHINAOUT) American mathematician John Forbes Nash looks onduring day one of the 2011 Nobel Laureates Beijing Forum at the National Museum on September 28, 2011 in Beijing, China. The 2011 Nobel Laureates Beijing Forum will kick off on September 28 and last to September 30 with the theme of Innovation and Development.  (Photo by ChinaFotoPress/Getty Images)
BEIJING, CHINA – SEPTEMBER 28: (CHINAOUT) American mathematician John Forbes Nash looks onduring day one of the 2011 Nobel Laureates Beijing Forum at the National Museum on September 28, 2011 in Beijing, China. The 2011 Nobel Laureates Beijing Forum will kick off on September 28 and last to September 30 with the theme of Innovation and Development. (Photo by ChinaFotoPress/Getty Images)

Eu uso a mais famosa cena do filme “Uma mente brilhante” (vídeo abaixo) em algumas aulas, para mostrar aos meus alunos o conceito básico do equilíbrio de Nash, mas evidentemente alertei que a rigor a cena NÃO retrata um equilíbrio de Nash. Contudo, o filme (particularmente a cena do bar) ajuda a “apresentar” não apenas um conjunto de conceitos bastante complexos a quem jamais ouviu falar do tema – e possivelmente nunca mais terá a chance de estudar o assunto – mas tem o mérito de contar a vida de um gênio que, não fosse personagem do filme, poderia ficar relativamente desconhecido. O filme é bem feito, e o Russel Crowe está excelente no papel de John Nash (infelizmente o mesmo não pode ser dito da atriz que representou a mulher de Nash, uma mulher brilhante mas que no filme é apagada demais).

Recomendo, aliás, a entrevista concedida por Sylvia Nasar ao Washington Post. Ela é a autora do livro “Uma mente brilhante”, que deu origem ao filme que tornou John Nash conhecido fora do ambiente acadêmico. Sério, leia. Excelente entrevista mesmo.

Depois da indústria, agora o varejo é a vítima da crise da Dilma

Dilma Ruinsseff é uma lástima. Contudo, não é a ÚNICA responsável pela crise atual.

Ainda que os problemas que hoje colocam o Brasil numa crise econômica (sem mencionar a política, ou ainda a moral e ética) que ameaça muitas das conquistas do Plano Real (de 1994) tenham começado pelas decisões estapafúrdias de Lulla, Dilma Ruinssef só piorou tudo.

Hoje pela manhã o IBGE divulgou os resultados da economia para o varejo. Todos os sites noticiosos repercutiram. Eis aqui um resumo (do Valor Econômico, cuja íntegra está AQUI):

O fim dos incentivos fiscais, como a recomposição do Imposto sobre Impostos Industrializados (IPI) sobre bens duráveis, a maior restrição ao crédito e a perda do poder de compra das famílias por causa da inflação levaram o varejo ao seu pior resultado em 12 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pelo levantamento, sete das dez atividades do varejo pesquisadas pelo instituto registraram queda no volume de vendas em março, na comparação com fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda abrangeu seis de dez segmentos.
Ante fevereiro, os recuos mais significativos ocorreram justamente em itens duráveis, influenciados pelo fim dos benefícios fiscais, como móveis, eletrodomésticos e veículos. Em móveis e eletrodomésticos, a queda foi de 3%. Em relação a março do ano passado, as vendas do segmento recuaram 6,8%. “Tal comportamento pode ser atribuído à retirada gradual dos incentivos direcionados à linha branca, somado ao menor ritmo de crescimento do crédito”, diz o IBGE em seu relatório.
As vendas de veículos e motos, partes e peças recuaram 4,6% ante fevereiro e caíram 3,7% ante março do ano passado, nessa comparação, um tombo bem menor que o de fevereiro, de 23,8%. No primeiro trimestre, as vendas do segmento cederam 14,8%. “Mesmo com três dias úteis a mais em março, a redução das vendas no segmento foi decorrente, entre outros fatores, do menor ritmo da oferta de crédito e da restrição orçamentária das famílias, diante da diminuição real da massa de salários”, informou o IBGE.
Ainda segundo o IBGE, em março, também ocorreu queda nas vendas em supermercados, com perda de 2,2%. Já no confronto com o mesmo mês do ano passado, o setor perdeu 2,4% no volume de vendas – menor resultado desde março de 2014, quando a queda foi de 3%, e o segundo mês seguido de resultado negativo. O “desempenho negativo foi influenciado pelo menor poder de compra da população”, disse o IBGE.
Entre os resultados positivos, destacam-se combustíveis e lubrificantes, com alta de 2,8% em março, ante fevereiro. A taxa de crescimento reflete o crescimento dos o setor acima da inflação do período. Mas houve queda de 2,1% ante o mesmo período do ano passado.
Artigos farmacêuticos (1,2%) e outros artigos para uso pessoal (1,2%) também apresentaram crescimento no volume de vendas.

De acordo com a pesquisa, as vendas do varejo recuaram 0,9% em março e as do varejo ampliado (que incluem veículos e materiais de construção) tiveram queda de 1,6% no período. Em ambos os casos, foi o pior resultado para o mês desde 2003.

Os grifos acima, como de costume, são meus.

Quem se lembra que há poucos meses tivemos uma campanha presidencial, na qual a Dilma afirmou, reiteradas vezes, que a economia do Brasil estava ótima? Lembram-se? Inflação sob controle, tudo indo muito bem, inclusive a mentira do pleno emprego?

Você conhece algum militonto que enchia a boca para dizer, bovinamente, que vota na Dilma ou no PT porque estava pensando nos interesses dos pobres? Você conhece alguém que, por livre e espontânea burrice ou por remuneração (mesmo que seja um lanche de mortadela) espalhava as mentiras e estultices da Dilma nas redes sociais?

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Isso aconteceu há poucos meses. E houve uma quantidade assombrosa de militontos espalhando as bobagens da campanha do PT.

Verba_destinada_para_o_Fies_neste_semestre_acabou,_diz_ministro_-_Educação_-_Estadão_-_2015-05-05_02.11.38 Ministro_da_Educação_diz_que_recursos_para_o_Fies_estão_esgotados_-_Jornal_O_Globo_-_2015-05-05_05.44.43 Berkciara_on_Twitter_se_vcs_estão_pensando_em_Fies_nos_próximos_anos,_caso_Aécio_ganhe._sinto_mto_por_vcs._-_2015-05-05_02.12.02 senhor_lucas_on_Twitter_ja_pensou_o_Aécio_ganhar_e_tirar_o_FIES,_o_que_vai_ter_de_gente_chorando_e_que_votou_nele_kkkk_-_2015-05-05_02.12.40 gabriel_on_Twitter_espero_q_qm_vota_no_aecio_fique_sem_seu_amado_fies_-_2015-05-05_02.13.22 Zom_on_Twitter_pagando_de_playboy_na_internet_aí_caquedo,_seloco_aécio_ganha_a_gente_fica_tudo_sem_fies_-_2015-05-05_02.16.06 Roxmo_2015-May-05 2015-04-30 02.11.29 2015-04-23 22.24.04 2015-03-25 22.48.59 2015-03-08 23.58.53 2015-03-13 20.30.59 2015-03-25 22.22.54

Infelizmente, enquanto isso acontecia, a economia do Brasil já vinha degringolando. Mas muita gente não percebeu, pois estava entretida com as bobagens espalhadas pelos boçais de sempre.

Na vida real, entretanto, a crise já vinha acontecendo. A inflação JAMAIS ficou dentro da meta do Banco Central durante o mandato de Dilma Ruinsseff – sempre ficou acima. Sempre. Isso, ao longo do tempo, vai corroendo a renda de quem trabalha – e o efeito é ainda pior para os mais pobres, que têm menos recursos para proteger seu dinheiro.

O mais engraçado é comparar as bobagens dos militontos e demais boçais retratados acima com a realidade:

Um dos maiores inimigos do PT ao longo de sua trajetória, o receituário do FMI (Fundo Monetário Internacional) talvez salve o partido duas vezes no comando da Presidência da República.
A série de ajustes conduzida neste momento por Joaquim Levy é pura prescrição do FMI, instituição onde o ministro da Fazenda trabalhou por sete anos.
Na terça (12), o Fundo fez elogios às ações de Levy. No mesmo dia, o britânico “Financial Times” o chamou de “falcão fiscal treinado na Universidade de Chicago”.
O receituário do FMI é sempre previsível e clássico, destinado a países que chegam ao fundo do poço, como o Brasil sob Dilma.
Corte de despesas e aumento de receitas quando há crises fiscais, mais a implosão de programas insustentáveis do ponto de vista atuarial. Os cortes no seguro desemprego e pensões por mortes são parte dessas medidas.
De saída, o FMI também impõe a seus endividados forte elevação dos juros para conter a inflação e tentar amenizar os efeitos de outro instrumento do receituário: um “tarifaço” a fim de corrigir preços defasados e equilibrar o caixa de empresas fornecedoras de energia, combustíveis etc. para que possam perpetuar investimentos.
A lógica do Fundo é que contas em dia geram confiança entre investidores privados e tiram a pressão do peso do governo sobre a economia. O objetivo é aproximar ao máximo o país da economia de mercado.
A primeira vez que o Fundo Monetário salvou o PT foi em 2003, quando Lula assumiu a Presidência pendurado em empréstimo de US$ 30 bilhões. O então ministro da Fazenda Antonio Palocci fazia visitas constantes ao Fundo, assim como o próprio Levy, então secretário do Tesouro, que poucos anos antes havia se desligado do FMI.
Se olharmos para todos os países que precisaram de dinheiro do Fundo para se manter à tona, veremos que a base do receituário é sempre a mesma. Há doses extremas do mesmo remédio para problemas extremos, como na Grécia agora.
O Brasil segue mais uma vez o mesmo caminho. E ele pode de fato melhorar as condições macroeconômicas. O problema é que a lógica de encaminhar um país rumo à economia de mercado requer outras mudanças estruturais para azeitar setores importantes.
No Brasil, estamos ainda na fase aguda do ajuste, que vai sendo feito com as dificuldades presentes no Congresso. Mas será necessária toda uma segunda rodada de mudanças, que passa pelo fortalecimento de agências reguladoras (hoje esvaziadas), maior eficiência de ministérios e seus gastos, combate ao desperdício e estímulo à competição privada.
Essa será uma fase bem mais difícil e lenta. Mas necessária para não voltarmos, mais à frente, a recorrer indefinidamente ao receituário emergencial do Fundo.

O artigo acima foi publicado hoje na Folha, AQUI.

Vejamos o que dizia Dilma Ruinsseff em 2012:

Para a tristeza de Dilma, os fatos acabam desmentindo as mentiras da presidanta.

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Petrobras: a queda monumental

E a notícia espalhou-se ontem: a Petrobras, tragada pela desastrosa combinação de gestão temerária e corrupção do PT, sofreu uma queda vertiginosa no ranking das maiores empresas do mundo. Conforme relata o Estadão (íntegra AQUI):

Envolvida em escândalos de corrupção, crise financeira e atrasos nas divulgações contábeis, a Petrobrás caiu da 30ª para 416ª colocação entre as maiores empresas globais na lista anual publicada pela revista americana Forbes. A lista considera a estatal uma das “maiores perdedoras” em 2015 entre as 2.000 empresas analisadas.
A revista classificou a “turbulência” da petroleira como um “conto preventivo” para empresas de mercados emergentes, que nos últimos anos vinham ganhando terreno na lista. Em 2012, a Petrobrás ocupou a 10º colocação entre as empresas, diante da expectativa com a exploração das reservas do pré-sal. No ano seguinte, a companhia já havia caído para a 20ª posição.
A queda expressiva da posição da companhia é explicada pela revista como decorrente de “escândalos contábeis e de corrupção”. A revista analisou os dados apresentados pela estatal no seu balanço anual de 2014, publicado no último dia 22. Os ativos da Petrobrás foram avaliados em US$ 298,7 bilhões, uma queda de 7% em relação ao registrado no ano anterior. A companhia foi avaliada em US$ 44,4 bilhões – quase a metade do registrado em 2014, de US$ 86,8 bilhões.
Entre as grandes petroleiras do mundo, a estatal brasileira está posicionada abaixo de suas principais parceiras. A Exxon é a mais bem colocada, na sétima posição, com um valor de mercado de US$ 357 bilhões. A PetroChina vem logo na sequência, com US$ 334 bilhões em valor de mercado. Shell aparece na 13ª posição, com valor de mercado de US$ 195 bilhões.
Já a Chevron, Total, BP e Statoil figuram, respectivamente, nas posições 16ª, 35ª, 41ª e 103º. Empatada com a Statoil aparece a chinesa CNOOC, parceira da Petrobrás na área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

Quem quiser, pode ler o texto original da Forbes AQUI.

petrobras1Eu venho escrevendo há algum tempo sobre a Petrobras, pois ela demonstra de forma cristalina o desastre causado pelo PT no Brasil. É importante deixar claro que os problemas não começaram agora – eles estavam escondidos, embaixo do tapete. Porém, a sujeira mais cedo ou mais tarde acaba se revelando. A partir de 2014 as cagadas monumentais do PT vêm saindo debaixo do tapete – apenas e tão somente porque não havia mais tapete suficientemente grande para esconder tanta sujeita, tanta corrupção, tanta incompetência.

Eu já demonstrei AQUI que a Petrobras piorou a partir de 2003. É preciso registrar que sob FHC e o PSDB, a Petrobras poderia ter sido muito melhor administrada, mas pelo menos ela não estava sendo vítima de gestão temerária, coisa que foi imposta à estatal por Lulla – especialmente quando ele nomeou dois gestores desastrosos para presidentes da Petrobras. O mais desastroso dos dois, aliás, foi o sindicalista José Sérgio Gabrielli. Merece o prêmio de pior arremedo de gestor do Século.

E não foi apenas a Forbes a desnudar a combinação de corrupção e incompetência do PT na Petrobras. Depois que o balanço de 2014 foi divulgado, o excelente site O Antagonista reportou:

A Economist comentou os números da Petrobras:
“Limpar a Petrobras (e o sistema político do Brasil) é uma tarefa de longo prazo. No curto prazo, a empresa está focada na sobrevivência, com a queda da produção, o preço do petróleo baixo, o dinheiro escasso e uma conta salgada para desenvolver seu ativo mais valioso: o pré-sal.
Os empréstimos contraídos pela administração anterior deixaram a Petrobras como a empresa mais endividada do mundo, e quando o escândalo de corrupção estourou, ela se tornou um pária dos mercados de capitais.
O futuro da empresa, porém, não se limita à sua gestão. Os políticos devem não só parar de roubar: eles devem também se abster de interferir. O partido da presidente Dilma Rousseff, o esquerdista PT, obrigou a Petrobras a vender gasolina importada com prejuízo. O governo insiste que a Petrobras deve assumir a liderança no desenvolvimento dos campos do pré-sal – uma tarefa para a qual ela pode ter o conhecimento técnico, mas não a capacidade financeira.
Alguns destes problemas vão cair no colo da Shell. A gigante anglo-holandesa acaba de comprar a BG, que é uma grande parceira da Petrobras. A Shell tem o dinheiro e a tecnologia para tocar os projetos, mas precisa tomar muito cuidado num país em que a presunção é sempre punida”.

Como se percebe, os problemas da Petrobras são muitos, variados. Celso Ming, no Estadão (íntegra AQUI) fez um bom resumo dos problemas mais graves:

A síntese do balanço auditado da Petrobrás e dos reconhecimentos explícitos e implícitos que o acompanharam é a de que o prejuízo produzido pela incompetência ou, simplesmente, pelos erros de administração foi substancialmente maior do que a corrupção. E que os estragos produzidos pelas políticas do governo foram ainda mais graves do que os da incompetência.
As baixas contábeis atribuídas às perdas por corrupção ficaram nos R$ 6,2 bilhões. Enquanto isso, as atribuídas por diferença patrimonial (impairment) foram de R$ 44,6 bilhões.
Essa diferença de valor patrimonial teve duas origens: decisões equivocadas, omissões e atrasos nos projetos de investimento; e perda de preço por fatores de mercado.

Os erros foram ainda mais desastrados quando se leva em conta, em primeiro lugar, o sangramento, desde 2008, de cerca de R$ 60 bilhões em seu caixa, conforme cálculo do ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn. Foi provocado pela política de preços de dumping a que a empresa foi submetida, inferiores até aos que ela própria pagou com importações de combustíveis. E, em segundo lugar, pela imposição de custos mais altos para cumprir exigências de conteúdo nacional em equipamentos.
A presidente Dilma, que nesta sexta-feira afirmou que a Petrobrás “superou os seus problemas de gestão” com a divulgação do balanço, vinha repetindo que era preciso defender a empresa dos seus inimigos. Pelo efeito predatório exposto oficialmente no balanço, os maiores inimigos foram as políticas adotadas até agora e os erros de administração.
Muitos critérios utilizados no balanço ainda serão questionados. É difícil de fazer, por exemplo, uma distinção entre baixas por impairment e baixas por corrupção. Impairment, ou a deterioração de valor, pode acontecer por incompetência administrativa ou simples perda de valor de mercado por baixa de preços. Nas refinarias, incompetência e corrupção se combinam.
[…] O endividamento líquido da estatal, agora de R$ 282,1 bilhões, equivalente a quase cinco vezes sua capacidade de gerar recursos com seus negócios, tem de ser revertido porque é insustentável. Desinvestimento e capitalização seriam caminhos naturais para isso.
No entanto, alguns dos principais ativos da Petrobrás, as refinarias, não têm condições de ser revendidos. Não há quem os compre, porque a política de preços dos combustíveis não é confiável. Em entrevista a esta Coluna na quinta-feira, o presidente da empresa, Aldemir Bendine, garantiu que os preços dos combustíveis seguirão a paridade externa e que já há interessados em participar de refinarias, mas que “esse projeto não é para curto prazo”. Sobra então a entrega de campos produtores e o setor de distribuição (BR Distribuidora). Enquanto a empresa não for definitivamente saneada e operar mais enxuta, será impensável a recapitalização.
E há as políticas. O marco regulatório do pré-sal se transformou em armadilha para a Petrobrás. Ela não pode ser a única operadora e ter pelo menos 30% dos investimentos. Se é para passar a limpo e para gerar riquezas sustentáveis com petróleo, é preciso rever tudo.

É preciso repetir à exaustão: a Petrobras não chegou a este estado deplorável em 6 meses ou 1 ano apenas. Ela não foi vítima de meia dúzia de empreiteiras corruptas.

A Petrobras chegou a esta situação pavorosa graças a uma sucessão de erros, além da corrupção perpetrada por gente que foi colocada na estatal por partidos políticos – especialmente o PT, o PMDB e o PP. Mas não se pode ignorar: desde 2003, o PT é o partido que tem a palavra final nas indicações de cargos-chave, apenas e tão somente porque o PT é o partido (ou, para ser mais exato, a organização criminosa disfarçada de partido político) da Presidência da República. Infelizmente.

Durante 8 anos, foi Lulla quem teve o poder de indicar o presidente da Petrobras. Depois, foi Dilma Ruinsseff. Aliás, eu já mostrei um vídeo AQUI no blog, mas vou repeti-lo porque merece:

Nesta época, Dilma era Ministra da Casa Civil. Imediatamente antes, ela era Ministra das Minas e Energia (pasta responsável pela Petrobras). O mais importante: ela era a Presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Hoje, sabendo o que já se sabe sobre o desastre na Petrobras, fica mais do que evidente que ela mentiu. Mas não só isso: ela mostrou ser completamente incapaz. Uma combinação desastrosa, como atestam os números da Petrobras.

unnamedMais um conjunto de dados para dimensionar a queda da Petrobras (íntegra AQUI):

A crise que atingiu a Petrobras no ano passado colocou fim a uma antiga trajetória de expansão no quadro de funcionários da estatal, que durou pelo menos durante a última década. Dados divulgados na semana passada pela companhia apontam que, no final de 2014, o corpo funcional da empresa era composto por 80.908 funcionários próprios, uma retração de 6% em relação aos 86.108 do final de 2013.
O número do ano passado é o menor desde 2011, quando a companhia terminou o ano com 81.918 funcionários. No ano anterior, a marca ainda era de 80.492 empregados.
Documentos disponibilizados pela estatal desde 2004 mostram que, no decorrer da última década, o corpo funcional apenas cresceu. Entre 2003 e o ano seguinte, o aumento foi de 6,6% e o número de funcionários chegou a 52.037 pessoas. Esse número chegou a 53.933 em 2005, 62.266 pessoas em 2006, 68.931 pessoas em 2007, 74.240 em 2008 e 76.919 em 2009. No início desta década, a trajetória continuou inalterada. Os dados de 2010 (80.492 pessoas) e 2011 (81.918 funcionários) foram seguidos por um total de 85.065 pessoas em 2012.
Além dos funcionários próprios, a Petrobras ainda contabilizava ao final do ano passado um total de 291.074 empregados de empresas prestadoras de serviços. O número representa uma retração de 19,2% em relação aos 360.180 terceirizados contabilizados no final de 2013. Em 2004 eram apenas 146.826 empregados terceirizados.
A queda mais expressiva de funcionários terceirizados deve ser explicada pela decisão da Petrobras de reduzir o ritmo de investimentos em 2014 e, ao mesmo tempo, muitas de suas parceiras enfrentarem problemas associados à evolução das investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato.
Empresas como o Grupo Galvão, que já demitiu mais de 9 mil pessoas, era responsável pelo andamento da fábrica de fertilizantes em Mato Grosso do Sul e do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), por exemplo. As duas obras foram incluídas pela Petrobras em uma lista de projetos sem data prevista para conclusão.

Curioso notar que os pilantras, os boçais e os ridiculamente ignorantes que andam espalhando mentiras sobre a discussão da terceirização jamais reclamaram da imensa quantidade de funcionários terceirizados que a Petrobras mantém. Por que será?

Vamos ver algo interessante sobre a questão da terceirização no caso específico da Petrobras:

A refinaria de Abreu e Lima foi um dos principais dutos de desvio de dinheiro da Petrobras ao longo dos últimos anos. Segundo o balanço que a companhia apresentou nesta semana, a unidade em Pernambuco e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro respondem, juntos, por mais da metade da baixa contábil de 52 bilhões de reais em 2014: um baque de 30 bilhões de reais. E a depreciação não deve parar por aí. Isso porque as obras da refinaria ainda não acabaram. Impedida de contratar as empreiteiras envolvidas na Lava Jato, a estatal teve de confiar a continuidade dos projetos a pequenas construtoras locais, e algumas delas, por sua vez, estão repassando o serviço a terceiros. Enquanto, em Brasília, o governo sofre derrotas por se opor ao projeto de lei que amplia a terceirização, a Petrobras coloca em prática muito mais que isso: há uma ‘quarteirização’ em curso na refinaria, que deixa funcionários sem qualquer vínculo ou garantia trabalhista – e tudo sob as vistas grossas da estatal.
Como consequência da Operação Lava Jato, que investiga os desmandos e desvios de dinheiro na estatal, 23 empreiteiras que há décadas prestam serviços no setor de óleo e gás foram impedidas de continuar operando nas obras da Petrobras. Entre elas estão as principais empresas que atuam em Abreu e Lima: Engevix, Camargo Corrêa, Odebrecht e Queiroz Galvão. Como 60% do projeto ainda não está concluído, a petroleira se viu obrigada a recorrer a empresas locais para dar sequência aos trabalhos – abrindo mão de licitação ou qualquer outro tipo de avaliação criteriosa. O problema é que as novas subcontratadas também relegam o serviço a terceiros.

A íntegra da reportagem está AQUI. Para quem se interessa sobre o tema, vale a leitura.

Evidentemente a terceirização não é um problema para a Petrobras – apenas mais um sintoma da hipocrisia que domina a esquerda defensora do PT, que finge não ver problema quando a estatal terceiriza, mas se faz de horrorizada quando um projeto de lei propõe a flexibilização da obsoleta CLT através de um instrumento em tese muito útil para, ao mesmo tempo, aumentar o rendimento líquido dos trabalhadores e reduzir os custos trabalhistas de quem contrata.

O problema da Petrobras é a gestão temerária – e a gestão de pessoal faz parte deste rol. Conforme eu já demonstrei aqui, a Petrobras iniciou um processo contínuo de contratação de pessoal em 2003, mas sua produtividade CAIU. Muita gente contratada, mas com resultados ruins. Relembrando o que eu havia escrito:

A quantidade de funcionários aumentou 113%, mas a receita por funcionário aumentou 22%. Isso indica claramente perda de produtividade. E não é pouca!
Vamos falar da PRODUÇÃO? Este indicador é o mais vergonhoso. No período compreendido entre 2002 e 2013, a produção (barris/dia) por funcionário CAIU de 37 para 22, ou seja, CAIU 40%.

Para encerrar, uma continha triste que O Antagonista fez:

Na década de 1950, a Petrobras foi criada sob o slogan de “O petróleo é nosso”.
Na segunda década do século XXI, a Petrobras tem uma dívida de 300 bilhões de reais, o que dá 1 500 reais para cada brasileiro.
O slogan agora é “O papagaio é nosso”. Herança do nacionalismo combinado ao petismo.

A Petrobras foi vitimada por duas “ideologias” torpes e nefastas: a soma do nacionalismo exacerbado com o petismo celerado (com o perdão do pleonasmo vicioso).

Quais as melhores estratégias para enfrentar a Apple nos produtos “vestíveis”?

Escrevi na semana passada (AQUI) sobre o novo relógio da Apple, recém-lançado, e ainda sobre a parceria entre o Google, a TAG Heuer e a Intel (AQUI).

O fato é que a Apple vendeu, em poucos dias, mais de 1 milhão de relógios, enquanto o Google não conseguiu atingir o mesmo número ao longo de todo o ano de 2014.

Como enfrentar uma empresa do porte da Apple, com produtos excelentes, dinheiro para propaganda, rede de distribuição mundial e, mais importante, dona de um ecossistema que atrai o consumidor pela facilidade?

Um artigo na Fast Company de hoje dá uma boa visão sobre isso, e inclusive propõe algumas possibilidades:

Although Apple hasn’t revealed any official sales numbers—and says it doesn’t plan to—several unofficial estimates claim that Apple has at least cracked the 1 million sales mark. Google’s Android Wear platform only shipped 720,000 units in all of 2014, according to Canalys.
Just as it did with smartphones and tablets, Apple has essentially created the smartwatch market. But don’t write off Android Wear just yet. Through a series of seemingly low-key changes, Google is quietly positioning itself for a stronger second act.

A few weeks ago, Google announced Android Wear 5.1.1, and while the version number doesn’t suggest major improvements, the update will make third-party apps much more useful.
One notable change extends Android Wear’s always-on display capabilities to third-party apps, so they can leave information on the screen in a low-power, black-and-white mode. Prior to the update, Android Wear would always revert to the clock screen after a few seconds of inactivity, regardless of what you were doing.
[…]
Google will also make it easier to open smartwatch apps in the first place, with a launcher that users can open by tapping on the main screen. When Android Wear first launched, Google seemed to deliberately hide the launcher, preferring that app makers focus on actionable notifications. But developers say Google may have gotten ahead of itself with that plan.
“My guess is they went a bit too fast going notification-only and they found users are confused by the lack of structure,” says Q42 developer Taco Ekkel, who created an app for controlling Philips Hue light bulbs. “The notification-instead-of-apps model is the future, but people (both users and many app developers) need time to get there.”
In the meantime, the launcher will give users easier access to functions that might not come up through notifications alone. Aaron Sarazan, who leads Android development for the personal finance app Level Money, says notifications are great for showing a record of recent transactions, but not so much for letting users look up how much they can spend. “Just by virtue of removing the number of taps to get to the app list, that helps a lot,” he says.
Google’s original vision for Android Wear had little to do with launching apps on your wrist. Instead, Wear was supposed to deliver information in just the right context, either through app notifications or cards from Google Now.
It was the right idea, but the execution was flawed. In many cases, Google Now can be useless (as in every time it offers directions back to work from your lunch break), creepy (like when it reminds you of recent Google searches), or just annoying (like when it pesters you with updates from a site you visited once). Turn off enough of the things that bother you about Google Now, and you may not be left with much. This in turn puts undue pressure on notifications, which themselves can be bothersome without careful pruning.
[…]
Google Now, for instance, is already available for iOS, and while the new third-party integrations are currently Android-only, it’s possible that this could change in the future. The same could be true for Google’s Custom Voice Actions.
As for standalone apps, Level Money’s Sarazan says getting them to work with a paired iPhone probably wouldn’t require much work, especially if Google provides an API to forward data to the watch over Bluetooth. “Maybe it would have to use a different Bluetooth protocol but that would probably be trivial for the end developer,” he says. Between standalone apps, Google Now, and voice actions, Android Wear might not even need actionable notifications to feel like a capable platform.

In any case, Google has time to get it right. The smartwatch industry is still young, and while the Apple Watch is getting most the attention, the developers I spoke with aren’t walking away from Android Wear anytime soon. With better software and a wider potential user base, Google’s smartwatch platform still stands a fighting chance.

O artigo pode (e deve) ser lido na íntegra AQUI.

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Cabe lembrar: o Google já colocou o Android em geladeiras, fornos microondas, relógios, óculos, coleiras de cachorros e uma infinidade de itens. Até agora, contudo, ele não conseguiu resultados muito inspiradores. Evidentemente, há tempo de reverter isso – mas agora ele tem que se preocupar com o relógio da Apple e, dependendo dos resultados que este relógio obtiver, a Apple poderá lançar alguns produtos derivados dele. Isso, sim, dificultaria sobremaneira a vida do Google.